O surprendente corte de Fabíola



Estava no táxi, indo para um evento profissional, quando resolvi olhar o Twitter no celular. E admito ter ficado muito surpreso, como a maioria de vocês, ao ler a notícia do corte de Fabíola da Olimpíada de Londres.

Apesar de não ter feito um bom Grand Prix (como grande parte do time brasileiro), a levantadora me parecia estar em situação confortável no grupo. Para mim e para dez entre dez de vocês, a briga na posição era entre Dani Lins e Fernandinha. E para ser a reserva da posição.

Fabíola sempre foi uma atleta esforçada. Assim compensava parte de suas limitações técnicas. Nunca se achou a nova Fernanda ou a nova Fofão. Tanto que não era a primeira opção no início deste ciclo olímpico. Ana Tiemi não vingou e ficou pelo caminho, Dani Lins não teve regularidade para manter-se na posição e aí sim pintou Fabíola. Fez até bons campeonatos, ganhou confiança e virou titular. Na última temporada, teve destaque no título do Sollys/Nestlé na Superliga. Tudo parecia caminhar para que ela disputasse sua primeira Olimpíada…

Agora, como interpretar o corte? Eu vejo da seguinte forma. Zé Roberto não está satisfeito com a instabilidade do time. Ele vai correr o risco de apostar em Fernandinha, a levantadora que menos jogou neste ciclo olímpico, em busca de um fator surpresa. Mais velocidade, mais ousadia… e talvez bem mais risco. Se der errado, o mundo cairá sobre sua cabeça. Precisava optar e foi corajoso para tomar tal decisão.

O corte serve também como recado para outras jogadoras do elenco, que também estão atuando mais na base do nome. Outros dois desligamentos vão acontecer até o embarque e pode sobrar, sim, para mais alguma “intocável”. Natália se recupera, não joga há meses, mas fará Zé esperar até o último momento, como já escrevi aqui após conversar com o próprio treinador. Se ela for, a chance de mais um grande baque no grupo aumenta bastante. Vale a pena levar duas líberos? Outra pergunta já feita por mim, por vocês e que certamente martela na cabeça de Zé Roberto.

Sobre o questionamento que já li sobre a forma com que o corte de Fabíola aconteceu, minha opinião. Cortar antes do embarque para o Brasil transformaria o voo em um velório. Imaginem como seriam as dez horas até o desembarque? Mas também, se pudesse decidir o quando e como, não faria ali no aeroporto, minutos antes de o grupo encarar a imprensa. Deixaria para hoje, com uma nota oficial no site. Seria menos desgastante.

Por fim, uma ressalva aos mais xiitas. Aqui não crucifico por uma derrota, não julgo caráter depois de uma mudança na metade do terceiro set e não sou fã de A e por isso detono B. Mantenham o nível!

Vou dormir. Até “amanhã”!



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