Vôlei sem preconceito



O vôlei brasileiro tem uma grande oportunidade nas mãos para dar um exemplo para nossa sociedade.

Nos próximos dias Tiffany, 33 anos, vai se tornar a primeira transexual brasileira a atuar no vôlei feminino após concluir o processo de mudança de sexo.

A presença dela em uma competição para mulheres é uma vitória contra o diferente. Contra o preconceito. Contra as barreiras da aceitação. Contra o discurso muitas vezes fundamentalista de quem vê apenas “o homem” e “a mulher” como opções possíveis.

Tiffany vai defender Bauru na Superliga (Divulgação)

O mundo está cada vez mais dividido entre A e B, direita e esquerda, branco e preto, coxinha e mortadela, ou seja lá qual for a nomenclatura. E são as raras as possibilidades de plantar uma sementinha e ajudar a diminuir o abismo entre os lados.

Seria uma utopia imaginar a torcida adversária do Bauru aplaudindo um ponto marcado pela Tiffany? Uma tapa com luva de pelica na cara dos preconceituosos de plantão. Aqueles que gostam de se esconder atrás de um perfil falso na internet para atacar e agredir. Aqueles que não aceitam as diferenças. Aqueles que tratam pessoas como Tiffany como inferiores.

Torcedor do vôlei, faça sua parte nos ginásios por onde Tiffany passar. Uma sociedade mais justa agradece.



  • Willian Garcia

    Respeito, é a palavra que deve sempre predominar. Se ela encaixou nas regras, ninguém tem o direito de questionar. Chega de mente fechada e egoísta.

    • Fabiano R. Rodrigues

      Um corpo com força masculina competindo com um feminino, bem justo né? Não estou falando de preconceito. Mas no pareio de forças meu caro

      • Willian Garcia

        Se as autoridades responsáveis não aponta vantagem, o que nós pobres mortais podemos questionar. Tanto a FIVB e COI deram aval e realizaram vários testes e constataram que a vantagem não existe. vejo mais como preconceito mesmo.

        • Senhor Omar – Trágico

          O próprio zé roberto g disse que prefere ela/ele a favor do que contra…
          Preciso dizer se tem alguma vantagem? Kkk

  • Júlio Meirelles

    Deixa eu ver se entendi: alguém que tem um corpo de homem vai competir com mulheres e isso torna tudo mais justo?

    • Daniel Bortoletto

      Não, você não entendeu, Júlio

  • AfonsoRJ

    A meu ver o problema não é se a atleta é trans, gay, ou seja lá o que for. Isso é questão de foro íntimo. Para mim o problema é se não vai levar algum tipo de vantagem indevida sobre as demais atletas. Quanto a isso, parece que as autoridades máximas do esporte já fixaram regras e parâmetros, como taxas de testosterona, etc… Resta saber se isso vai convencer as demais atletas, e, principalmente os torcedores. Enquanto essas atletas tiverem uma participação de mediana para medíocre, vai ficar tudo bem. Mas a partir do momento que uma atleta dessas passar a desequilibrar, imagino que possa haver muito questionamento.
    E tem mais uma coisa: a turminha do “politicamente correto” taxa logo de preconceito a toda a opinião divergente da sua, o que nem sempre é o caso.

  • Senhor Omar – Trágico

    Não tem nada a ver com preconceito a barreira a trans no esporte… a questão é biológica.

  • Marco Túlio Braga Barbosa

    Aplaudo a iniciativa e, se eu dirigisse algum clube, contrataria movido pelo espírito do nosso tempo e animado pela repercussão certa para o meu clube. Não acho, porém, que seja um assunto pacífico ou livre de questões ainda a resolver. A Tiffany atende hoje os critérios da FIVB para competir com as mulheres, mas seu corpo foi formado até depois da adolescência sob os efeitos de uma composição hormonal masculina; é, pois, mais alta, forte e com estrutura óssea mais densa que teria se tivesse cromossomos XX. Mesmo após cirurgia e tratamento com hormônios sintéticos, seu ‘ponto de partida’ é mais avançado no aspecto condição física. Levanta-se também a possibilidade de manipulação das doses de hormônios sintéticos femininos quando fora de temporada competitiva para favorecer ganho de massa muscular a ser desfrutado durante a competição, quando os níveis de testosterona seriam então reajustados ao permitido. São questões que podem ser irrelevantes enquanto estivermos diante de casos isolados, mas eu me pergunto como ficaria o mercado de trabalho para as mulheres no caso de uma oferta maior de atletas transexuais, ou mesmo como encararíamos digamos, uma seleção tailandesa composta de uma maioria de jogadoras transexuais?
    Levanto esses pontos não com o viés de preconceito, mas apenas como questionamentos de uma nova realidade para qual a sociedade ainda não tem respostas prontas. No mais, torço muito para a Tiffany: uma ponteira de 1,94m na SFV será tudo de bom.

