Noite de líberos, favoritas e Tifanny na Superliga feminina



A abertura da quarta rodada do returno da Superliga feminina foi marcada pela presença maciça de líberos entre as destaques dos jogos e a confirmação do favoritismo no resultado final.

Três líberos foram para casa com o Troféu VivaVôlei Cimed nesta sexta-feira: Dani Terra (Hinode/Barueri), Léia (Camponesa/Minas) e Vitória (Sesc).

Vitória, por exemplo, costuma substituir a campeã olímpica Fabi. Contra o São Cristovão/São Caetano, porém, ela saiu do banco para entrar no lugar da dominicana Peña no saque. Tecnicamente jogou como ponta, mas ainda assim entra na minha lista. Fez o fundo de quadra nas três parciais do triunfo por 3 a 0 (25-18, 25-21 e 25-21) e foi decisiva:

Vitória com o prêmio de melhor em quadra (Divulgação)

– Fiquei muito surpresa e feliz com esse reconhecimento. É sempre importante que a gente esteja preparada para, quando precisar, ajudar a equipe de outras formas. Neste caso, além da defesa, sempre treino saque para atuar quando o time precisa. É um sentimento muito legal poder sair do banco e contribuir dessa forma – comentou Vitória.

Monique foi a maior pontuadora do time carioca: 17 acertos. Os três pontos deixaram o Sesc momentaneamente na liderança, já que o invicto Dentil/Praia Clube tem dois jogos a menos.

Em Belo Horizonte, Léia, com grande atuação defensiva, foi a melhor em quadra na vitória do Camponesa/Minas sobre o BRB/Brasília Vôlei também em sets diretos: (25-17, 25-8 e 25-22).

A ponteira Rosamaria e a oposta Hooker foram as maiores pontuadoras da partida, com 14 acertos. O Minas ainda não estreou a americana Newcombe, mas vem mostrando evolução no returno.

Rosamaria no ataque contra o Brasília (Divulgação)

Já em Valinhos, o Hinode/Barueri teve a líbero Dani Terra escolhida como a melhor da partida na vitória sobre as donas da casa também por 3 a 0: 25-20, 25-18 e 25-19.

– Estamos fazendo bons jogos no returno, vencendo partidas importantes sem perder sets, o que pode fazer muita diferença lá na frente. Isso dá muita força para continuarmos evoluindo. Fiquei surpresa com o troféu VivaVôlei, porque não é comum líbero ganhar. Vai ficar na minha memória – disse Dani.

Edinara, titular no primeiro e segundo sets, marcou 17 pontos. A polonesa Skowronska, que a substituiu no terceiro, anotou mais sete.

Comemoração do Barueri em mais uma vitória (Divulgação)

Nos outros dois jogos da rodada, um pouco mais de emoção. No Ginásio do Pinheiros, o time da casa vendeu muito caro a vitória para o favorito Vôlei Nestlé, caindo apenas no tie-break: 25-22, 26-28, 25-22, 22-25 e 15-13.

Tandara, de volta após se recuperar de um torcicolo, ganhou o VivaVôlei Cimed após anotar 26 pontos. Bruna Honório fez 25 para a equipe da capital paulista.

Tandara foi decisiva contra o Pinheiros (João Pires/Divulgação)

– Jogar aqui no Pinheiros é sempre muito difícil e tecnicamente acredito que foi um bom jogo, com as duas equipes buscando a vitória. Nossa equipe precisa de jogos assim, disputados, sofridos e que saiamos vitoriosos. No primeiro turno vivemos situações assim e nem sempre ganhamos. Agora estamos lutando e transformando essa luta em vitória e isso é importante para o crescimento da equipe – analisou o técnico Luizomar de Moura.

Por fim, Bauru passou em casa pelo Sesi, única equipe ainda sem vencer na competição, por 3 a 1: 25-19, 24-26, 33-31 e 25-12.

Mais uma vez sem Paula Pequeno, lesionada, o time do interior teve Tifanny como destaque, com 21 acertos. Ela ficou um atrás de Palácio, a maior pontuadora.

