Os prós e os contras da opção por Renan



Na quarta-feira de manhã, quando saí de casa para correr no Aterro do Flamengo, resolvi levar o celular apenas para ouvir minha playlist no Spotify. Nada como começar as férias deixando as obrigações profissionais do dia a dia de lado por um instante, pensei. Mas, ao checar o horário já no fim da atividade, estranhei a quantidade de conversas piscando no Whatsapp. E curiosidade de jornalista é difícil de impedir, mesmo em férias.

O tema era a marcação da entrevista coletiva da CBV, no meio da tarde, sobre a Seleção masculina. Amigos perguntando meu palpite. A assessoria da entidade querendo saber se o LANCE! mandaria alguém para o evento. Fontes com as mais diversas teorias sobre o que seria dito mais tarde.

Minha corrida já havia virado caminhada, enquanto tentava responder algumas das mensagens e buscava mais informações sobre o que estava por acontecer. Percebi que as férias sofriam uma interrupção forçada.

No caminho de volta para casa ouvi alguns áudios antigos gravados no celular. Um deles era a entrevista concedida por Bernardinho no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, após o segundo jogo comemorativo do ouro olímpico. O técnico falava em sair numa resposta. Na resposta seguinte dava detalhes do planejamento para 2017. Era difícil decifrar ali o desejo dele. Parecia querer sair. Mas também parecia ter certeza de que iria ficar.

A dúvida era clara na cabeça dele, tanto que a resposta esperada pela CBV demorou cinco meses para ser dada pelo técnico. A posição da entidade era não pensar e muito menos atuar por um plano B, para deixar bem claro para Bernardinho que a prioridade era e sempre seria ele.  Como ele optou por sair, a CBV escolheu não desmontar por completo o projeto iniciado na Seleção masculina 16 anos atrás. Por isso a escolha por Renan Dal Zotto.

Bernardinho e Renan são compadres. Amigos muito próximos. Alinhados em muitas ideias. Já trabalharam juntos algumas vezes. A relação de total proximidade fez com que os quase 10 anos de Renan sem treinar uma equipe fossem relevados pela CBV. Em nome da continuidade.

Renan, o novo técnico da Seleção (Divulgação CBV)

Renan, o novo técnico da Seleção (Divulgação CBV)

É uma linha de pensamento. Mas não dá para dizer hoje se certa ou errada.

E não entendam isso como uma crítica ao novo treinador da Seleção. Renan já treinou a Cimed, então melhor time do Brasil. Já comandou o Treviso, um dos mais tradicionais clubes italianos. Já ganhou títulos. Estudou, fez cursos no exterior e nem preciso dizer que foi um dos maiores craques, como jogador, de toda uma geração. Além disso era diretor da CBV até o fim do ano passado. Ou seja: também está alinhado com a forma de trabalhar da entidade.

Tudo isso ajuda a entender a escolha. Mas minha linha de pensamento  é outra. Antes de qualquer crítica reparem que não estou dizendo que é a certa. Vejo treinadores, na atualidade, com trabalhos recentes acima da média. E, assim, capacitados para o cargo pelo momento. O principal deles é Marcelo Mendez, do Sada/Cruzeiro.  Um argentino na Seleção Brasileira? Já ouvi essa pergunta algumas vezes. Mas na minha cabeça a nacionalidade de alguém nunca vai sobrepor a competência. Meritocracia.

Renan vai dar certo? Essa foi outra pergunta que ouvi bastante desde ontem. Torço para que dê. Gostei da sinceridade de Renan ao dizer, na coletiva, que precisa de tempo para se readaptar ao cargo que acaba de assumir. Mostra um pouco da personalidade dele. Mas as comparações com o amigo – e agora consultor/conselheiro – Bernardinho certamente irão acontecer. E qualquer um que assumisse o comando da Seleção depois de alguém tão vitorioso iria sofrer com elas.

 



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