Papo com Natália Málaga



Por Murilo Matias (murilo_matias@yahoo.com.br)

Estrela da mais forte geração peruana do vôlei feminino, a atacante Natália Málaga continua lutando intensamente pelo esporte em seu país. Respaldada por uma medalha de prata olímpica e uma carreira de coragem e enfrentamento, a atleta transformou-se em treinadora dentro de um ambiente dominado por homens. Com trabalhos na seleção principal e nas categorias de base, além de comandar a equipe do Universidad Cesar Vallejo, a desportista analisa o momento do vôlei no Peru, ausente dos Jogos Olímpicos desde 2000, e as dificuldades para voltar aos bons tempos.

A entrevista foi concedida um dia antes de Natália completar 52 anos, em 25 de janeiro, na sede da Federação Peruana de Voleibol, na cidade de Lima.

Peruana marcou época no vôlei (Murilo Matias)

Peruana marcou época no vôlei (Murilo Matias)

Como avalia o segundo lugar conquistado no Pré-Olímpico da América do Sul?

O que se busca entre as equipes sem tanta projeção é a classificação. Para isso, a seleção deveria ter conquistado o primeiro lugar ou ter ficado em terceiro. Com a segunda colocação caímos numa repescagem muito difícil, contra equipes da Europa, contra as dominicanas. Se tivéssemos pensado a competição de uma maneira diferente, poderíamos ter agora um caminho mais fácil para tentar a vaga.

Considera que a seleção ainda tem chances de conseguir uma vaga nas Olimpíadas?

Há que representar, mas primeiro é preciso pensar em ir à Ásia. A equipe regressou e agora está parada, não sei qual é o planejamento da comissão técnica. As jogadoras estão atuando pelo seus clubes, disputando o campeonato local.

Quais times aponta como favoritos para o Rio?

Creio que o Brasil vai estar entre os primeiros e tem todas as condições de ganhar mais um ouro. Os Estados Unidos também apresentam uma equipe fortíssima e com chances. Da Europa, destaco a Sérvia, Rússia e Itália e, na Ásia, sempre tem a China.

Considera que os técnicos brasileiros que passaram nos últimos anos pelo comando da seleção (Ênio Figueiredo, Chico do Santos e, atualmente, Mauro Marasciulo) deixaram um bom trabalho?

Eu joguei muitos anos no Brasil. O conhecimento técnico dos brasileiros é ótimo, mas há treinadores peruanos capacitados e com conhecimento. O profissionalismo, a qualidade e a responsabilidade das jogadoras é que é deficiente. Das 12 atletas da seleção, três ou quatro apresentam maior comprometimento, o problema está no coletivo. O peruano é difícil de lidar e, em três anos, por exemplo, não se conhece os costumes daqui. Há pouca ambição, se vive das conquistas dos anos 80 e 90.

Peruana disputou três Olimpíadas (Divulgação)

Peruana disputou três Olimpíadas (Divulgação)

Quais jogadoras destaca nessa fase do vôlei peruano?

Angela Leyva e Maguilaura Frias são talentos de nosso time. Individualmente elas podem obter ótimo desempenho, mas o coletivo não está no mesmo nível. Eu acredito nelas, mas são muito jovens e isso afeta em confrontos contra seleções mais fortes e atletas mais experientes. A possibilidade dos primeiros lugares nas competições é complicada. Há carências em geral, a começar pela ambição de cada jogadora.

Como posiciona a liga peruana em termos de qualidade e competitividade?

A liga melhorou muito com a entrada das estrangeiras. As equipes médias têm crescido e proporcionam enfrentamentos mais fortes com os principais times. O problema é que as jogadoras da seleção são sempre as mesmas, não há novos valores.

Considera voltar ao comando da seleção principal algum dia?

Não sei. Tenho na minha cabeça que posso, mas para conquistar os primeiros lugares é muito difícil. Prefiro preparar as atletas para a equipe principal, para o bem dessas jogadoras. Por isso, busco melhores resultados com as divisões menores e trabalho para o futuro. Depois disso, depende de muita coisa, da parte individual das jogadoras à capacidade dos técnicos que irão treiná-las.

Há muitas ex-jogadoras que entraram na vida política e tornaram-se congressistas. É o caso de Gabriela Perez del Solar, Cenaida Uribe, Cecília Tait, Leyla Chihuán. Já pensou em seguir esse caminho?

Na política se paga bons salários. O povo as escolhe pelo passado de desportiva que elas têm. As pessoas acreditam que elas vão controlar o governo e isso não é possível. Pode-se fazer algo, claro, e elas fazem, mas há muita máfia, corrupção. Eu já fui convidada inúmeras vezes e não aceitei. Tenho uma imagem respeitada e não quero me misturar a esse ambiente.

Quem é ela

Nome: Natália María Málaga Dibós

Nascimento: 26 de janeiro de 1964

Clubes no Brasil como atleta: Colgate/São Caetano, Força Olímpica, Recra/Ribeirão e Campos

Pela seleção: disputou os Jogos Olímpicos de Moscou-80, Los Angeles-84 e Sydney-2000



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