A velocidade do Sesc, com Thiaguinho, impressiona



Não é à toa que o Sesc está a uma vitória de assumir a liderança da Superliga masculina e desbancar o Sada/Cruzeiro. O time comandado por Giovane Gávio pratica um vôlei de altíssima velocidade, um diferencial a ser enaltecido até aqui na temporada.

Para imprimir essa característica, o time carioca depende de uma linha de passe muito competente, inicialmente formado por Maurício Borges, Tiago Brendle e João Rafael (em recuperação de lesão), e principalmente, das mãos do levantador Thiaguinho.

– Giovane foi bem claro na primeira reunião. Disse que queria um time muito rápido. Ele jogou com o Ricardinho, né? Queria aquela velocidade absurda da Seleção. Montou um time para isso. Atacantes que gostam de bolas rápidas na ponta, fazem a pipe (bola pelo fundo), com centrais que pegam a bola alto. E eu sempre gostei de jogar rápido. Acho que temos conseguido jogar assim  – comentou Thiaguinho, em entrevista ao blog.

Thiaguinho amadureceu demais com a passagem pela Itália na temporada passada. Apresenta atualmente uma distribuição de jogo mais consciente e cada vez mais veloz.  A ponto de o bloqueio adversário sofrer demais para acertar quem receberá a bola no ataque e ainda chegar no tempo certo. O jogo contra o Minas, em Belo Horizonte, ontem, foi um bom exemplo.

No primeiro set, o passe do Sesc deixou a desejar. E assim o vice-líder (22 pontos, contra 24 e um jogo a mais do que os cruzeirenses) vira uma equipe mais comum. A partir do segundo, quando a recepção passou a chegar mais redonda para Thiaguinho, a partida começou a mudar.  Maurício Borges terminou o confronto, válido pela oitava rodada e vencido por 3 a 1, com 23 pontos, faturando o Troféu VivaVôlei Cimed. E na explicação do rival pelo resultado a constatação da característica do Sesc.

– Tivemos dificuldades contra o time do Sesc que joga com bolas muito velozes – admitiu o central Flavio, do Minas.

Thiaguinho estava entre os levantadores convocados por Renan Dal Zotto para a primeira temporada à frente da Seleção. Mas ele precisou fazer um tratamento de uma fratura no punho direito, sofrida no ano passado, quando defendia o Molfetta, da Itália, voltando a atuar apenas no fim de setembro.

Thiaguinho é destaque do Sesc (Divulgação)

Ele admitiu a decepção de não poder defender a Seleção, revelou uma difícil decisão tomada e como isso o ajudou a chegar voando neste início de Superliga:

– Era minha primeira convocação. Fiz um treino e percebi que não teria condições de seguir. Vinha jogando com dor na Itália. Minha carreira poderia estar em risco se eu arriscasse seguir jogando sem tratar. Eu poderia me arrebentar. Foi uma decisão difícil, conversei na Seleção, expliquei, conversei com o Giovane e decidimos iniciar minha preparação para a Superliga lá em abril. Foi um longo caminho e eu só voltei a atuar efetivamente em setembro, em um torneio que o Sesc fez lá na Argentina. Mas valeu tudo a pena – comentou o levantador, de 24 anos.

Nas estatísticas da Superliga, Thiaguinho aparece como o segundo melhor levantador. O primeiro é Cachopa, reserva do Sada/Cruzeiro. Então é necessário considerar que o titular do Sesc teve muito mais tempo em quadra (consequentemente mais ações) do que o líder do fundamento.

Paraibano de nascimento, ele começou a jogar vôlei na vizinha Pernambuco. “Falava que eu era o Maurício (bicampeão olímpico em 1992 e 2004) nas brincadeiras”. Ainda criança, mudou para São Paulo. Seu primeiro clube como profissional foi o Pinheiros. Nesta época, já se inspirava em Ricardinho. No Sesi, despontou como revelação, participando das Seleções de base e disputando mundiais menores. Por lá permaneceu até a temporada passada, quando viu o time contratar Bruninho, outra inspiração. Sem espaço, viu na Itália a oportunidade de crescer.

Passagem pela Itália (Divulgação)

– Lá no Campeonato Italiano não tem jogo fácil. Todos estudam muito. Para o levantador, após ser muito estudado, é preciso se reinventar, estudar mais, ter mais foco na preparação. E eu cresci demais na distribuição, saber para quem dar a bola em determinado momento, dar mais bolas para quem está melhor em quadra. Na Itália, por ser mais parelho, cada bola é decisiva, aumentando a responsabilidade do levantador – disse Thiaguinho, fã do estilo de jogo do americano Christenson e do argentino De Cecco.

As metas do levantador para a carreira são claras. Ser jovem não o faz titubear ao responder sobre o tema:

– Quero fazer uma grande Superliga para voltar a ser chamado para a Seleção, entrar lá, ficar de vez e jogar a Olimpíada em 2020.

No Sesc, Thiaguinho vive a melhor fase da carreira ao lado de um amigo de longo data: o ponta João Rafael. Companheiro dentro e fora de quadra nos bons e maus momentos da ainda curta carreira.

– Já jogava contra ele em Pernambuco. Em 2009 atuamos juntos na seleção do estado. Depois foram dois anos no Pinheiros, seleções de base e saiu pra Itália. Acabamos jogando juntos lá. Eu conheço cada bola dele, cada ponto de quadra. É parecido com a relação do Lucão com o Bruninho. Mais fácil fica com o passar do tempo. É um cara de confiança, um amigo. Estive perto quando ele teve duas lesões de joelho. E ele esteve perto durante meu problema no punho.

 



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