Todos contra o técnico em Modena. Uma cena rara no vôlei mundial



A televisão italiana proporcionou um fato que eu diria ser inédito no vôlei mundial nesta terça-feira.

Bruninho e Ngapeth, eliminados nas semifinais do Campeonato Italiano com o Modena, foram convidados para participar do programa de entrevistas (Barba e Cabelo), no canal TRC. Mas, além deles, todo o elenco esteve presente espontaneamente no estúdio por um motivo: chancelar as reclamações sobre o técnico búlgaro Radostin Stoychev.

As atitudes do treinador já eram apontadas anteriormente como motivação para um êxodo em massa dos atletas ao fim da temporada. E isso foi confirmado pelos atletas.

– Sem Stoychev eu teria permanecido – disse o francês Ngapeth, que trocará o Modena pelo Zenit Kazan, da Rússia.

Imagens dos jogadores do Modena em programa de TV (Reprodução Volleyball.it)

– Em 13 anos de vôlei, convivi com muitos treinadores, Weber, Bagnoli, Lorenzetti, Bernardo. Você não precisa ser amigo dele, mas precisa ter lealdade e acreditar na pessoa ao seu lado – falou Bruninho, que deverá atuar pelo Civitanova, time que eliminou o Modena nas semifinais.

– Sem Rado, eu fico. Se ele ficar eu tenho de pensar – emendou o central americano Holt.

– Estou aqui porque tenho um contrato de três anos. Espero construir um futuro aqui em Modena. Agora eu vejo isso incerto – completou o italiano Mazzone.

Os jogadores ainda acusaram Stoychev de mentir sobre a condição física deles, apontada como decisiva para a eliminação. Os atletas ainda disseram que o relacionamento ruim com o técnico começou a se deteriorar ainda no fim do ano passado.

– Eu fui mais de uma vez para falar com ele em seu escritório, no final de fevereiro. Já havia rumores de que ele estava procurando por Christenson (levantador americano do Civitanova). Não posso estar junto de uma pessoa que tenha valores muito diferentes dos meus. Fui a Catia (Pedrini, presidente do Modena) e disse a ela que não diria “ou eu ou ele”. Mas vou pegar minhas coisas e ir embora. Eu não posso ficar onde não estou bem. Eu não posso estar com alguém que não tem um relacionamento humano, que não confia. No vestiário tentei manter o grupo unido, para vencer, mesmo com todos esses problemas. Mas não foi fácil, para cada um de nós em muitos momentos estava faltando cabeça. Não queríamos ficar lá fazendo o que amamos – revelou o brasileiro.

O último grande motim contra um treinador que me lembro aconteceu em 2002, quando as principais jogadoras da Seleção Brasileira feminina se negaram a atender uma convocação de Marco Aurélio Motta. A rebelião obrigou-o a levar um time B para o Mundial da Alemanha. Na volta ao país ele foi demitido, José Roberto Guimarães assumiu e as jogadoras voltaram a aceitar convocações. Ainda assim, não houve uma demonstração pública de todo o time contra o treinador, como visto na entrevista dos atletas do Modena.

PS: No meio da tarde aqui no Brasil, o Modena confirmou em uma nota oficial com poucas linhas a demissão de Radostin Stoychev.

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