O basquete dá o exemplo mais uma vez



A cada edição do Jogos das Estrelas do Novo Basquete Brasil o vôlei deveria sentir inveja.

Inveja, segundo o dicionário, é “o desejo de possuir um bem que pertence ao outro”. Fiquei apenas na parte boa da definição da palavra para iniciar a reflexão.

A Superliga deveria ter um evento como tem o NBB. E não é de hoje. A crítica, assim, não cabe apenas para a atual gestão da CBV, a “dona” do campeonato nacional.

O vôlei brasileiro surfa na crista da onda há quase duas décadas. São 20 anos de conquistas internacionais, ídolos e mais ídolos, exposição na mídia, transmissão pela maior emissora do país, patrocinadores fortes.

Na comparação com o basquete, o item conquistas internacionais não entra na conta no presente. O passado glorioso contrastou com ausência da Seleção em edições seguidas de Jogos Olímpicos no masculino, enquanto o feminino vive uma entressafra preocupante. Por muito tempo, os grandes nomes estiveram na NBA, na WNBA ou no basquete europeu, fazendo do campeonato nacional um produto pouco atraente.

Aos poucos, com uma administração profissional descentralizada da CBB, confederação com seguidas gestões envolvidas em polêmicas, o NBB cresceu. E virou case de sucesso. O Jogo das Estrelas é um exemplo.

O Ibirapuera, em São Paulo, lotou neste domingo. Transmissão pela TV, astros em quadra em um duelo entre Brasil x Resto do Mundo, homenagem para atleta em reta final de carreira, ações nas redes sociais, ativações de patrocínio, desafio das celebridades, entretenimento para o público.

O parágrafo acima poderia perfeitamente ser uma partida de vôlei masculino, mostrada por RedeTV! e SporTV. De um lado, William, Wallace, Lipe, Serginho, Lucão, Dante, Maurício Borges, Maurício Souza, Ricardinho, Evandro, Lucarelli, Douglas Souza, todos campeões olímpicos. E até Leal, em uma premiere do que veremos em 2019 pela Seleção Brasileira. Do outro, Simon (CUB), Uriarte (ARG), Ivovic (SER), Solé (ARG), Santucci (ARG), Bisset (CUB), Mesa (CUB), Zanotti (ARG), com um trio argentino no banco de reservas: Marcelo Mendez, Horacio Dileo e Daniel Castellani. Atleta em fim de carreira para ser homenageado, como foi Marcelinho Machado, com direito a vídeo gravado por Kobe Bryant, não faltaria. Não seria fácil escolher o MVP para acompanhar Anderson Varejão, o escolhido no basquete.

Já o feminino com a base da Seleção, com Bernardinho e José Roberto Guimarães (já que estamos falando em sonho, né?), enfrentando as americanas Lloyd, Fawcett, Hooker e Newcombe, a sérvia Ninkovic, a cubana Palacio, a porto-riquenha Venegas, a dominicana Peña… Será que elas venceriam Fernanda Garay, Fabiana, Fabi, Thaísa, Paula Pequeno, Carol, Albuquerque, Jaqueline e outras tantas medalhistas olímpicas?

Teria espaço para o McDonald´s distribuir sanduíches para os fãs, como fez o NBB neste domingo no Ibirapuera, após um time atingir 100 pontos. E com astros da música nacional animando os presentes no ginásio.

Imagina o que seria um fim de semana, com direito a ações também com campeões e campeãs olímpicas já aposentados.

Fica aqui minha inveja boa ao ver o basquete fazendo com maestria algo que o vôlei já deveria fazer há muitos anos.



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