Tifanny soma 90 pontos em 18 sets disputados. Com a média de cinco pontos por parcial, ela lidera a estatística da competição, à frente de Tandara (4,91) e Bruna Honório (4,61).

– Nosso sistema de jogo funcionou perfeitamente até a parte final do segundo set, quando cometemos muitos erros e trouxemos o Sesi pro jogo. Tínhamos construído vantagem grande, mas cometemos erros atrás de erros, ficamos ansiosos em fechar o set e isso trouxe o Sesi ao jogo. Eles já começaram o terceiro set no nível em que terminaram o segundo. Foi um jogo muito duro e somente no quarto set conseguimos restabelecer nosso sistema de jogo novamente – analisou o treinador Fernando Bonatto.

Vale lembrar que as duas equipes serão parceiras na próxima temporada.

Na classificação geral, o Sesc soma 40 pontos, um a mais do que o Praia (com dois jogos a menos). Com 33, o Vôlei Nestlé vê o Camponesa/Minas pelo retrovisor com 31 pontos. O Flu segue em quinto com 24, mesma pontuação do Barueri. O Bauru, em alta, soma 23 e está em sétimo, cada vez mais distante do Pinheiros, que fecha o G8 com 19.



  • Senhor Omar – Trágico

    Eu deixei de ver superliga feminina. Se for pra ver homem jogando contra as mulheres.. eu prefiro ver o volei n la versão masculina..que é equilibrado.

