Trem bão > Lokomotiv – parte II



Depois de oito tentativas sem êxito, o Brasil finalmente é campeão mundial de clubes no masculino. O tabu foi quebrado ontem pelo Sada/Cruzeiro, ao superar os russos do Lokomotiv Novosibirsk por 3 a 0, na final, em Betim, para delírio de mais de sete mil torcedores.

Até então, os times brasileiros tinham como melhor colocação três vices-campeonatos: dois com o Banespa (1990 e 1991) e um com o próprio Cruzeiro (2012). Entre as principais competições organizadas pela FIVB, o Campeonato Mundial feminino de seleções é o título que falta para o Brasil.

Foi o jogo de um time só. Em nenhum momento os russos, atuais campeões europeus, incomodaram. Nem mesmo a vantagem na altura (2,01m x 1,96m, em média) fez com que o temido bloqueio do Lokomotiv aparecesse. Talvez eles tenham ficado perdidos com a tática cruzeirense. William começou a partida acionando apenas os centrais. Aos poucos, o levantador foi colocando bolas para Wallace e Leal. E quem apareceu muito bem também foi Douglas Cordeiro, central que substituiu Isac, lesionado.

Para piorar a vida russa, o saque brasileiro, ou melhor, cubano entrou. No momento mais difícil do confronto, na metade do terceiro set, Leal marcou três pontos seguidos. E a vitória, a partir daí, foi uma questão de tempo.

– Foi fantástico – resumiu o técnico Marcelo Mendez, hermano com jeitinho mineiro, com sua fala mansa. Aparece pouco, fruto de sua personalidade. Mas merece todos os aplausos pelo trabalho com o Sada/Cruzeiro.

Na comemoração, Wallace desabafou. Havia perdido para a seleção da Rússia na final olímpica em 2012 e a Liga Mundial, este ano. Sobrou para o Lokomotiv, que deve ter aprendido em Betim o que significa “trem bão”.



  • João Paulo

    Realmente a estratégia do William foi perfeita. Estratégia que, provavelmente foi elaborada em função das observações feitas na derrota da primeira fase. Os centrais, sendo acionados com freqência mantiveram os bloqueadores presos à eles dando espaço para quem viesse pelas pontas. E aí o bloqueio russo não funcionou nem no meio, nem nas pontas. Méritos da tática do levantador e, claro, dos companheiros que têm qualidade para lhe permitir fazer o que fez. O reflexo está na distribuição dos pontos por jogador ao fim da partida.

    É realmente um time muito equilibrado, com muita força em todas as posições. Um poderio gigantesco, tanto ofensivo, quanto defensivo.

    E, diga-se: os bloqueadores estão procurando o Douglas até agora.

    É CAMPEÃO!!!!!

    E com méritos. Venceu o campeão europeu de forma irrepreensível e conseguiu um resultado extremamente significativo, uma vez que os melhores resultados em mundiais, até então, eram dois vice campeonatos do Banespa a mais de vinte anos e, um do próprio Cruzeiro no ano passado. Em dois anos o Cruzeiro conseguiu um resultado que time nenhum do Brasil conseguiu desde que o Mundial voltou a ser disputado em 2009, e outro que time nenhum do Brasil conseguiu na HISTÓRIA.

    Quem vai dizer que não foi por merecimento?

  • Mario Monteiro

    O feito do Cruzeiro é inédito se considerarmos apenas as competições organizadas pela FIVB né? O saudoso Pirelli se sagrou bicampeão mundial em seus tempos áureos.

  • Bia Ferraz

    Sei que não é relacionado com o post, mas como é um assunto quem vem sendo muito discutido por aqui vou deixar registrado: nesse fim de semana teve início o campeonato italiano e, não sei se é uma regra que está sendo testada ou é definitiva, mas a solução deles para diminuir o tempo de jogo foi a alterar o tempo técnico obrigatório que agora só ocorre uma vez ao 12º ponto e os sets continuam indo até 25, influenciando bem menos na dinâmica da partida.

    • Afonso RJ

      Essa mudança eu apoiaria. Por set são dois tempos técnicos e cada treinador tem direito a pedir mais dois. São 6 paradas por set. São 29 interrupções num jogo de 5 sets (o tie break só tem uma parada técnica). Sempre achei meio demais. Inclusive porque interrompe a dinâmica do jogo. Por mim uma parada técnica e um tempo para cada treinador estaria de bom tamanho. Ou se mantivesse dois pedidos de tempo por treinador e se eliminasse de vez as paradas técnicas.

  • Juliana

    Foi um jogo fantástico!

    Marcelo Mendez é um técnico a ser respeitado, não gosta de ser estrela, sempre pontual em suas palavras, enfim .. Paraabéns.

    Parabéns ao Cruzeiro, que está em uma ótima fase, fez contratações pontuais para as suas necessidades e manteve a base.

    Agora vamos conquistar essa superliga!!!!!!!!!!!!!!

    Ah, e por favor fale do jogo do campeonato paulista entre o Osasco e o Amil.

  • Bernardo

    Agora está mais do que provado que o Sada Cruzeiro é o melhor time de voleibol do mundo! Já é uma constante ver o time de Minas nas finais em tudo o que disputa. Se continuar jogando nesse nível, dificilmente perderá o título da superliga. O entrosamento entre os jogadores e o admirável profissionalismo da comissão técnica faz do Sada o que é, e isso é voleibol.

    Minas é uma ilha de excelência quando se trata de esportes no Brasil, principalmente em relação à maneira em que vem o esporte, pelo investimento e seriedade. Não só no vôlei, mas, diga-se de passagem, o momento brilhante no futebol com Atlético-MG e o Cruzeiro líder disparado no campeonato brasileiro, sem contar os tenistas mineiros que representam muito bem o tênis brasileiro, e vivem um bom momento no ranking da ATP.

    Parabéns ao Sada Cruzeiro pelo feito inédito e pelo tanto que trabalharam para isso! Não poderia ser outro time a trazer esse título inédito para o nosso país!

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