Uma derrota elogiada por Bernardinho



Minha análise hoje se baseia no que li, já que não vi a derrota do Brasil por 3 a 2 para Cuba, parciais de 25-17, 22-25, 23-25, 25-20 e 12-15, e não acho justo criticar/elogiar sem embasamento.

Chamou muito minha atenção o discurso de Bernardinho após o jogo:

– Foi um jogo muito igual. Fomos efetivamente um time. Depois dos jogos contra Rússia e Estados Unidos, essa foi a nossa melhor partida. O time lutou e fez uma boa partida, de alto nível. Jogamos de uma forma correta.

Normalmente, o técnico costuma pegar mais pesado no discurso pós-derrota.  É quase uma característica de comando.

Pelas estatísticas, alguns fundamentos foram muito instáveis e merecem críticas. O saque, por exemplo, entrou no primeiro set, não incomodou nos dois seguintes e voltou a funcionar no quarto. Contra um time com força ofensiva como principal característica, ter um saque regular é o caminho mais curto para a vitória.

Outro número que me chamou a atenção foi o bloqueio. Sem Simon, Cuba fez 15 pontos, um a mais do que o Brasil. Neste aspecto, Bernardinho citou a falta de paciência como principal erro da Seleção.

– Só precisamos ter um pouco mais de atenção em algumas situações de dificuldades, com bolas ruins, para não enfrentar e conceder os pontos de bloqueios. Precisamos trabalhar um pouco mais a bola, tocar e deixar que eles também se atrapalhem um pouco mais.

Faltou ainda parar o oposto Hernandez, maior pontuador do duelo com 22 pontos, e principal desafogo cubano nas bolas de segurança.

Atuação à parte, a derrota dificultou bastante a vida do Brasil na disputa pelo título. Polônia e Rússia venceram na rodada e subiram para 19 e 18 pontos, respectivamente. O Brasil foi para 16, em terceiro, seguido por Cuba e Itália, com 14. Para mim, a briga pelas três vagas olímpicas está com o quinteto.



  • Mauricio

    Assim como o discurso do Bernardinho pós-jogo, há algo de estranho pairando no ar nessa seleção, principalmente depois da discussão Serginho x Bernardinho no jogo contra a Argentina. Se é real tudo isso e o que acontecerá daqui para frente, só o tempo dirá.

    Daniel, queria falar sobre o Paulista Feminino e como o Osasco me surpreendeu na semi contra o Sei. É a equipe com mais “estrelas” dessa temporada, não? Ainda mais com a vinda da Hooker. E a Fabíola é quem se dará bem com entreosamento com Thaisa, Jaqueline, etc… Mas será campeão?

    • Daniel Bortoletto

      Sollys e Unilever dividem o posto de estrelados da Superliga
      Falar em título nacional ainda é muito cedo. Não vimos os times completos jogando

  • Jairo (RJ)

    Então, mais um jogo difícil de entender. Se no primeiro set o Hernandez foi parado em cinco ataque, jogou pra fora umas três, como explicar a sequência do jogo?

    Daniel, não quero injusto mas acho que na ligação levantador / centrais, vejo o Marlon distribuindo muito mais bolas pro Sidão que o Lucão. Sei lá mas vejo o Sidão recebendo mais bolas. Seria obediência tática? Um bloqueia e o outro ataca!

    Amanhã tem Sérvia que não tem compromisso. Mas o outro divisor será o jogo contra a Polônia. Vamos ver!

    • GUga

      Embora a Servia esteja fora do pareo.. acredito, que se ela for inteligente jogara com o time titular amanha, tem q fazer de tudo para tirar sets ou ate vencer o brasil para ajudar a russia e a italia, para nao ter q disputar o europeu com elas..

    • Rafael B.

      Jairo,
      Acho que é apenas uma impressão sua sobre a distribuição!!!

      Ainda não assisti o jogo, mas dei uma olhada nas estatísticas. Giba recebeu 33 bolas; Murilo, 25; Sidão, 16; Lucão, 15; e os 3 opostos juntos, 34. Não vejo tanto desbalanceamento assim, já que jogamos contra um time que saca forte e, sem um passe preciso, o número de bolas de meio diminuem realmente.
      A diferença entre nossos centrais neste jogo foi a eficiência. Se ambos receberam a mesma quantidade de bolas (16), Sidão foi mais eficiente, derrubando 11, contra 7 de Lucão.
      Sidão ainda bloqueou melhor: 4 pontos e 6 rebotes, contra 1 bloqueio e 3 rebotes de Lucão.

      Abçs

      • Jairo (RJ)

        Rafa,
        Pode ser que não tenha observado o todo, afinal sou mais um leigo querendo ser técnico (rsrsrrs), mas a observação nao se prende somente ao jogo de hj.

