Valeu por tudo, Bebeto de Freitas!



– Talvez você não saiba o quanto foi importante para o vôlei brasileiro.

Ouvi essa frase de um fã enquanto esperava para fazer uma entrevista com Bebeto de Freitas, muitos anos atrás, em São Paulo.

Bebeto, ao melhor estilo Bebeto, agradeceu. Com um gesto de cabeça, com um obrigado sincero, um sorriso no canto do rosto e um autógrafo em uma folhinha de papel. E logo depois começamos a conversar sobre a política esportiva brasileira, um tema que o tirava da sério.

O crítico Bebeto nunca gostou de deitar nos louros do passado. E ele tinha motivos para tanto, se quisesse. Foi o treinador da primeira geração do vôlei brasileiro a flertar com um grande resultado, rotulada de “geração de prata”. Início dos anos 80. Para você que acompanha a modalidade com Bernardinho e José Roberto Guimarães, com títulos atrás de títulos no comando das Seleções Brasileiras, muito se deve ao trabalho e à mentalidade de Bebeto de Freitas.

Ser prata naquela época, com as superpotências Estados Unidos e União Soviética dando as cartas, era um feito e tanto em um Campeonato Mundial e numa Olimpíada. Feito de quem ajudou na difícil transição de um vôlei amador, com os primeiros passos para a profissionalização.

Bebeto não era apenas um treinador, o responsável pelos lados tático e técnico. Era um visionário, um crítico do modelo de governança do esporte, alguém que não aceitava um tapinha nas costas para fazer média após um título qualquer. E por isso, talvez, não soubesse realmente a importância dele para o vôlei brasileiro, como aquele fã lá atrás disse pessoalmente.

O lado contestador, enfrentador, sem papas na língua fez de Bebeto persona non grata em muitos eventos do vôlei brasileiro. Algo que ele carregou, com certa frustração, ainda durante a carreira de treinador. Mas vá até a Itália e pergunte para um fã do vôlei sobre o brasileiro. Os italianos têm profunda admiração e respeito pelo trabalho de Bebeto no país.

Bebeto de Freitas

Bebeto em uma homenagem no lançamento da Superliga anos atrás (Divulgação)

– Vocês têm o Bebeto. E somos nós que aproveitamos todo o seu conhecimento. Não entendo. Mas obrigado, amigo!

Ouvi de um jornalista italiano especializado em vôlei a frase acima, em 2010, durante o Campeonato Mundial masculino, em Roma. Existe uma verdadeira devoção por Bebeto, principalmente após o título mundial conquistado pela Azzurra em 1998, com o brasileiro no comando. Lá, infelizmente mais do que aqui, o tratamento de ídolo foi dado a ele.

Vá com Deus, Bebeto! E obrigado por tudo! Mesmo que nem sempre tenhamos deixado isso claro para você.

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