O que vi em Campinas e SP



Os últimos quatro dias (de férias) me permitiram fazer uma “imersão” no vôlei brasileiro. Dois dias em São Paulo e mais dois em Campinas encontrando personagens importantes das quadras e dos bastidores do esporte.

Aos poucos vou trazendo para vocês aqui no blog as histórias e as informações. Alguns detalhes serão omitidos neste primeiro texto pois prometi uma surpresa no post anterior e ainda tenho de esperar um pouco mais. Não me xinguem!

Para começar, algumas percepções sobre Seleções. Na segunda-feira, José Roberto Guimarães e Renan Dal Zotto estiveram na Loja de Asics, na Oscar Freire, para o lançamento oficial da marca como fornecedora de material esportivo no lugar da Olympikus. Os treinadores viraram o centro das atenções. Óbvio e esperado, apesar de não serem o tema do encontro.

Gumercindo Neto, da Asics, entre Zé e Renan (Divulgação)

Gumercindo Neto, da Asics, entre Zé e Renan (Divulgação)

O tricampeão olímpico falando um pouco sobre as expectativas para o ciclo que começará em maio. Ele aguarda o posicionamento de algumas atletas sobre os planos para o futuro. Quer saber com quais delas poderá contar até os Jogos de Tóquio-2020. Sabe que umas querem usar 2017 como ano sabático na Seleção. E acha tal fato normal. Está preocupado também com o desejo de algumas outras de engravidar. O planejamento das atletas (quando ocorre) na vida pessoal impacta diretamente nos planos da comissão técnica. E Zé sabe não ter total controle sobre o fato.

Ele deixou claro que as primeiras convocações deste ciclo contemplarão nomes que já vinham sendo observados na Seleção B desde 2015. Nas palavras dele, “não são nomes tão novos”, mas jogadoras que ganharão mais chances na Seleção principal.

Renan, por sua vez, voltou a falar muito sobre… Bernardinho. Um pouco óbvio também, mas o discurso não foi diferente do utilizado no dia do anúncio, semana passada. Um ponto importante levantado pelo novo comandante da Seleção masculina é o desejo de convencer Rubinho a seguir na comissão técnica.

Como vocês sabem, o assistente de Bernardinho nos últimos anos tinha a esperança de ser efetivado como substituto. Era, inclusive, o indicado pelo bicampeão olímpico. Desta forma, ver Renan assumir gerou óbvia frustração. Por isso Renan precisará de jogo de cintura na tentativa de convencê-lo a seguir como assistente. Presente no evento, o levantador e capitão Bruninho fez questão de deixar clara a importância da manutenção dos pilares da comissão técnica neste momento, para manter o “espírito e a forma de trabalho”.

Já na quinta-feira, Renan esteve em Campinas para acompanhar as duas semifinais da Copa do Brasil masculina. Ficou sentado no fundo da quadra, ao lado de Radamés Lattari, diretor de Seleções da CBV. Lá puderam observar 10 campeões olímpicos no Rio, outros jogadores com passagens recentes pela Seleção, além de muitos garotos com potencial. Renan também encontrou e conversou com treinadores, personagens com quem precisará (e deverá) dialogar bastante em busca de informações e até para receber dicas, neste início de trabalho. Construir relações assim deixará o processo mais saudável.

Ataque de Eder (Bruno Miani CBV)

Ataque de Eder (Bruno Miani CBV)

Para encerrar esse post, que já está longo, um pouco das semifinais de ontem. Na abertura da rodada dupla, a Funvic/Taubaté passou até com certa tranquilidade pelo Brasil Kirin: 3 a 0 (25-22, 25-22 e 25-19). Achei que o time da casa sentiu um pouco da pressão, com certa dose de obrigação, de estar em mais uma final de Copa. Faltou ainda mais eficiência dos ponteiros na virada de bola. Já Taubaté, mesmo perdendo Lucarelli, no segundo set, com uma lesão no pé, mostrou maturidade para fechar em sets diretos. Wallace e Eder, os outros dois campeões olímpicos do time, foram bem.

Sesi tentando parar Leal (Bruno Miani CBV)

Sesi tentando parar Leal (Bruno Miani CBV)

Já no jogo de fundo sobraram alternâncias entre Sada/Cruzeiro e Sesi. Nos primeiros sets, muitos erros de saque, principalmente pelo lado dos paulistas. Apesar disso, o time de Marcos Pacheco chegou a ter 21 a 15 na parcial inicial, mas sofreu a virada. Quando levou o 2 a 0, parecia impossível para o Sesi impedir o grande rival em mais uma final. Mas o jogo, que melhorou tecnicamente, ganhou também o componente emocional. Vibração “extra” ao bloquear um ataque de Leal. Resposta do cubano na sequência ao cravar uma bola. O Taquaral, ainda lotado mesmo sem o Brasil Kirin, era mais Sesi do que Sada. Escadinha, malandro, começou a pedir vibração aos torcedores, que respondiam. E o clássico virou jogão. O esperado com tantos craques de lado a lado. No fim, com o clima quente, algumas decisões da arbitragem também foram chave. Sem replay, não consigo precisar se foram acertos ou erros. E acabou dando Sesi, que estava nitidamente com o Cruzeiro entalado na garganta.



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