Tijuana, dia 2: O pequeno gigante Rogerinho



Rogerinho está acostumado a fazer malabarismos em quadra. Com apenas 1,66m, o líbero da Seleção Brasileira no Campeonato Mundial sub-21 é responsável por tentar defender potentes ataques e saques de jogadores com mais de dois metros de altura. E parte da habilidade deste baixinho para ter sucesso entre os gigantes se deve aos anos passados no circo.

O pai de Rogerinho ganhava a vida alegrando adultos e crianças como palhaço. Então, para o menino, viver a infância no picadeiro entre mágicos e malabaristas era parte do cotidiano.

Rogerinho festeja ponto diante da China (FIVB Divulgação)

Rogerinho festeja ponto diante da China (FIVB Divulgação)

– A experiência que tive no circo na infância me ajuda em algumas coisas, acho que poucas até em quadra. Uma delas é fazer umas loucuras durante os jogos, como salvar uma bola do nada, tendo que se arrebentar todo – diz o jogador, que se afastou do mundo circense após o divórcio do pai e da madrasta.

Hoje, aos 20 anos, Rogerinho dá valor ao aprendizado que teve na infância, algo que ele não vê nas crianças atualmente:

– Quando eu era criança ficava o dia na rua, brincava, jogava bola, voltava todo sujo para casa e levava bronca. Não tinha celular, não tinha nada.  Mas agora você não vê mais isso. As crianças passam o dia no computador, não saem de casa. Falta vivenciar coisas diferentes.

Nesta terça-feira, às 18h de Brasília, Rogerinho entra em quadra, em Tijuana, na abertura da segunda fase diante da Argentina. Eslovênia e Turquia serão os outros rivais. Os dois melhores passarão para a semifinal. No Brasil, um hermano estará dividido entre um dos seus comandados no Maringá no duelo contra os compatriotas.

Rogerinho vê como obrigação contagiar time em quadra (FIVB Divulgação)

Rogerinho vê como obrigação contagiar time em quadra (FIVB Divulgação)

– Ele é uma pessoa fantástica e está aprendendo a ser profissional. Rogerinho é um jogador em formação ainda e tem muito para crescer e melhorar. Essa temporada tem a responsabilidade de jogar em Maringá e será uma prova boa pra saber até adonde pode chegar – comenta o argentino Horacio Dileo, treinador do Maringá.

EXPERIÊNCIA

O Mundial do México é o quinto na carreira de Rogerinho. Desde 2011, ele disputou duas vezes a competição sub-19, é a segunda vez que joga o sub-21 e também disputou, semanas atrás, o sub-23 nos Emirados Árabes.

Ele diz guardar boas lembranças de todos:

– No primeiro Mundial, na Argentina, em 2011, me senti como muitos meninos agora estão. Parece que eu queria fazer, queria fazer e tinha dificuldade. Estava ansioso, não tinha paciência para jogar um ponto de cada vez. No juvenil de 2013, ficamos em segundo. No outro infanto, também em 2013, ficamos em quinto, mas fui o melhor líbero. No sub-23, a galera é muito mais experiente, um campeonato muito mais forte. Hoje, com cinco mundiais, tenho bagagem e procura ter mais liderança. Na hora do jogo tento puxar a galera,  vibrar e chamar o jogo. Acho que esse é o meu papel, além de fazer minha parte na defesa e no passe.

UM BATE-BOLA COM ROGERINHO

1) O que esperar do jogo com a Argentina?
Vamos ter que ter muita paciência, pois é um time que defende demais e provoca. Vão vir com tudo. Nunca ganharam da gente e tomara que não seja agora. Se deus quiser vai ser outra porrada, como a que demos neles no último Sul-Americano. Eles vão vir loucos pra cima da gente.

2) Depois do Mundial, você voltará para Maringá e terá a chance de ser titular. Como vê tal situação?
Vai ser uma experiência boa. Na superliga passada eu joguei algumas partidas e foi bem difícil, tenho que admitir. É barra pesada, mas deu pra me virar. Mas estou mais preparado, o Horacio está me apoiando muito nestes três anos. Tenho uma boa expectativa.

3) Quase todo líbero brasileiro tem o Escadinha como inspiração. Acontece o mesmo contigo?
Escadinha é e sempre vai ser minha inspiração. Ele é único, fora do normal e gente boa pra caramba. A liderança dele é muito boa. Consegue chamar o jogo para si dentro de quadra e na hora decisiva, depois do vigésimo ponto, ele defende bola pra caramba.



  • Andy Barros

    Ótima metéria e lindas fotos!

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