Um papo com Liza Tishchenko, a “sacadora no inesquecível 24 a 19”



Abertura da Casa do Vôlei, no início da tarde desta sexta-feira, em Copacabana. Depois dos discursos de Giba e Kerry Walsh, ídolos mundiais, é a vez da “russa que foi para o saque no 24 a 20 para a Seleção Brasileira, na semifinal da Olimpíada de Atenas”. É assim que Elizaveta Tishchenko foi apresentada por Ary Graça, presidente da Federação Internacional. É normalmente com esse cartão de visitas que a ex-jogadora será sempre lembrada, principalmente no Brasil.

Tishchenko foi protagonista na maior virada já vista no vôlei mundial em um jogo decisivo. A então meio de rede, que vestia a camisa 9, foi sacar após a Rússia salvar o primeiro set point naquele fatídico quarto set, que chegou a apontar 24 a 19. O Brasil já vencia o jogo por 2 a 1 e tinha, com ela sacando, mais quatro match points, valendo vaga na até então inédita final olímpica. Até ela admite que não acreditava mais. Mas fez sua parte, sem errar nenhum dos serviços. E viu, após dois erros de ataque das brasileiras e mais dois pontos de bloqueio, a Rússia empatar parcial. Depois, do banco de reservas, assistiu à virada, que forçou o tie-break, que também seria vencido pelas russas. A maior decepção da história do vôlei brasileiro. A maior vitória da carreira de Tishchenko.

Hoje, aos 41 anos, ela é chamada apenas por Liza e trabalha na área de marketing da FIVB, depois de ter passado pela Uefa. Estar no Brasil, “casa do 24 a 19”, certamente traz lembranças para a russa. E ela, após 12 anos daquele inesquecível dia, tirou uma lição não apenas pelo aspecto esportivo.

– Honestamente, todo mundo me pergunta sobre isso. Para mim foi uma lição aprendida, que posso usar no restante da minha vida. Você não pode acreditar que algo seja impossível de ser feito. Não adianta ficar desesperado. Tem que acreditar que é possível conseguir aquilo que está buscando. É o que eu carrego até hoje e sinto atualmente. Em uma situação de dificuldade, você precisa tentar, realmente insistir, para conseguir atingir o seu objetivo específico – disse ao LANCE!.

O “mantra” acima tem muito a ver com o esforço feito por Liza para estar em quadra nos Jogos de Atenas, em 2004. Três meses antes da competição ela passou por cirurgia nos dois joelhos. A participação olímpica foi colocada em xeque. Mas ela se recuperou em tempo e ainda atuou como titular naquela campanha, que terminou com a medalha de prata, após derrota de virada para a China na decisão.

Tishchenko no lançamento da Casa do Vôlei (Daniel Bortoletto)

Tishchenko no lançamento da Casa do Vôlei (Daniel Bortoletto)

A Rio-2016 é tratada por ela como a quarta Olimpíada da carreira, já que disputou três como jogadora: Atlanta-96, Sydney-2000 e Atenas-2004. Liza fez parte do projeto da Casa do Vôlei, em Copacabana, e esteve à frente também da criação da Comissão de Atletas, que será oficializada durante os Jogos, e terão o brasileiro Giba como primeiro presidente.

– Toda a vez que você vem para uma Olimpíada é uma emoção. É um evento especial e você pode não pode comparar com qualquer outra coisa. Toda Olimpíada tem suas diferenças, suas peculiaridades, e deixam lembranças especiais. E acho que esta será uma das mais especiais, já que o Brasil é a casa do vôlei mundial.

É impossível evitar o assunto doping ao falar de Rússia na Rio-2016. O atletismo do país foi banido, atletas de várias modalidades não tiveram a inscrição aceita e todo o esporte do país foi colocado em xeque. Para Liza Tishchenko, o vôlei sofrerá menos, já que não tem um histórico de casos positivos.

– Obviamente a questão do doping atrapalha, mas no vôlei não dá para tratar como um problema. Tivemos agora um caso recente no vôlei de praia com a Itália (Orsi Toth), mas é uma exceção no nosso esporte, não uma regra. Eu estava conversando com uma pessoal da delegação russa e ela me disse que eles estão tentando não pensar a respeito, se preparando sem tocar no assunto com as jogadoras, sem transformar o tema em foco central. Até porque já está claro que o time de vôlei está limpo, estão confiantes de que nada irá atrapalhar a performance aqui nos Jogos – diz a ex-jogadora.

Sobre o desempenho do vôlei nos torneios feminino e masculino, ela aposta em disputa por lugar no pódio, apesar dos resultados mais recentes de ambos os times não ser dos mais animadores.

– Rússia tem bons times tanto no masculino quanto no feminino. Definitivamente vai brigar pelas medalhas em ambos. Se você olhar apenas os últimos resultados, em competições recentes, vai ver que não fomos tão bem. Mas na Olimpíada todos os participantes são muito iguais, equilibrados, e você não pude subestimar nenhum adversário. Eu acredito que as seleções russas possam apresentar um desempenho especial aqui no Rio.

Quem é ela

Nome: Elizaveta Tishchenko
Data e local de nascimento: 7/2/1975, em Kiev (Ucrânia)
Altura: 1,90m
Posição: Meio de rede
Carreira: Estreou na seleção da União Soviética em 1991. Até 2004, realizou 470 jogos, com duas pratas olímpicas (2000 e 2004), quatro títulos europeus e três edições do Grand Prix. Por clubes, marcou época no Uralochka, comandado por Nikolai Karpol



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