O caso Lili



A mobilização das jogadoras da Seleção para ajudar a oposto Elisângela repercutiu bastante nesta sexta-feira. Entenda mais aqui: Protesto nas redes sociais

Um gesto nobre de apoio a uma jogadora que por vários anos vestiu a Amarelinha. Tem um passado vitorioso, merece muito respeito e pode ser até obrigada a encerrar a carreira (entrevista ao LANCE! neste link: A posição da jogadora). Mas por enquanto é um movimento sobre uma questão pontual, que é bem mais complexa e não tem apenas a CBV como vilã.

Ano após ano jogadores e jogadoras, sem o renome de Lili, ficam sem espaço no vôlei nacional. E perde-se a oportunidade de uma discussão profunda e estruturante.

Não é de hoje que os clubes, que também gostam de reclamar do ranking quando julgam-se prejudicados, preferem olhar apenas para o próprio umbigo, sem conseguir enxergar soluções para o tema em conjunto, sem conseguir vislumbrar o futuro do esporte ao discutir o tema. São inúmeros os casos que já tomei conhecimento.

Para quem não sabe as reuniões da CBV com os clubes sobre o ranking são anuais. Nos encontros a pontuação de cada atleta (vai de 0 a 7) é discutida. E este é o ponto. Muitos clubes votam de acordo com o desejo próprio de montagem do seu elenco. Se essa jogadora mediana me interessa eu voto para que ela deixe de ser 4 e cai para 3 na próxima temporada, por exemplo. Mas, se um clube rival percebe que isso poderá “atrapalhá-lo”, opta pelo veto. E as reuniões sobre ranking, muitas e muitas vezes, se restringem ao simples desejo de alguém montar a sua equipe para o ano seguinte.

E, voltando mais atrás ainda no tempo, o ranking foi criado para evitar a concentração de forças um mesmo time. Mas ele não impede que a final da Superliga feminina seja por uma década entre Rio de Janeiro (Rexona, Unilever, Ades…) e Osasco (Molico, Nestlé). E aqui não tiro os méritos e a grandeza dos dois projetos. Mas é fato que já existe uma divisão clara e nítida, com a força econômica imperando e o ranking não impedindo que as mesmas equipes dominem o esporte no país.

Julgo a discussão sobre o ranking como importantíssima. Já foi tema várias e várias vezes neste espaço. Espero que desta vez o caso Elisângela sirva para que todo o processo, que inclui a necessidade ou não desta pontuação ainda existir, seja discutido. Se ficar apenas na questão pontual de a oposto valer 1 ou 0 a oportunidade de melhorar o todo será mais uma vez desperdiçada.

 

 



  • AfonsoRJ

    Quote: ” Mas ele não impede que a final da Superliga feminina seja por uma
    década entre Rio de Janeiro (Rexona, Unilever, Ades…) e Osasco (Molico,
    Nestlé).”
    Só para lembrar, a final da superliga 13/14 foi entre Rio de Janeiro e SESI. Entretanto, essa exceção não invalida em absoluto a argumentação que aponta a hegemonia de Rio de Janeiro e Osasco no cenário do volei feminino há praticamente uma década.

  • A lI

    Basta CBV!!! Não quero NENHUMA EXPLICAÇÃO SOBRE O RANKING, pois o sistema de ranking é ridículo, preconceituosos e humilhante para nós atletas!!!

    Quem for ler a explicação da CBV pode parar logo no “visando ao equilíbrio”

    Que equilíbrio??? REXONA e NESTLÉ frequentemente no PODIUM provam que o ranking NÃO EQUILIBRA NADA!!!

    O que equilibraria alguma coisa seria TRABALHO DE BASE FORTE E BEM FEITO NA FORMAÇÃO DE JOGADORES E PATROCINADORES FORTES!!!

    Esse ranking me lembra o CANAL DO BOI, faz eu me sentir como uma VACA sendo leiloada!!!
    Ou se formos voltar mais no tempo, esse ranking me faz sentir num MERCADO DE ESCRAVOS, onde os SENHORES DE ENGENHO ficam me rotulando com pontos como se eu fosse uma mercadoria qualquer e não um ser-humano!!!

    O ranking nunca trouxe equilíbrio, ao contrário SEMPRE TROUXE DESEQUILÍBRIO EMOCIONAL AOS JOGADORES NA HORA DE RENOVAR OU ASSINAR UM NOVO CONTRATO!!!

    O RANKING traz incertezas, insegurança, depressão, constrangimento e humilhação a nós jogadores que sempre ficamos muito tensos a cada final de temporada.
    O ranking na verdade causa um ENORME DESEQUILÍBRIO emocional nos jogadores que são muitas vezes obrigados a:

    1. Aposentar-se precocemente.

    2. Ser EXTRADITADO para o exterior

    3. Ficar DESEMPREGADO com as contas atrasadas a pagar.

    Por tudo isso: acabem logo com esse ranking!!!

  • Murasaki

    Cada um só pensa em si e pronto. Enquanto cada um pensar só em si (o que, obviamente, vale e muito para os jogadores), a situação continuará a mesma.

  • Claudio

    A verdade é que os times não se preocupam em montar equipes melhores que os adversários e sim que os adversários não montem equipes melhores que a sua. É para isso que serve o ranking. No caso específico da Elizangela, acho que a imprensa poderia ir diretamente aos times (ou pessoas) que disseram não e saber o motivo, já que no Nestle, a jogadora só vai compor o elenco e talvez só jogue em caso de contusão de uma das opostas, já que é a terceira na posição. Parece-me ser por motivo pessoal ou do tipo “se eu não posso, ninguém mais pode” , caso do praia com a Sassá, que é totalmente diferente (Sassá não vai compor elenco. Até jogou na seleção no gran prix). É só na base da pressão que isso vai mudar. Todos times reclamam, mas na hora de votar não muda nada. Muita hipocrisia!!

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