  • Daniel Bortoletto

    todos os comentários foram publicados, Luis Fernando.

  • Daniel Bortoletto

    Júlio, meu post não debate fisiologia, mudança de corpo… Ele fala da aceitação de uma atleta trans em uma sociedade dividida em um esporte macado, recentemente, por casos de preconceito racial, sexual… Apenas isso.

    • Senhor Omar – Trágico

      Preconceito é uma coisa. Porém a questão do transexual vai muito além disso. É outro departamento. A relutância em relação a transexual não se resume a mero preconceito ..como seu post da a entender.. é um tema que requer mta profundidade nos argumentos.

  • Willian Garcia

    Pode podem, mas neste caso, é fator médico e as autoridades competentes (especialistas) deram aval e quem somos nós para questionar especialistas da área de saúde.

    • Senhor Omar – Trágico

      E Tem mtos especialistas dizendo contrário tb..

    • AfonsoRJ

      Podemos questionar sim. Eu pelo menos posso, porque tenho conhecimentos científicos para isso. E mesmo alguém que não seja da área, pode perfeitamente questionar se tais “autoridades” estariam se pautando mais no famigerado “politicamente correto” do que em dados objetivos.

    • Senhor Omar – Trágico

      Especialistas tão divididos

  • L. Mesquita

    Daniel e amigos, bom dia, antes de ser atleta, jogadora, mulher, homem etc, ela é um ser humano. Às vezes as pessoas são crueis ao ponto de não ter escrúpulos ao atacar um ser humano em nome de uma torcida para um time, uma agremiação etc…
    Basta de rótulos, de que raça ela é? Ela da raça humana? Então tratemo-la como ser humano que é, merecedora de respeito.
    Laura, bom dia, tem uma coisa que tem me preocupado cada vez mais no vôlei, atitudes de pessoas que vão às quatgggffgdras não para assistirem aos jogos e torcerem decentemente, mas para xingar e perseguir as jogadoras com doses altas de crueldade, chegando a ferir as jogadoras emocionalmente!
    Casos assim aconteceram recentemente com DRUSSYLA e TANDARA, por exemplo.
    Por alguns comentários que tenho lido em outros sites, parece que tem gente que já está planejando xingar e perseguir a Tifany.
    Pessoal, antes de mais nada, antes de serem jogadoras, elas são seres humanos e a crueldade de alguns torcedores em quadra só estraga o espetáculo e ofende as jogadoras e incomoda também aos demais torcedores.
    Essa é uma parte da entrevista que Tifany deu ao UOL quando perguntada sobre as possíveis provocações: “Ali somos todas jogadoras de vôlei. O (lado) pessoal a gente deixa em casa, até porque, se for trazer isso pra quadra, a gente não joga. Não sou diferente delas, vão fazer o mesmo comigo. Mas, quando acontecer o apito final e sairmos de quadra, eu serei a Tifanny e eles serão os fãs. Seremos amigos, não quero misturar. Na quadra, podem falar o que quiserem que não vou me importar, mas fora de quadra já seria falta de respeito com a pessoa Tifanny”

    • AfonsoRJ

      Meu caro: Concordo plenamente que somos todos seres humanos e como tal todos merecemos respeito, independente de cor, sexo, credo politico, religioso, ou o que quer que seja. Mas o que está em discussão não é o comportamento da torcida ou de qualquer pessoa ou grupo. O que está em discussão é a possível, e eu diria até mesmo provável vantagem indevida que tal atleta levaria sobre as demais. Senão vejamos, apenas alguns pontos passíveis de reflexão: “Elas” não menstruam e portano não tem TPM e também não engravidam. A Tiffany, por exemplo tem (se não me engano) 1,94m, bem acima da média das atletas brasileiras. Seria isso natural ou por conta do cromossomo Y que pautou seu desenvolvimento físico? O fato de diminuir os níveis de testosterona não diminui sua estatura ou estrutura óssea. É esse tipo de questionamento, e nada ligado a preconceito ou desrespeito o que está em pauta nessa discussão.

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