Tecnologia no vôlei requer aprimoramento



Pedi ajuda a Josebel Palmeirim, um especialista em arbitragem, para voltar ao assunto tecnologia no vôlei.

Ele, assim como eu, defende a adoção de medidas que possam auxiliar a arbitragem na definição de lances polêmicos, que se avolumam jogo a jogo graças principalmente à velocidade que o vôlei ganhou. Apesar do avanço da implantação de um sistema de “visão extra” dos árbitros, a tecnologia ainda deixa dúvidas, principalmente ao mostrar o replay de bolas duvidosas de saque ou ataque nas linhas ou toques no bloqueio. Fiquei incomodado, durante as finais da Liga Mundial, com os rumos/resultados do sistema eletrônico usado pela FIVB. Vocês devem se lembrar de que algumas marcações foram contestadas durante a transmissão dos jogos. Se a dúvida ainda persiste para o espectador, o sistema é falho. Concordam?

Um exemplo de lance que o ângulo da câmera para o replay pode mudar a interpretação

Um exemplo de lance que o ângulo da câmera para o replay pode mudar a interpretação

No jogo entre Brasil x Irã, uma bola tocou fora próxima à linha de fundo da quadra do Irã. O Brasil solicitou o desafio, mas a marcação foi mantida. A imagem mostrada pela TV, no replay, porém, mostra uma bola distorcida, achatada, que dá a impressão de bola dentro. E isso induz narrador, comentaristas e espectadores a um entendimento de erro da arbitragem, mesmo vendo o replay. Mas daí a explicação de Josebel para o lance ser importante, pois se baseia na experiência e nas diretrizes da arbitragem internacional:

– Parecia que a bola havia sido dentro, porém, detalhe importante: a parte da bola toca o solo visivelmente fora, mantendo sim uma parte da bola projetada sobre a linha, o que não considera-se como bola dentro. Esta bola foi sim de acordo com as regras oficiais “fora”.

Por isso, a importância de um aprimoramento da tecnologia. Josebel, abaixo, cita as possibilidade de copiar os sistema do tênis ou do futebol. E elas fazem total sentido.

Além disso, ele toca em outro ponto que me chama a atenção e também me incomoda: times estarem usando a regra apenas para esfriar o jogo em alguns momentos. Isso, além de ir contra o fair play, faz com que o tempo de jogo só aumente, um ponto que a própria FIVB tem atacado, como vimos na última Superliga com os sets de 21 pontos. Por fim, vale lembrar que na Liga Mundial, a FIVB usou três modelos diferentes, cada um sendo desenvolvido por um país (Rússia, Polônia e Itália). Para unificar, é preciso escolher um.

Abaixo, a opinião de Josebel sobre o uso atual da tecnologia:

PRÓS

1 – Validade do emprego de tecnologia para dissipar as dúvidas geradas por erros da arbitragem

2 – As imagens geradas no replay das linhas central e de ataque, além de toque na faixa superior da rede ou nos 80cm superiores da antena

Observação: A visualização das faltas ocorridas nestas linhas e nos toques dos jogadores no bordo superior da rede é perfeitamente visível no replay

CONTRAS

1 – Usaram três sistemas diferentes na fase classificatória da Liga Mundial

2 – Péssima qualidade da imagem do replay em bolas que tocam o solo, dentro ou fora ou bolas que tocam o bloqueio

3 – A possibilidade de se parar o jogo sem motivo de dúvidas

4 – A demora em se decidir a jogada em questão

SUGESTÕES

– Que o desafio do voleibol seja semelhante ao do tênis (ATP) e ao do futebol (Fifa), transformando a imagem do vídeo em foto (Fifa) ou em desenho com sombra (ATP).

– Que se tenham punições rigorosas quando uma solicitação do desafio for julgada improcedente. Uma possibilidade é que os times tenham dois desafios por set apenas, acertando ou errando. Evitaria que o desafio fosse usado apenas para dar uma brecada no jogo.

CONCLUSÃO

– Que façam testes (em competições nacionais de juvenis) dos diversos tipos e formas de desafios e se eleja um para aplicação definitiva nas grandes competições



  • Lilika

    Se houvesse o desafio já em Londres-2012 acho que a seleção feminina teria vencido as russas com mais tranquilidade no quinto set – não dá pra esquecer aquela bola da Garay digamos 1,5m dentro da quadra ser julgada pelo juiz de linha e o principal como fora, ou seja ponto positivo para a tecnologia que vem para auxiliar a decisão do ponto; porém num lance que jamais seria notado se não fosse o desafio, é que agora até o cabelo do Murilo (um alerta já para as meninas com cabelos grandes cuidado kkkk) pode ser visto tocando a rede, no jogo contra o Irã, ou seja ninguém deve ter visto os fios de cabelo tocando a rede, mas para esfriar o jogo e julgar o toque na rede do bloqueio, pedem o desafio, do tipo “se colar colou” rs, ou seja, parcialmente ponto negativo, não pela tecnologia mas como as pessoas estão utilizando-a…então acho que a conclusão descrita no seu texto, Daniel, seja a chave do caso: testar, testar, testar…até ver qual é a melhor e empregar um unico nas competições oficiais, impondo regras para a utilização, pois do jeito que vai, está virando bagunça rs.

  • Paulo

    Ótima reportagem para os leigos compreenderem os prós e contras, e o mais importante, a sugestão de testes em competições nacionais de juvenil, chega de fazer a Superliga de laboratório de testes.

  • perikito

    A minha sugestão é que ao se errar um desafio, se perca a possibilidade de pedir uma nova chance. Caso isso se dê na segunda chance, esse desconto seja cumulativo e ocorra no set seguinte. Só não tenho ideia do que fazer se isso ocorrer no tie-breack.

    Foi muito feio ver os técnicos desafiando a toa, só pra esfriar a partida. Alguma coisa precisa ser feita contra isso.

  • Carlos

    A solução definitiva é o Olho de Falcão(hawk-eye) empregada no tenis. Lá a gente pode ver até a deformação da bola, muito importante na hora do toque da bola na linha.

    Não se preocupem, só vai haver teste na superliga se for do interesse da Globo. A tal rede não está preocupada com o esporte e sim com os benefícios em sua grade de programação.

  • reginaldo

    muchoo loko

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