Tijuana, dia 2: Argentina joga demais e bate o Brasil



Perder é ruim. Perder para a Argentina é pior ainda.

Adaptei um ditado do filósofo Galvão Bueno para resumir o que vi, nesta terça-feira, em Tijuana, no México. Na abertura da segunda fase do Campeonato Mundial sub-21, os hermanos derrotaram o Brasil por 3 sets a 0, parciais de 29-27, 25-18 e 25-19.

E, sendo justo, os argentinos jogaram demais. A começar por Matias Sanchez, o levantador. Com apenas 1,73m, ele chama a atenção pela baixa estatura. Mas hoje ele compensou com uma distribuição de bola praticamente perfeita. Tanto que o bloqueio do brasileiro passou em branco em dois sets e meio. O primeiro (e único) pontinho saiu com o placar apontando 19 a 14 para a Argentina no terceiro set.  Apenas para comparar, os hermanos anotaram dez no fundamento.

E olha que Sanchez, pela altura, foi caçado nas passagens pela rede. Era sempre em cima dele que o Brasil buscava atacar. Um caminho óbvio pela estatura do levantador, usado por todos os adversários da seleção argentina, mas que não foi suficiente para construir uma vitória hoje.

Sanchez prepara mais uma jogada, observado por Rômulo (Silvio Avila/FIVB Divulgação)

Sanchez prepara mais uma jogada, observado por Rômulo (Silvio Avila/FIVB Divulgação)

O técnico Leonardo Carvalho tentou de tudo. Trocou o oposto antes do primeiro tempo técnico do set inicial, quando Caio, tendo o pequeno Sanchez para atacar na paralela, buscou uma diagonal e errou. Ainda no primeiro set ele colocou o central Johan, que ainda não havia entrado no campeonato, para tentar acertar o meio de rede. Mas a Argentina, que nunca havia vencido esta geração brasileira, jogava por música. E não perdia a chance de provocar. Os reservas passaram toda a partida cantando e entoando gritos de guerra. Até Ilariê, clássico da Xuxa, eles chegaram a cantar após um ponto marcado.

A derrota na parcial inicial custou caro para o Brasil. Errando demais, o time logo viu a diferença crescer antes da primeira parada técnica. A esta altura, Léo Carvalho usava todo o banco. Mas nada surtia efeito. Enquanto isso Sanchez, aquele baixinho citado acima, até defesa com o pé fez. E ouvi gente atrás de mim falando em Messi e Maradona. Um exagero, é claro, mas pertinente para aquele momento.

No terceiro set, até colocar o ponta Leozinho como oposto o técnico brasileiro tentou. Mas a Argentina seguiu dominante, com um passe consistente, que sustentou a distribuição de Sanchez e garantiu a virada de bola durante todo o jogo. E foi uma questão de tempo para os hermanos fecharem em 3 a 0.

– O nosso time não veio para o jogo. Talvez tenha achado que era apenas mais uma partida, que o histórico de não perder para eles fosse suficiente. E do outro lado a Argentina veio para jogar uma final. Para mim este Brasil x Argentina já é inesquecível – analisou o técnico brasileiro, nitidamente chateado com a atuação do time e apontando a constância do passe rival como um dos pontos-chave do confronto.

– Para jogar com eles temos de quebrar o passe. Mas eles controlaram muito bem o nosso saque, algo que facilitou muito para a fantástica distribuição que o Sanchez teve no jogo.

Cachopa, o levantador brasileiro, também elogiou Sanchez e vê como obrigatória uma mudança no espírito do time para o jogo de vida ou morte contra a Eslovênia, nesta quarta-feira.

– Ele é um dos melhores do campeonato, sem dúvida. Para amanhã, temos de entrar em quadra com outro espírito. Acredito que se aprenda mais na derrota do que na vitória, que muitas vezes mascara os erros. E é o que temos de fazer.

 



  • Eduardo Santos Jr

    Impressionante como as seleções masculinas de base amarelam contra a Argentina. Nesse ano perdemos pra eles nos Mundiais de TODAS as categorias! Espero q isso não indique um futuro domínio portenho no Volei Sul-americano adulto.

  • Andy Barros

    Adoro ver baixinhos se destacando!!! Hahahah

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