Virada e título do RJX em um jogo pra lá de estranho



Acabo de chegar do Maracanãzinho, palco da final entre RJX x Sada/Cruzeiro. E temos muito assunto para discutir aqui no blog hoje e nos próximos dias também.

Começo por uma análise do jogo. Arrisco a dizer que foi a final mais estranha que já vi.

Pelo nível técnico das duas equipes e pelo equilíbrio das campanhas, eu esperava um jogo mais parelho, com parciais apertadas e disputa até o ponto final. E isso não aconteceu em nenhum dos quatro sets. 15-25, 25-18, 25-18 e 25-14 são resultados de sets que ninguém apostaria. Não reflete os times que estavam em quadra.

Quando um deles jogou, o outro sumiu. O então campeão Sada/Cruzeiro começou o jogo de forma avassaladora. O saque entrando e desestruturando a linha de passe do RJX. Dante sendo o alvo principal e não conseguindo fazer com que a bola chegasse na mão de Bruninho. Sem passe A ou B nas mãos, o levantador ficava sem sua bola de segurança: o meio.

A receita para o bicampeonato parecia certa. Mas o jogo mudou. E radicalmente.

Dante e Thiago Alves passaram a dar segurança no passe. O saque de Lucão começou a fazer muitos estragos. E Bruninho passou a realizar uma distribuição inteligente, dividindo bem as bolas entre Theo, os centrais e os ponteiros. Neste jogo de xadrez, o RJX parece ter colocado o Sada/Cruzeiro em xeque-mate. E nos três sets vencidos pelos cariocas o panorama foi o mesmo.

Senti os cruzeirenses menos vibrantes do que o normal. Talvez tomados por um certo sentimento de frustração por estarem jogando muito abaixo do que poderiam. E não conseguiram se reerguer. Marcelo Mendez invertou o 5-1, trocou Leal por Maurício, depois manteve o ponta reserva e tirou Filipe. Nada surtiu efeito. A decisiva dupla William/Wallace também não fez os estragos que está acostumada. E, como disse na transmissão da CBN, os sets já se definiam antes do segundo tempo técnico. Era só trocar pontos e esperar a vitória carioca.

É preciso dar mérito a quem merece também, apesar de os erros terem chamado mais a minha atenção do que belos rallies, por exemplo. O RJX não se abalou com o primeiro set e soube controlar o restante do jogo. Marcelo Fronckowiak, agora bicampeão como técnico e vencedor da Superliga também como jogador, leu o jogo com perfeição e viu quais peças do outro lado não estavam funcionando. E soube apontar para seus comandados o caminho a seguir.

O VivaVôlei foi dado para Thiago Alves. Eu teria escolhido Dante. Foi o melhor jogo do ponteiro que vi no ano. Talvez dos últimos quatro anos, me confidenciou depois uma figura importante da conquista.

Parabéns ao RJX pelo título. Ao Sada/Cruzeiro, reconhecer as falhas, pelo que ouvi nas entrevistas, é uma demonstração de grandeza. E vida que segue.

 

 



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