O Mundial de Douglas Souza foi animador



Douglas Souza entrou no Campeonato Mundial de 2018 em xeque pela inconstância na temporada de clubes e de seleções. Talvez nem ficasse no grupo caso Lucarelli e Maurício Borges estivessem em condições físicas. Três semanas depois ele deixa a Itália em alta e na seleção ideal do campeonato, como um dos dois melhores pontas.

Muito difícil qualquer um (especialista ou torcedor) dizer hoje que esperava tal cenário.

Campeão olímpico em 2016, Douglas jogou muito pouco no Rio de Janeiro. Mais jovem do grupo, era a quarta opção de Bernardinho para a ponta, atrás de Lucarelli, Maurício Borges e Lipe. Uma oportunidade mais para ganhar experiência e vivência em uma grande competição do que ajudar em quadra.

Em 2017 e 2018, porém, o jogador não conseguiu dar um passo a mais na carreira. Tanto pelo Sesi quanto pela Seleção Douglas Souza oscilou. Parecia sem confiança, não dava indícios de que poderia se transformar em referência dentro do país para alçar voos mais altos no cenário internacional.

Na última Liga das Nações, ele teve chances. Lucarelli, fora após uma lesão grave no tendão de Aquiles, Lipe convivendo com um problema no cotovelo e depois Maurício Borges operado após romper ligamentos do joelho. De quarta opção no setor Douglas se transformou na primeira. Mas não aproveitou como se esperava. Viu Lucas Lóh ser chamado às pressas para as finais e ganhar espaço rapidamente, Kadu estrear nos amistosos contra a Holanda antes da viagem para o Mundial… Parecia estar cada vez com menos confiança e espaço na Seleção.

Até a transferência do Sesi para o EMS/Taubaté foi contestada. Douglas deixou um time com titularidade absoluta e foi para outro com a concorrência de Lucarelli e do argentino Facundo Conte.

Me permito até a usar uma expressão que não gosto para dar sequência ao texto: “contra tudo e contra todos”. E assim Douglas Souza estreou como titular de Renan Dal Zotto no Mundial. E, jogo após jogo, foi transformando as críticas em elogios.

Douglas ganha espaço no grupo brasileiro (FIVB Divulgação)

Foi competente para estabilizar o passe, fundamento que vinha sofrendo nos últimos meses. As declarações dele e de Renan deixavam claro ser a principal incumbência dele. Mas não ficou por aí. Douglas passou dividir com Wallace as ações ofensivas, uma responsabilidade e tanto. Ao fim da segunda fase, as estatísticas já mostravam o ponta empatado com o oposto. Uma surpresa e tanto, visto que Wallace é, nos últimos anos, a bola de segurança de Bruninho.

Na final, teve dificuldades para virar as bolas no primeiro set. Mas cresceu nos dois seguintes, terminando com 11 pontos, atrás apenas de Wallace (14). Finalizou o Mundial com 150 pontos, atrás apenas de Kurek (171), Matt Anderson (163), Wallace (157) e Russell (153). Foi o jogador com melhor aproveitamento no ataque (56,58%) e o terceiro melhor no passe.

Após a final, Lipe anunciou a despedida da Seleção. Douglas Souza certamente ganhará mais responsabilidade e tempo de jogo em 2019. Ele também muda de prateleira no vôlei mundial após o prêmio recebido em Turim. É mostrar que pode permanecer entre os tops.

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