Depois de uma baita vitória, uma baita derrota



A primeira grande zebra do Campeonato Mundial masculino aconteceu neste sábado. E com o Brasil como protagonista.

Depois de uma importante vitória sobre a França, na rodada anterior, a Seleção foi surpreendida pela Holanda, de virada, em quatro sets, parciais de 21-25, 25-20, 25-20 e 25-21.

O inesperado revés em Ruse, na Bulgária, pode ter consequências graves na sequência da caminhada brasileira na competição. Como já escrevi aqui anteriormente, os resultados da primeira fase são mantidos na pontuação na segunda. E, como rivais bem mais fortes aparecerão na sequência, o Brasil passa a ter margem quase zero para novas derrotas.

O tropeço também multiplica bastante a importância do duelo contra o Canadá, na segunda-feira. Após três rodadas, os canadenses são os únicos invictos do Grupo B e somam nove pontos. Com cinco, o Brasil caiu para quarto, atrás de França (7) e Holanda (6).

Holanda foi muito superior ao Brasil no ataque (FIVB Divulgação)

Nas entrevistas pós-jogo ao SporTV, ficou claro que o sinal de alerta foi ligado.

– Jogamos no lixo a oportunidade da provável classificação em primeiro do grupo. Parece que a gente gosta de dificuldade. Agora é pegar um caminho mais difícil mesmo e bola pra frente – comentou o ponta Lipe.

– Não temos mais direito a errar. Não existe outra opção: é vitória – emendou o técnico Renan Dal Zotto.

– Sabemos o quanto pesa uma derrota como essa – completou Bruninho.

O ponta campeão olímpico, inclusive, seria poupado da partida, dentro do planejamento para o tratamento de uma inflamação no cotovelo. Lipe começou no banco de reservas, mas acabou entrando no decorrer do terceiro set.  Deu bronca em companheiros, tentou motivar em alguns momentos, mas não conseguiu mudar o panorama do jogo.

Jogo este que começou com o Brasil dominando as ações, com uma razoável consistência no passe, uma sensação de que o resultado seria o mesmo dos três amistosos realizados semanas atrás. A Holanda, por sua vez, jogava com vários reservas, aparentava estar com a cabeça nos compromissos com Egito e China, rivais diretos para eles para um lugar na segunda fase.

Aos poucos, a virada de bola dos europeus subiu demais de produção, com Ter Maat e Ter Horst. O líbero Sparidans estabilizou a recepção. E o saque começou a fazer estragos, tanto na pancada quanto em lances de sorte, com desvios na fita. Era mais do que a melhor partida deles no Mundial. Era o jogo da vida.

Já o Brasil foi definhando em todos os fundamentos. Individualmente nenhum jogador fazia uma atuação de encher os olhos. Fora erros por falta de concentração em alguns momentos, afobação em outros.  Uma sensação até de apatia.

– Displicência, queda de atenção, queda de ritmo… Em um Mundial isso não pode acontecer – resumiu Lipe.

E ele tem razão.

LEIA TAMBÉM

+ Quando esporte e política se misturam



MaisRecentes

Coluna: Minas e um dia histórico para o vôlei nacional



Continue Lendo

O tremendo desafio de Minas e Dentil/Praia Clube no Mundial



Continue Lendo

Coluna: Sinal de alerta com as chuvas no Brasil



Continue Lendo