Um pouco de Marcelo Mendez, o mais mineiro dos argentinos



20 torneios disputados nas últimas cinco temporadas, com 18 finais e 15 títulos, o último deles no domingo, no Mineirinho. Um aproveitamento incrível de conquistas, que inclui dois sul-americanos e um mundial.

Os números falam melhor do que qualquer elogio escrito aqui sobre o trabalho do treinador Marcelo Mendez à frente do Sada/Cruzeiro. Um argentino que escreve, ano após ano, uma história riquíssima no Brasil. 24 horas após vencer a Superliga pela terceira vez, ele me atendeu, por telefone, com a mesma serenidade que costuma mostrar em quadra, mesmo nos momentos mais difíceis do seu time. E, já na primeira resposta, tive mais uma convicção sobre um dos segredos do sucesso de Marcelo e da equipe celeste.

Já conseguiu desligar após a comemoração do título?, perguntei.

“Descansei. Mas já estou pensando no próximo desafio”.

Esse é Marcelo Mendez, que chegou ao Sada/Cruzeiro em 2009, após passagem pelo Montes Claros. Na ocasião, era considerado por todos, inclusive este blogueiro, como uma aposta. O Brasil já havia visto o sucesso de outro argentino no vôlei brasileiro: Javier Weber. Ele chegava sem pompa e cerimônia ao Cruzeiro, na época um clube de camisa no futebol que se aventurava em outro esporte coletivo. A expectativa criada era pequena.

O vitorioso Marcelo Mendez (Divulgação)

O vitorioso Marcelo Mendez (Divulgação)

Aos poucos, foi montando uma equipe sem grandes astros. O oposto Wallace chegou em 2010. William, que brilhava no país-natal de Mendez, desembarcou em BH em 2011, juntamente com o ponteiro Filipe e o líbero Serginho. Começava a ser formada uma base, sem grandes astros milionários, que não muda radicalmente ano por ano. E está aí outro segredo do sucesso do Sada/Cruzeiro.

– Eles se conhecem mesmo com uma troca de olhares, nos bons e nos maus momentos. Isso me dá uma tranquilidade para trabalhar. São guerreiros, trabalhadores. Costumamos fazer uma, duas mudanças no elenco por ano. Pequenas mudanças, sempre pensando em melhorar. Podemos trazer um estrangeiro, como foi o Winters (canadense) na última temporada, ou também trazendo alguns meninos da base – explica Marcelo Mendez, já emendando outra assunto da entrevista e, certamente, outro tópico do case de sucesso mineiro no vôlei.

O Sada/Cruzeiro conquistou nesta temporada, além da Superliga em cima do Sesi, a Superliga B em final contra o Bento Gonçalves. O time que joga a divisão da acesso, sabendo que não poderá garantir a vaga na elite, é formado por garotos que sonham em ser Wallaces, Filipes, Serginhos, Williams da vida. Jovens que o argentino dá rodagem para que possa utilizar nas próximas temporadas no time adulto.

Um deles, por exemplo, acabou de ser convocado, nesta manhã, por Bernardinho para a Seleção Brasileira que disputará a Liga Mundial e o Pan-Americano. Fernando Cachopa, levantador de 19 anos, se firmou como reserva imediato de William na última Superliga.

– Estou muito feliz. Acabei de acompanhar a convocação do Bernardinho. Fernando é um garoto com muito talento. Mostra a excelência do trabalho que está sendo feito aqui. Muitos garotos do time B trabalham conosco no dia a dia. Além do Fernando, temos o Alan (oposto que entrou na final de ontem), Eder Levi, Rodriguinho, Kadu, Pedrão, que estava emprestado ao Montes Claros e vai voltar. Todos eles vão ocupar, no futuro, um espaço aqui no Sada/Cruzeiro. Eles passam por um momento de mostrar que podem jogar no time profissional – comenta o treinador, que tem no assistente Henrique Furtado o comandante da equipe de base.

Formar jogadores é um legado que Marcelo Mendez pretende deixar no Brasil. Talvez, mais do que os títulos, uma resposta, mesmo que inconsciente, para seu país-natal. O sucesso do técnico no vizinho e rival parece até incomodar os hermanos. Alguns cronistas locais cobraram, no último processo de troca de comando na seleção argentina, mais atenção com Marcelo. Em vão! Ele não se abala, mas não esconde uma ponta de decepção.

– Na Argentina temos um ditado: Ninguém é profeta na sua terra. Eu tinha uma ilusão, mas hoje prefiro não criar mais expectativas. Não é uma preocupação que eu tenho. Logicamente receberia com satisfação um chamado – revela.

Coincidência ou não, as férias que desfrutará, a partir de hoje, não serão aproveitadas na Argentina.

– Pela primeira vez, nestes anos todos, vou ficar em Belo Horizonte. Minha filha está na escola. Meu filho (Nico) está jogando na França.  Então eu fico por aqui – diz Mendes, rindo após ser chamado de o mais mineiro dos argentinos.



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