Coluna: O polêmico teste na regra do vôlei



Os olhos do mundo do vôlei estão voltados para o Egito. O país africano recebe o Campeonato Mundial masculino sub-23, escolhido pela Federação Internacional (FIVB) para um polêmico teste para mudança de regra. As partidas estão sendo disputadas em melhor de sete sets, com cada um deles terminando em 15 pontos. Atualmente – caso alguém tenha chegado hoje de Marte – as partidas acontecem em melhor de cinco, com 25 pontos em cada parcial. A única parcial disputada até o 15º ponto é o tie-break.

A tentativa da entidade é reduzir o tempo de duração das partidas. Como pano de fundo o desejo de dar para as televisões, que desembolsam valores consideráveis anualmente, um produto mais fácil de se incluir nas apertadas grades de programação. A entidade também usa como argumentos o aumento na emoção do sets, possibilidade de mais zebras e consequente popularização do vôlei.

A repercussão inicial da mudança entre atletas, torcedores e jornalistas foi negativa. Eu me incluo neste grupo. Vejo uma descaracterização grande no formato do jogo, com desvalorização da parcial decisiva, já que agora ela seria exatamente igual aos demais sets.

O campeão olímpico Douglas Souza disputa Mundial sub-23 (FIVB Divulgação)

O campeão olímpico Douglas Souza disputa Mundial sub-23 no Egito (FIVB Divulgação)

Outras mudanças pontuais em curso no Egito: fim da parada técnica, ou tempo da TV, entre o 8º e 16º pontos (aprovo!), diminuição do intervalo entre os sets de três para dois minutos (aprovo!) e fim da mudança obrigatória do lado de quadra ao fim do primeiro e do terceiro sets (acho confuso!).

O set mais longo disputado até o fechamento desta coluna foi 22 a 20 (duas vezes) no triunfo brasileiro sobre os poloneses. Em outras cinco ocasiões a parcial avançou o limite de 15: 19-17 (2 vezes), 16-14 (2 vezes), 18-16 (1 vez).

Sobre a duração dos jogos, a diferença entre uma partida em 4 a 0 e outra em 4 a 3 seguirá grande, algo que já acontece hoje com um 3 a 0 e um 3 a 2 (muitas vezes superior a uma hora entre os mais curtos e os mais longos) Neste aspecto, as TV´s seguirão com dificuldades para o planejamento das grades. Como registro, dos dez primeiros jogos do Mundial sub-23, seis terminaram em 4 a 0 (incluindo as vitórias do Brasil sobre México e Polônia), um acabou em 4 a 1, outro em 4 a 2 e dois foram ao limite: 4 a 3. E vejam a diferença entre um duelo rápido e um arrastado: a Rússia fez 4 a 0 Argélia em 49 minutos, enquanto o triunfo da China sobre a Turquia por 4 a 3 durou 1h42.



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