Uma boa discussão sobre modelos de campeonato



Um assunto muito relevante, que já foi abordado por aqui, encerrou as discussões do primeiro dia do 2º Seminário de Gestão do Esporte, em Belo Horizonte, nesta terça-feira. “Uma liga de sucesso: o esporte como negócio e entretenimento” foi o tema geral do painel, que contou com Renato D´Avila (CBV), Kouros Monadjemi (NBB e Fiba América), Arnon de Mello (NBA Brasil) e Guilherme Raso (Confederação Brasileira de Handebol).

O interessante foi ver como cada esporte tem caminhado para uma opção diferente no modelo de competição, fazendo adaptações pontuais em conceitos parecidos. O sucesso do Novo Basquete Brasil, por exemplo, reforça a tese da criação de ligas independentes das confederações. Segundo Kouros, ex-presidente do Minas Tênis Clube, a ousadia ao romper laços históricos com a CBB reforçou a união dos clubes após o lançamento da liga (a principal e a de desenvolvimento), permitindo que a confederação se ocupasse de outros assuntos relevantes para o esporte, como massificação e seleções. Ele citou um dado para comprovar o crescimento: seis anos atrás, a soma do investimento dos 16 times era de R$ 14 milhões; hoje, chega aos R$ 70 milhões.

Já o handebol, que também apoia o modelo das ligas, ainda busca uma solução “caseira”. A confederação ainda auxilia os clubes, antes que eles “tomem das rédeas de vez”, como disse Raso. Para ele, a liga independente é o futuro da modalidade, citando que o país atualmente conta com três competições regionalizadas nestes moldes: uma no Nordeste, uma na região amazônica e outra, a principal, com os times do Sul e Sudeste. Ele ainda salientou que o handebol aposta em times formados em cidades médias ou pequenas, quase sempre apoiados por prefeituras.

Renato D´Avila, por sua vez, admitiu que a Superliga de vôlei, em sua 21ª edição, ainda tem muito espaço para melhorar, reforçando um discurso já antigo e que cresceu com a criação da Comissão de Clubes, na temporada passada. Chegou a hora de a CBV abrir mão da organização da principal competição dos clubes?

–  As ligas estão engatinhando. O modelo brasileiro não encontrou uma forma de se sustentar. Atender as necessidades das seleções com a dos clubes é um desafio – comentou Renato, que deixou de ser superintendente técnico para assumir uma diretoria de desenvolvimento da entidade.

Renato tocou em pontos importantes do modelo atual do vôlei brasileiro, lembrando que é complicado entregar o controle total da Superliga aos clubes com um contrato ainda em vigor com a Globo e que vai até 2017. E uma frase do dirigente da CBV, durante as discussões, me chamou a atenção:

– Hoje não se cria tradição, paixão.

Ele abordou este tema ao comentar os diferentes tipos de associações que participam da Superliga: clubes sociais (Minas e Pinheiros, como exemplo), times bancados por universidades (já tivemos o boom da Unisul, Ulbra…), os bancados por prefeituras (Montes Claros), os projetos criados por empresas (Rexona, Brasil Kirin, Molico, RJX…) e os que unem um clube de camisa com um patrocinador forte (Sada/Cruzeiro). Renato admitiu que o mundo ideal é ter mais clubes de futebol, os times de camisa, presente no vôlei, mesmo como exemplos que deixaram dívidas, como Flamengo e Vasco, uma década atrás no feminino, além de outros, como Palmeiras e São Paulo, com equipes que duraram pouco por ter não apoio da cúpula do clube.

– O Cruzeiro, com um patrocinador forte, que é o Sada, está fazendo sucesso há uns seis anos. Ele encontrou um formato interessante – admitiu.

Arnon de Mello, após explorar o case da vinda da NBA ao país e a primeira série de jogos de um clube nacional na Liga Americana (Flamengo contra Memphis, Phoenix e Orlando), vê uma outra possibilidade, unindo clube de futebol e investimento privado. Eles, que possuem tradição e torcedores, se transformam em franquias dentro de uma liga, sendo administrados por “terceiros”, neste caso, gestores profissionais.

Como se vê, não existe um exemplo específico com sucesso garantido para cada esporte. Mas o que não faltam são ideias para que competições sejam melhoradas a partir de um modelo novo ou adaptado de gestão.

 

 

 



  • Alaor

    Não acho legal clubes de camisa do futebol no vôlei, que o vôlei crie suas próprias camisas e escreva sua história.

  • JR

    Esse modelo que o Arnon de Mello fala na verdade já é seguido pelo Cruzeiro e por ser diferente de todos os outros de clubes de camisa que já se aventuraram no nosso esporte é que deu certo. O Cruzeiro ali fornece toda a estrutura e “marca”, enquanto a administração é toda da equipe do Medioli, sem ligação com o futebol e só voltada para aquilo.

    Torço para que mais clubes sigam esse caminho, os clubes sociais tb apareçam e se fortaleçam mais. Clubes-empresas sempre foi um modelo perigoso e aventureiro pq na hora q a empresa muda de humor, n tá mais afim, ela fecha as portas sem cerimônia. Vide exemplo Amil e tantos outros.

