Seleção feminina sofre uma das mais duras quedas



A eliminação da Seleção Brasileira na segunda fase do Campeonato Mundial feminino, nesta quinta-feira, doeu. E vai continuar doendo por muito tempo.

Foi dolorida pois aconteceu diante do Japão, um adversário ganhável em qualquer cenário, mesmo em casa, com apoio da torcida e também fazendo jogo de vida ou morte na competição.

Foi ainda mais dolorida por ter acontecido em uma virada pouco provável. Com a necessidade de ganhar por 3 a 0 para seguir no Mundial, o Brasil começou bem o primeiro set. Manteve-se no comando do placar desde o início. Abriu 22 a 17 com consistência no passe e na virada de bola com o trio Garay/Gabi/Tandara. Mas parou.

Uma opção errada de Roberta no levantamento, um ace no fundo, outro com a bola tocando na fita, uma invasão de Tandara ao atacar pelo fundo, mais um com um desafio de bola fora/bola dentro. E o emocional ficou comprometido. É algo a ser revisto, analisado e atacado. O Brasil não pode oscilar tanto em um aspecto crucial do esporte de alto rendimento. O Japão virou para 25 a 23, em um ponto de bloqueio. Fim da linha. E esqueça o restante do duelo.

Tandara em ação na eliminação brasileira no Japão (FIVB Divulgação)

A dor maior, porém, vem da campanha irregular em todo o torneio. O Brasil, em poucos momentos, teve o brilho intenso que habituou torcida e crítica. A eliminação passa pela derrota de virada para a Alemanha, para o set perdido para o México, para a atuação abaixo da crítica contra a Sérvia. Ainda assim, era possível avançar para as finais. Holanda e Japão conseguiram e estavam do lado verde-amarelo no chaveamento, bem mais fácil do que o enfrentado por Itália, China, Rússia, Estados Unidos, Turquia…

Dói pois na sequência, com tudo zerado no Mundial, as chances de todos passam a ser semelhantes. E o Brasil já demonstrou, em outras ocasiões, crescer em momentos de decisão.

O pior, porém, é não saber quando a dor vai passar. O ciclo olímpico até Tóquio-2020 vem sendo espinhoso. Muitos problemas de contusão, uma difícil reposição de jogadoras-chave nos ciclos anteriores, o crescimento de vários adversários, novas safras sem tanto brilho despontando na base… A reconstrução após a derrota para a China, nas quartas de final da Rio-2016, ainda está em processo e longe de atingir as metas traçadas.

Em 2018 a Seleção ficou fora do pódio na Liga das Nações, na Copa Pan-Americana, no Torneio de Montreux e agora no Mundial

Fica claro que trabalho não faltará para José Roberto Guimarães. Talvez o maior desafio desde que assumiu assumiu a Seleção após o Mundial de 2002, o último, antes do atual, que não havia visto o Brasil na briga por medalhas.

REPERCUSSÃO



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