    • L. Mesquita

      Os seguintes especialistas do Comitê Olímpico Internacional(COI) em reunião em Lausanne,Suíça definiram os critérios necessários para que uma atleta possa competir no gênero feminino:
      1.Prof Dr Uğur Erdener Chairman, IOC Medical & Scientific Commission
      2.Prof Arne Ljungqvist Former Chairman, IOC Medical Commission
      3.Dr Stéphane Bermon Monaco Institute of Sports Medicine & Surgery, IAAF Medical &Scientific Senior Consultant
      4.Michael Beloff, QC Barrister, Blackstone Chambers
      5.Prof Gerard Conway Professor of Clinical Medicine, University College London
      6.Prof Myron Genel Professor Emeritus of Pediatrics and Senior Research Scientist,Yale Child Health Research Center,Yale University School of Medicine
      7.Ms Joanna Harper Chief Medical Physicist,Radiation Oncology,Providence Portland Medical Center
      8.Prof Angelica Linden,Hirschberg Department of Woman & Child Health,Division of Obstetrics & Gynecology,Karolinska Institutet
      9.Prof Dr Maria Jose Martinez Patino,Faculty of Sport Sciences,University of Vigo
      10.Prof Martin Ritzén Professor Emeritus,Dept of Woman and Child Health Karolinska Institutet
      11.Dr Eric Vilain Professor of Human Genetics,Pediatrics and Urology Director,Center for Gender-Based Biology Chief,Medical Genetics,Department of Pediatrics Co-director,Clinical Genomic Center David Geffen School of Medicine at UCLA
      12.Jonathan Taylor Partner,Bird & Bird
      13.Liz Riley Barrister,Bird & Bird
      14.Dr Robin Mitchell Vice-Chair,IOC Medical & Scientific Commission
      15.Dr Rania Elwani Member,IOC Medical & Scientific Commission
      16.Dr Vidya Mohamed-Ali Member,IOC Medical & Scientific Commission
      17.Prof Yannis Pitsiladis Member,IOC Medical & Scientific Commission
      18.Dr Richard Budgett IOC Medical & Scientific Director
      19.Dr Lars Engebretsen IOC Head of Scientific Activities
      20.Christian Thill IOC Senior Legal Counsel
      Todos esses especialistas,vindos de várias partes do mundo chegaram a um consenso que MULHERES TRANS,HERMAFRODITAS ou com HIPERANDROGENISMO para competir no gênero feminino em eventos do COI como OLIMPÍADAS de verão ou inverno,deverão:
      -demonstrar que seu nível total de testosterona no soro sanguíneo está abaixo de 10 nmol/litro.
      -Para evitar a discriminação,se não for elegível para a competição feminina,o atleta deve ser elegível para competir na competição masculina.
      Esses especialistas afirmam que a aparência de uma genitália,assim como a quantidade de cromossomos X ou Y não definem sob qual gênero um indivíduo deve competir, mas sim a quantidade de testosterona no sangue que deve ser menor que 10 nmol/litro para competir no feminino.
      Caso Érika Coimbra:A jogadora do Hinode Barueri teve que ser cortada do Mundial Juvenil de 1997 depois de apresentar concentração de testosterona no sangue acima do permitido para competir no feminino.Érika teve que se submeter a uma cirurgia para correção de disfunção hormonal que a fazia produzir muita testosterona.Na época a impressa cogitava que Érika era hermafrodita e foi perseguida por muitas pessoas que achavam que ela não deveria disputar a Superliga.Érika foi afastada,fez tratamento por um ano e retornou às competições femininas,foi convocada por Bernardinho e conquistou o Bronze nas Olimpíadas de Sydney-2000.
      Caso Edinanci:Em 1996,às vésperas das Olimpíadas,aos 19 anos,a judoca descobriu-se hermafrodita.Tinha testículos internos que aumentavam sua concentração de testosterona.Com o crescimento desses órgãos,o útero acabou atrofiado.Tanto que ela nunca menstruou.A família jamais a questionou sobre o fato,porque não se falava em questões tão íntimas em casa.Aconselhada por médicos,foi operada para a retirada dos testículos e do útero.“Eles me disseram que eu corria o risco de desenvolver um câncer se não fizesse a cirurgia.Fiz por uma questão de saúde,porque de resto nunca me incomodou em nada”,disse Edinanci.Assim como aconteceu com Érika,a imprensa marrom e pessoas maldosas não perdoaram e não perderam a oportunidade de pegar Edinanci para Cristo.“O que eu senti mesmo foi pelos meus pais.Eles acabaram sofrendo muito com a forma como exploraram tudo.Me informei bastante sobre o problema e expliquei para a minha família,que entendeu o que aconteceu comigo,mas na época o sofrimento de todos foi grande”.”Comigo fizeram o maior oba-oba.Tiveram comportamento de bando.Um gritou e o resto foi atrás”.Edinanci virou um caso do jornalismo abutre,baixo e rasteiro.No boca a boca,foi alvo preferencial dos “donos da verdade”.E como é duro aos resistentes à diferença ver a glória de quem eles não querem e não se permitem enxergar.A bicampeã pan-americana(2003,2007) e Bronze em dois Mundiais(1997,2003),nunca conseguiu sossego.Com isso tudo,porém,não há relatos de que tenha discutido com repórteres,recusado respostas ou levantado a voz para quem quer que seja. Não há relatos de que tenha perdido a cabeça.A Tifany agora é bola da vez,porque algumas pessoas tem muito mais prazer na DISCRIMINAÇÃO do que na ACEITAÇÃO DA DIFERENÇA.Vale ressaltar que Tifany tem menos testosterona do que o exigido pelo COI e não tem impedimento nenhum de competir no feminino.Ao contrário,a Federação Russa foi banida das Olimpíadas de Inverno e das Paralimpíadas por doping institucionalizado do próprio governo.

      • AfonsoRJ

        Não tenho saco nem tempo para ficar pesquisando na internet o nome e currículo de cada especialista que é contra a participação de transsexuais em competições femininas. Mas pelo que já vi na mídia, são muitos, entre os quais me incluo (sou sim especialista no assunto). Considera-se que baixos níveis de testosterona não é um critério suficiente para equiparar fisicamente um(a) transsexual a uma mulher. E, já começando a ficar repetitivo, faço questão de frisar que não se trata de discriminação, preconceito ou homofobia, como você insinua. É apenas uma questão de justiça por alguém estar levando uma vantagem indevida sobre as demais atletas.

