Voltando cinco anos no tempo: a marmelada de Ancona



Uuuuuuuuuuuuuh!

Foi o título do texto que escrevi em 2 de outubro de 2010, publicado no dia seguinte no LANCE!. Estava em Ancona, na Itália, e vi com meus próprios olhos Brasil x Bulgária, pelo Campeonato Mundial.

Os dois times entraram para perder. Era nítido. Queriam adversários mais fracos na fase seguinte e o regulamento (muito ruim, diga-se de passagem) permitia a escolha do caminho a seguir. A Seleção Brasileira, com oposto jogando como levantador, “foi melhor” e levou o 3 a 0 que tanto queria. Os gritos de vergonha ecoavam pelo ginásio. Relembrem ou leiam pelo primeira vez  o texto que escrevi na ocasião: Visão de jogo: Brasil x Bulgária

Após a partida, não houve zona mista. Os jogadores não paravam para falar com os jornalistas presentes. Theo, oposto que jogou como levantador, até ensaiou parar. Mas foi arrastado para dentro do vestiário pelos companheiros de time. Na constrangedora entrevista coletiva, personagens do patético episódio tentaram de todas as formas negar o óbvio. Vou reproduzir aqui trechos publicados no L!.

Perguntado se havia acabado de participar de uma comédia, o técnico brasileiro Bernardinho respondeu:

-– Foi uma tragédia.

Sobre a reação da torcida italiana, que chegou a pedir o dinheiro do ingresso de volta ao término da partida, ele se desculpou.

-– Sinto muito mesmo. Tenho de me desculpar com eles.

Giba, por sua vez, disse:

– É uma mancha que eu não gostaria de ter. Mas está feito, paciência. É um pecado. É um jogo para esquecer e pensar daqui para frente só na próxima fase.

Vladimir Nikolov, oposto e capitão búlgaro, optou por atacar os brasileiros:

–- Eu penso sim que o Brasil perdeu de propósito, por ter perdido para Cuba na primeira fase e estar com medo.

No dia seguinte, Ary Graça, então presidente da CBV, reuniu jogadores e comissão técnica no meio da quadra. A mensagem passada foi a seguinte: não é possível voltar atrás no que foi feito. Estou com vocês. Mas a única saída agora é vencer o Mundial. O fim da história vocês conhecem bem. Brasil seguiu adiante e acabou conquistando o título da competição pela terceira vez consecutiva.

Hoje, quase cinco anos depois do ocorrido, o assunto está de volta à mídia. Giba, ao participar da sabatina olímpica da Folha de S. Paulo, na segunda-feira, admitiu a entregada. Segue o link do material dos companheiros Marcel Merguizo e Edgar Alves: Sabatina

Quando voltei a tocar no tema, na última Liga Mundial, com fase final disputada no Rio de Janeiro, choveram críticas: Resultado conveniente para EUA e França

Então, prefiro encerrar esse texto com a mesma frase que terminei o de 2 de outubro de 2010: O esporte se envergonha.

 

 

 



MaisRecentes

Vaivém: Site crava volta de Hooker ao Osasco



Continue Lendo

Brasil não toma conhecimento da Argentina



Continue Lendo

Termina a parceria campeã olímpica de Alison e Bruno Schmidt



Continue Lendo