Análise: O Brasil perdeu ou a China ganhou?



Quando o primeiro set acabou em 25 a 15, eu não acreditava mais em reviravolta. O Brasil era muito superior ao time chinês.  O saque botava uma pressão absurda em Ting Zhu, a estrela da companhia. A camisa 2 não conseguia passar com eficiência. E o ataque não entrava. Ela estava neutralizada. Do outro lado, um time novamente ligado na voltagem máxima desde o início. O Brasil mostrava uma superioridade absurda em todos os fundamentos.

Mas o jogo deu uma equilibrada. A primeira impressão foi uma baixa, até certo ponto natural, na concentração brasileira. Ganhar com tanta facilidade de um vice-campeão mundial, numa fase de quartas de final de Olimpíada, não é normal. A vaga para a semi parecia questão de tempo apenas. E, logicamente, uma melhoria da China, o mínimo esperado de um gigante do vôlei. Mas não era apenas isso. Havia um ingrediente tático.

Abalo brasileiro após a eliminação (FIVB Divulgação)

Abalo brasileiro após a eliminação (FIVB Divulgação)

Lang Ping, técnica chinesa, percebeu que sua principal jogadora estava muito exposta no passe e sem conseguir render no ataque. Changning Zhang veio para o jogo logo no início do segundo set. Xiaotong Liu entrou no decorrer dele. E as duas deram conta do recado na recepção. E assim permitiram que Ting Zhu pensasse basicamente em atacar. Ela acabou a partida com 28 pontos, colocando no chão 26 de 58 bolas levantadas. Mas não era só isso. Ping ainda trocou as levantadoras, com Wei sendo titular a partir do segundo set. Com passe na mão, acelerou os ataques e deixou o bloqueio brasileiro a ver navios por dois sets (segundo e terceiro). Raríssimo ver Fabiana terminar um jogo de cinco sets zeradas em pontos neste fundamento. É preciso dar muito crédito para as mudanças da treinadora da China, que me ajudam a responder a pergunta do título do post.

Para não restringir a análise aos méritos da China, o Brasil pecou em momentos-chave. Esteve na frente no segundo set e perdeu. Abrir 2 a 0 ali seria praticamente decretar a vaga na semi. Poderia também ter feito 16 a 13 no terceiro, após entrada de Jaqueline, mas desperdiçou um ataque com a própria ponta. No fim do tie-break, erros dois saques em sequência, Juciely e Sheilla, se minha memória não me trai. A seleção não soube ganhar.



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