    Osasco não é apenas patrocinado pela Nestle? Pq é o mesmo clube q já foi campeão com o patrocínio da BCN, equipe na estrada desde os anos 90…

    • Roberto

      Então me explique porque então o “Osasco”, que não é “Osasco”, e sim “Molico/Nestlê”, foi inscrito na CBV com outro CNPJ desde a entrada deste investidor, o que na época causou muito bafafá, é clube empresa sim, não adianta querer tapar o sol com a peneira.

      • Alaor

        Rexona também mudou de CNPJ ao mudar para o Rio mesmo o patrocinador não sendo alterado, entra lá no site da Receita e consulta a data de cadastro do CNPJ 06284631000166. Para a CBV isso é só mais um número.

        • Roberto

          É tudo farinha do mesmo saco, clube empresa.

        • Roberto

          Te garanto que para a Receita Federal e para a Justiça não é só um número. Vai lá na Receita Federal e tenta mudar então o nº do teu CPF. Tu muda de nome, de cidade e até de sexo, mas o nº do teu CPF tu não vai conseguir mudar. Eu não sei se criou outro CNPJ, não tive o trabalho de pesquisar, mas se criou, deve ter sido porque passou de Paraná voleibol Clube para Rio de Janeiro Voleibol Clube a Razão social, portanto, na minha opinião, duas coisas distintas, assim como Finasa e Osasco voleibol Clube. É como eu falei, clube empresa, se tirar a empresa, vira um saco vazio só com o nome, sem vôlei, sem nada. Se não tiver alguém pra enfiar dinheiro dentro desse saco, acabou amigo, babau.

          • Alaor

            Não é necessário mudar o CNPJ para mudar a razão social.

            PS: O clube empresa Molico/Nestlé está representando a cidade de Osasco nos Jogos Abertos do Interior, interessante né?

          • Roberto

            É claro que não cara, bastava uma alteração contratual. Aonde você não entendeu cara, o saco vazio só com o nome, tá difícil né, Associação Desportiva Classista Finasa para Osasco voleibol Clube fundado em 2009 com a entrada da “Empresa Nestlê”, você queria que representasse quem Porto Alegre? PQP.

  • João Carlos

    Daniel,

    Creio que há um equívoco quanto a citação do Montes Claros ser mantido/bancado pela prefeitura. Até onde é divulgado, o vôlei de Montes Claros atualmente é vinculado ao MCTC (Montes Claros Tênis Clube), clube tradicional na cidade e em Minas Gerais, tendo disputado em décadas passadas competições de Futsal. O clube é gerido pelo atual Secretário de Educação Andrey Souza, porém a prefeitura apenas atua no Projeto como parceira, dando suporte com o Ginásio entre outros. Sendo os principais apoiadores as Faculdades Funorte, Supermercados BH e Jornal O Tempo, em um parceria com o próprio Vitorio Medioli do grupo Sada. Como referido, até onde é divulgado, o time de vôlei não conta com qualquer repasse direto de verbas da administração Municipal.

    • João Carlos

      Corrigindo… Atual Secretário de Esportes, Andre Souza.

  • SPORTS IN THE WORLD

    Desculpem-me meus caros Alaor, JR, Roberto e João Carlos, mas a discussão não pode ser essa de que o SADA Cruzeiro é a perfeição, que o Osasco já teve outros nomes e não é Osasco e sim Molico/Nestlé, que o Rexona mudou o CNPJ e que o Montes Claros não é bancado pela prefeitura. Amigos deixem de lado suas paixões clubísticas. As equipes podem ser formadas por clubes de futebol, por clubes/empresas, por empresas, por clubes sociais, isto é que menos importa. A Superliga precisa é de TV aberta, ginásios confortáveis para o público, de 12 equipes numa Superliga “A” e 8 a 10 numa Superliga “B” com acesso e descenso (2 subindo e 2 descendo), de ídolos, é inconcebível que sejamos bi-campeões olímpicos no feminino e não tenhamos jogadoras ídolos, de 5/6 equipes disputando o título, de Tabelas dos jogos sendo cumpridas por rodada e não jogos da 8ª rodada sendo jogado antes da 2ª e junto com a 1ª, há que se ter uma rodada completa para depois ter a seguinte. Discutir estas coisas sim seria de importância para termos uma Superliga verdadeiramente forte. O resto são decisões políticas por parte da CBV, que não quer entregar o poder organizacional aos clubes. E estes também devem colocar um Diretor profissional independente (como a NBA) para gerir a Liga.

  • Bruno Inácio

    Não sou totalmente contra a vinculação de camisas de futebol ao vôlei, mas vejo um grande problema nisso. Não é muito mais fácil o vôlei escrever a sua história? Minas e Pinheiros, por exemplo, são clubes tradicionalíssimos, que podem ajudar a criar essa paixão. Aqui em Belo Horizonte, quem gosta de vôlei é apaixonado pelo Minas.

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