        Mas, caro amigo, como vc já passou a estatística (tá surgindo aí mais um treinador??? ) fecho com sua observação. Obrigado pelo esclarecimento.
        Abs

  • Giovanna

    Foi muito decepcionante a derrota do Brasil pra Cuba, principalmente porque com isso vemos o titulo se distanciar, se comparado a campanha da Russia e Polonia…
    A seleção deixou um pouco a dever sim no jogo, pois insistia nas mesmas jogadas de sempre. Não se via as bolas com o Sidão e Lucão. Chegou uma determinada hora da partida em que Cuba estava marcando Giba direto, pois sabiam que era pra ele que a maioria das bolas estavam indo. Levou cada toco, e mesmo assim não souberam mudar a tática do jogo… a partir do 3° set o bloqueio de Cuba ficou bem mais eficiente, e eles começaram a ganhar confiança. Cuba progrediu no jogo, e Brasil retrocedeu, a defesa ficou ruim, enfim, não funcionou muito bem.

    Pelo jeito, Brasil acabou com a sua cota de derrotas e tie-breaks nessa Copa. Ou ganha da Sérvia, Irã e, principalmente, Polônia (pra não deixá-la disparar na classificação) de 3×0 ou 3×1, ou esquece o titulo. A não ser que a Polonia, a Russia e Cuba (que vem logo atrás) derrapem nas próximas partidas. Mesmo assim, aquele pontinho do tie break pra China vai fazer muito falta.

  • emanuella

    acho que o Brasil não tem mais chance nesse tornei, então tem que focar suas energias em classificar e arrumar a cozinha, se brigas são comuns que o façam entre 4 paredes, e não baiarias televisionadas. aquilo gera um disse me disse horroroso, e bernardinho precisa pesar em algum milagre que faça nossos centrais bloquear, não é possivel.

  • Daniel

    Daniel xará, estranho esse comentário do Bernardinho. As vezes acho que ele anda meio acuado pelo grupo. O time foi irregular, poderia ter jogado bem melhor, mas o mérito maior foi de Cuba. Vissoto foi uma negação a partir do 2o set. Lucão irregular. Pela pontuação até parece que o Sidão foi bem, mas quase tudo que ele fez de bom foi no 1o set. Os levantadores foram bem. Theo tb irregular. Wallace foi bem, mas nitidamente tava meio inseguro. Giba espetacular. Serginho recuso-me a comentar. Murilo? Parece que enquanto a Sheilla fazia seu mestrado em pisar na linha dos 3, ele fez o pós-doutorado em como pisar na linha do saque na hora decisiva no tie-break e ferrar com o time todo.
    Mas o grande mico do Brasil na Copa do Mundo, foi aquilo contra a China.

  • emanuella

    Daniel

    por favor, onde você pega essas estatísticas tão detalhadas que tem até o numero errado de saques no set?? gostaria de dar uma olhada.

    Obrigada

    • Daniel Bortoletto

      no site da FIVB existem PDF´s de estatísticas chamados de P2 e P3 de todos os jogos da Copa do Mundo

      • emanuella

        brigadão, achei.

  • klaus

    O Brasil jogou bem , principalmente com os ponteiros, mas o que pesou na derrota foi a atuação dos opostos.Não pode um oposto fazer menos pontos que os ponteiros, até porque não tem obrigação de passar e defender .Se o Leandro Vissoto tivesse sido um pouco mais regular , teríamos vencido.Mas ainda acredito no título e vou assistir o jogo entre Rússia e Cuba e torcer muito esta noite pra que Cuba vença por 3×0 ou 3×1 e que o Brasil ganhe da Sérvia sem perder pontos.Se isto ocorrer , passaremos a Rússia na pontuação, único time que pode nos tirar o título.

  • Afonso (RJ)

    Em anos e anos acompanhando volei, não me lembro de ter assistido a uma cena tão deprimente quanto a de ontem no segundo tempo técnico do segundo set do jogo Brasil x Argentina.
    Não adianta botar panos quentes nem dar entrevistas posteriores minimizando o ocorrido. Foi uma atitude ridícula, condenável e indesculpável. Me senti envergonhado e ofendido na minha condição de torcedor.

    Eu procuro ser comedido nos meus comentários, mas para mim está claro que o ambiente na seleção masculina se deteriorou com o tempo e com desgaste de relacionamentos. Já há algum tempo venho percebendo que há algo de errado, com declarações do Bernardinho que pretende largar o comando da seleção, e escândalos abafados de gerenciamento irregular de atletas por parte de integrantes do time e suspeitas sobre favorecimentos nas convocações.

    Será que isso influi no desempenho do time? Por mais que neguem, nunca vão me convencer do contrário. Haja visto as várias derrotas no decorrer desse ano (ou vitórias apertadas sobre times fracos). Podem dizer que Itália, Cuba e China se superaram, mas nos bons tempos não seriam páreo para o nosso time. Nossa recente vitória sobre os americanos e russos aconteceu mais por baixo desempenho dos adversários do que por méritos da seleção. Nisso, tendo a concordar com o blogueiro concorrente que classificou a derrota contra os russos de atípica.

    Não é de agora que vejo a seleção masculina de vôlei em decadência, e confesso que estou bastante pessimista. Acho que o título dessa competição já era, a menos que ocorra alguma reviravolta inusitada. Em relação às próximas olimpíadas, acho que nos classificamos, mas chegando lá, se bobear não dá nem pódio.

    O REI ESTÁ NU!!!

    Pronto. Falei. Podem cair de pau encima.

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