O drama de Marlon



Pessoal, segue a íntegra da coluna Saque, publicada na edição deste domingo, no LANCE! Um pouco sobre a dor do levantador Marlon.

Cabisbaixo, Marlon entra no restaurante do Hotel Montresor, em Verona, por volta das 13h30, horário local (8h30 de Brasília). Carrega uma sacola de supermercado, cheia de remédios. Olha em volta, quase mais nenhum cliente, os garçons já recolhem o que restou do almoço das quatro delegações ali hospedadas. A dificuldade para se locomover é aparente. Ele está abatido. Não é para menos.

Acabara de voltar de Modena, localizada a uma hora de Verona, com um diagnóstico, ainda não definitivo, de que a doença que o tirara de quase todos os treinos na Itália, na véspera do início do Mundial, é mais grave do que se imaginava. O nome é estranho (doença de Crohn), mas ele tem na ponta da língua. O que ela representa ainda mais: o risco de ficar fora do Mundial, sua primeira grande chance de iniciar uma competição deste porte como titular da Seleção Brasileira.

O olhar de Marlon mostra o quanto é doído este momento. Muito além do físico. O prato pedido chega e mostra também o quanto o problema mexe com o organismo: um prato de macarrão, sem molho, sem tempero. Para um atleta profissional, que já havia ficado sem o café da manhã, quase um sacrilégio. Um copo de água ainda ajuda a  engolir mais alguns comprimidos. Antes de comer o macarrão, ele ganha a companhia de Álvaro Chamecki, médico que o acompanhou em Verona. Mesmo sendo ortopedista, ele sabe  os cuidados de que o paciente inspira. Algumas garfadas e é hora de Marlon voltar para o quarto, enquanto os demais companheiros estão de saída para o jogo com a Tunísia.

Ver alguém assim não é fácil, mas é o próprio Marlon que dá o recado, sabendo que a família, principalmente, aguardava com expectativa o Campeonato Mundial: “Chorar eu não vou. Pelo menos agora sei o que tenho”.
Dias antes da viagem à Itália, fiz uma entrevista por e-mail com o levantador, que voltaria à Verona, onde jogou por uma temporada, e brigou sempre contra o rebaixamento. Uma das respostas terminava com: “ A superação era constante na Itália”. Hora de transformar suas próprias palavras, Marlon, em mais um momento de superação.



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