Vaivém: oposto, ex-Seleção, no BMG/São Bernardo



Vocês se lembram do oposto Joel, principal responsável por classificar o Brasil para a Olimpíada de Sydney, após um jogo histórico contra a Argentina?

Ele está de volta. Aos 37 anos, vai defender o BMG/São Bernardo na próxima Superliga.

– A minha expectativa é a melhor possível em trabalhar com esse grupo de jovens talentos e passar minha experiência para os garotos e que possamos fazer um bom Paulista. Será muito produtivo. Os meninos ficam brincando que sou o velho do elenco – disse Joel.

Depois de jogar vários anos pelo Banespa, o oposto atuou em vários países, como Itália, Argentina, Emirados Árabes, Japão e  Grécia.

Lembro bem da reação de Joel após ajudar o país a garantir vaga na Olimpíada e posteriormente ficar fora da lista de Radamés Lattari para os Jogos de Sydney. Desiludido, decidiu deixar o vôlei brasileiro. Até encontrei numa matéria da amiga Mariana Lajolo, da Folha de S. Paulo, sobre ele.

– Foi uma fuga. Eu não tinha mais clima. Eu perdi propostas do exterior e ficava no Brasil, mesmo sem compensar financeiramente, achando que um dia teria chance na Seleção. Não ir à Olimpíada foi uma desilusão muito grande – disse, oito anos atrás.

Achei um relato da Folha de S.Paulo daquele jogo com a Argentina para que os mais novos possam ter ideia do que foi:

Ancorada na potência do saque do oposto Joel Monteiro, 25, a Seleção Brasileira masculina bateu a Argentina, por 3 sets a 2 (21/25, 32/30, 25/22, 33/35 e 15/13), ganhou invicta o Pré-Olímpico sul-americano e obteve a classificação para os Jogos de Sydney (Austrália), em setembro.

Joel, que começou na reserva, marcou 27 pontos na partida disputada no ginásio Lauro Gomes, em São Caetano (Grande São Paulo), totalmente lotado por 4.000 torcedores brasileiros. Maior pontuador do Brasil, no último set (tie-break) ele se mostrou ainda mais fundamental.  A Argentina tinha 6 a 3 no placar – chegara a fazer 6 a 2 -, vantagem que, na regra em que toda bola em jogo é ponto, e com o tie-break indo só até 15 pontos, dificilmente costuma ser revertida.  Mas Joel foi para o saque e, com sua potência, desestabilizou a recepção argentina. Resultado: 6 a 6, e o Brasil de volta ao jogo. Depois de a equipe conseguir abrir 14 a 12, em um bloqueio do meio-de-rede André, o levantador Ricardinho, com o placar em 14 a 13, deu a Joel a bola da vitória, e ele a colocou no chão.  No terceiro set, Joel também havia feito o ponto decisivo. Mas foi ainda no segundo set, no lugar de Marcelo Negrão, que o atacante começou a agir, evitando que a Argentina abrisse 2 a 0 no marcador. Os argentinos tiveram 24 a 22 no placar, mas, com Joel sacando, o Brasil fez dois ‘aces (saques sem defesa) que deram moral para o time reagir. A partir daquele momento, sempre que foi para o saque, Joel teve o nome gritado pela torcida.

– ‘O Joel estava no dia dele. Era ele dar na bola que a gente fazia (ponto) – disse o atacante Giba.

Os argentinos, que agora tentarão a vaga para Sydney pela repescagem, concordaram.

– ‘No último set, o Joel virou o jogo. Foi determinante – disse Milinkovic, maior pontuador da partida, com 33 pontos, que, também com um saque violento e eficaz, fora o responsável por dar à Argentina uma vantagem de quatro pontos no set decisivo.

Encerrada a partida, comprovou-se que, em um jogo parelho, o técnico Radamés Lattari efetuou substituições corretas no segundo set, ao colocar em quadra, de forma definitiva, Joel e o levantador Ricardinho, que obteve um aproveitamento de 62%, contra 45% de Marcelo Elgarten.

– ‘O Brasil tem tido sorte quando o Joel e eu entramos juntos. Foi maravilhoso – disse Ricardinho.

– O Radamés (Lattari) foi muito feliz, mexeu certo – declarou Carlão.

 

 



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