Seleção feminina: a briga por um lugar em Tóquio



O Sul-Americano não vale nada. A Copa do Mundo também não. Se você já leu ou ouviu isso, não leve ao pé da letra. Para a Seleção Brasileira feminina, as duas competições se transformaram em verdadeiros vestibulares olímpicos.

Com a vaga garantida em Tóquio-2020 após uma sofrida campanha em Uberlândia, o Brasil viu a concorrência por espaço no elenco aumentar consideravelmente. E por motivos diferentes.

O primeiro foi por méritos de atletas utilizadas na Liga das Nações. Tiveram uma chance única pela ausência de titulares e agarraram. Um exemplo claro é o de Lorenne. A oposto, após uma temporada pouco expressiva pelo Osasco/Audax, começou a competição como reserva de Paula Borgo e sem nenhum holofote. Mas Lorenne teve boa participação nas finais da VNL, mostrou personalidade no Pré-Olímpico e ganhou espaço. Entrou de vez no radar para Tóquio-2020.

O outro motivo foi o retorno de campeãs olímpicas ao grupo. Na saída de rede, Tandara ficou sete meses sem jogar após uma lesão, enquanto Sheilla interrompeu a carreira por três anos para ser mãe. Hoje, a posição vê uma disputa bem interessante, a ponto de Zé Roberto já ter utilizado Tandara e Lorenne nas pontas. Uma busca por versatilidade já que terá apenas 12 vagas olímpicas para preencher.

Situação parecida é vista na posição de líbero. Léia, titular na Rio-2016, havia pedido dispensa seguidas vezes neste ciclo. Camila Brait, preterida às vésperas da última Olimpíada, também estava fora e reforçava o discurso de pensar apenas no clube. As duas voltaram e estão à frente de Suelen, dona da posição nos últimos dois anos. Está aberta um disputa parelha e das mais interessantes por um lugar em Tóquio.

O treinador também trabalhou nos bastidores nos últimos meses para convencer a central Fabiana a voltar. No primeiro jogo, a bicampeã olímpica já foi capitã, prova de que tem moral de sobra e o espírito de liderança desejado por Zé. Na posição, Bia e Mara se firmaram como titulares. Já Carol perdeu um pouco de espaço, enquanto Mayany parece ser uma aposta para o ciclo olímpico de 2024.

Seleção

Fabiana em ação contra a Turquia no antigo Grand Prix (FIVB Divulgação)

No levantamento, Macris teve a primeira temporada como titular com méritos. Jogou demais pelo Itambé/Minas e tem um estilo mais veloz, algo necessário para uma Seleção nem tão alta e forte como as principais rivais. Precisa ganhar mais entrosamento com peças-chave para fazer a diferença que já provou ser capaz no clube. Com o pedido de dispensa de Dani Lins neste ano, a posição parece definida com Roberta na outra vaga.

Na ponta, o cenário é bem mais acirrado. Quase sempre saudável e à disposição, Gabi é nome certo. Ganhou mais protagonismo nesta temporada e dificilmente não será titular. Natália é outra com vaga quase certa. Mas os problemas físicos a tornam uma incógnita, o que é uma pena. Drussyla voltou nos últimos amistosos com a Argentina e é uma opção das mais interessantes, com peso no ataque e bom fundo de quadra. As jovens Tainara e Júlia Bergmann são apostas para os próximos ciclos, enquanto Amanda é uma daquelas curingas sempre à disposição. A dúvida é sobre a utilização ou não de Fernanda Garay, outra que se aposentou, voltou no Mundial de 2018 após conversas com Zé e agora se recupera de uma lesão no tornozelo. No meu time, ela teria lugar se estivesse disposta.

Como são apenas 12 vagas olímpicas, o quebra-cabeça para fechar o elenco é de difícil resolução para Zé e a comissão técnicas. Na verdade, é um boa dor de cabeça. Duas levantadoras e uma líbero são obrigatórias. E depois? Uma oposto, uma ponta/oposto, quatro pontas e três centrais? Ou três centrais, quatro pontas e duas opostos? Ou ainda quatro centrais, três pontas, uma oposto e uma ponta/oposto? Os próximos campeonatos, aqueles que dizem não valer nada, ajudarão a esclarecer tantas dúvidas.



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