Tijuana, dia 3: O russo candidato a craque do Mundial



A mãe (Marina Nikulina) foi campeã olímpica de vôlei nos Jogos de Seul-88. A irmã (Ekaterina Kosianenko) é a atual levantadora titular da seleção adulta do país. O pai (Vadim Pankov) é técnico. Com tanto vôlei na árvore genealógica da família russa, Pavel só poderia ser jogador. E, aos 20 anos, já mostra talento de sobra para ser o grande destaque da família Pankov no esporte.

Há duas semanas, o levantador conduziu a Rússia ao título mundial sub-23, nos Emirados Árabes. Agora, ele se destaca ainda mais no Mundial sub-21, no México, onde  busca repetir o feito de dois anos atrás e conquistar o bicampeonato na categoria juvenil.

Pankov lidera Rússia no Mundial sub-21 (Silvio Avila/FIVB Divulgação)

Pankov lidera Rússia no Mundial sub-21 (Silvio Avila/FIVB Divulgação)

Pankov chama a atenção por dominar todos os fundamentos do jogo. Possui a habilidade e o refinamento que a função no levantamento exige. E tem algo que poucos jogadores de sua posição possuem: a estatura de um atacante (1,98m). O tamanho permite que o russo seja também uma arma ofensiva das mais eficientes. Contra a China, na abertura da segunda fase do Mundial, ele marcou 12 pontos (oito no ataque, dois no bloqueio e dois no saque), ficando apenas um ponto atrás do maior anotador da Rússia na partida. E não é uma novidade para ele, já que na decisão do sub-23, contra a Turquia, fez dez pontos, também terminando como segundo maior pontuador.

– Ele é realmente o líder do nosso time. Um jogador com muito futuro pela frente no vôlei – diz Mikhail Nikolaev, técnico russo.

Nas estatísticas do Mundial sub-23, o capitão da Rússia aparece como o melhor sacador, com média de quase um ace por set. Contra a Argentina, na primeira fase, ele marcou oito aces. Um número absurdo, mas que para ele é quase normal.

O levantador de 1,98m vai alto no block (Silvio Avila/FIVB Divulgação)

O levantador de 1,98m vai alto no block (Silvio Avila/FIVB Divulgação)

Pankov, que chegou a defender a equipe de futebol do Spartak na infância, começou a despertar a atenção do mundo do vôlei em 2013. Na conquista do Mundial sub-19 com a Rússia, em Tijuana, mesma sede do atual Mundial sun-21, o levantador foi eleito o melhor jogador da competição. A Rússia foi campeã e ele terminou o torneio com 31 aces, 12 a mais do que o perseguidor mais próximo.

– Pankov saca com uma força tremenda. E ele tem muita habilidade para levantar. É muito difícil para o bloqueio marcá-lo, pois ele esconde bem o movimento e não permite que o deslocamento seja antecipado – comenta o treinador chinês Ju Genyin, um dos que aponta o russo como provável MVP da competição no México.

No site da FIVB encontrei uma declaração de Kosianenko sobre o irmão.

– No começo nós não pensávamos que ele fosse jogar vôlei. Ele era muito pequeno e nosso pai o deixava jogar futebol. Mas rapidamente Pavel começou a crescer. E aí não havia mais dúvida de qual esporte ele deveria seguir.

O currículo de Pankov também inclui os títulos europeu juvenil, em 2014, e da Universíade, neste ano. Jogador do Dínamo de Moscou, ele é reserva der Grankin, que também é o titular da seleção adulta russa. Resta saber até quando…

BATE-BOLA COM PANKOV

Pankov não fala inglês. Mas com a ajuda de um integrante da comissão técnica russa consegui arrancar algumas palavras dele após a vitória dos atuais campeões do mundo sobre o Canadá, por 3 a 1, nesta quarta-feira. O levantador anotou sete pontos, quatro deles no saque.

Já são cinco vitórias e apenas um set perdido. A Rússia, atual campeã, é o time a ser batido aqui?
É um deles. Mas não é apenas a Rússia que pode vencer o campeonato. Temos vários times fortes, como Brasil e Itália, e eles também têm boas chances. Porém sabemos que somos bem fortes.

Como ter pais que foram jogadores ajuda no seu desenvolvimento no vôlei?
Ter uma família do vôlei me ajuda muito. Meus pais foram grandes atletas, minha mãe disputou a Olimpíada. Tudo isso me auxilia no crescimento no esporte.

Costuma falar com que frequência com a irmã sobre vôlei?
Sim, sempre. Nós falamos quase todos os dias sobre esporte.

Vários técnicos aqui no México o colocam como o grande jogador deste Mundial. Concorda com eles?
Talvez sim, talvez não (risos). Respeito a opinião dos técnicos, mas procuro pensar apenas no campeonato que está sendo disputado agora.

Faltam 11 meses para a Rio-2016. Você se vê jogando lá?
Estou pronto. Mas a decisão está na mão da comissão técnica.



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