        • L. Mesquita

          1.Excluir Tifany não tem sentido, pois a não ser que sejam robôs fabricados em série identicamente, ninguém compete sem ter algum tipo de vantagem ou desvantagem sobre o adversário!
          2.É óbvio que Tifany leva vantagem pela sua ALTURA e pela sua FORÇA e pela sua função de OPOSTA, que está liberada do passe justamente para pontuar!
          3.A posição de oposta exige que a jogadora seja PONTUADORA NATA, a não ser que seja uma FALSA-OPOSTA ou uma OPOSTA-PASSADORA como Grothues foi no Fenerbach.
          4.Se o Bauru contratou Tifany como OPOSTA, foi pra PONTUAR e não pra fazer FIGURAÇÃO dentro de quadra.
          5.Com a contusão de PAULA PEQUENO, as bolas de segurança do BAURU são a ponteira PALACIO e a oposta TIFANY, e com passe ruim as centrais atacam pouco e aí que Tifany tem q pontuar mesmo.
          6.Tifany leva sim vantagem sobre outras jogadoras, assim como jogadoras de 1,94m e com força parecida com dela levariam vantagem do mesmo jeito.
          7.Boskovic levaria vantagem sobre outras jogadoras se jogasse a Superliga? Sim levaria!
          8.Zhu Ting levaria vantagem? Sim levaria!
          9.Marrinez levaria vantagem? Sim levaria!
          10.Mamadova levaria vantagem? Sim levaria!
          11.Rahimova levaria vantagem? Sim levaria!
          12.Brenda Castillo levaria vantagem sobre as outras liberos? Sim levaria!
          13.Tomokom Nootsara vantagem sobre as outras jogadoras? Sim levaria!
          14.Nem gêmeas idênticas como MONIQUE e MICHELLE PAVÃO jogam em igualdade de condições uma é PONTEIRA a outra é OPOSTA, apesar de GENETICAMENTE IDENTICAS, são DIFERENTES, e dependendo da situação uma acaba levando vantagem sobre a outra.
          15.A não ser que sejam times de CLONES ROBÔS, sempre uma jogadora vai levar vantagem sobre a outra, seja por ALTURA, FORÇA, AGILIDADE, DESTREZA, VISÃO DE JOGO, HABILIDADE, CONCENTRAÇÃO, CORAGEM, DETERMINAÇÃO etc. O importante é que SEMPRE UMA JOGADORA LEVARÁ VANTAGEM SOBRE OUTRA de alguma forma.
          16.Kenianos levam vantagens fisiológicas sobre os demais em longas distâncias? Sim levam! E por isso serão impedidos de competir? Nao!
          17.Jamaicanos levam vantagem fisiológica sobre outros em velocidade? Sim! Mas serão impedidos de competir?
          18.Cubanos levam vantagem em impulsão?Sim!
          Então se sua dúvida é se Tifany leva vantagem? Sim, claro que leva, por sua altura e força e não por ter sido uma mulher trans que nasceu com um penis!
          19.O limite do COI são 10 nanomol de testosterona por litro de sangue. Tifany, conforme o último exame não tem nem 1 nanomol de testosterona por litro de sangue. Como eu já EXEMPLIFIQUEI, tanto Erika quanto Edinaci, já produziram mais testosterona que o permitido para competir no feminino, fizeram suas cirurgias e tratamentos para controle da TESTOSTERONA e hoje competem normalmente.
          20.Listei a quantidade de Professores Doutores que participaram da decisão do COI, que não levam em consideração a genitália para decidir se a atleta competirá no gênero feminino e sim a concentração de testosterona.

          • AfonsoRJ

            Meu caro Mesquita. Você insistde em defeder força física superior da Tiffany, comparando-a com atletas do sexo feminino também altas e fortes. Até agora ainda não comprendeu, apesar de todas as cosiderações que isso é um ABSURDO.Provavelmente porque não quer entender ou se faz de desentendido. Então, VOU DESENHAR:
            Jogadoras do SEXO FEMININO que são fortes e/ou altas conseguiram essa vantagem DE FORMA JUSTA. Foi a NATUREZA que as fez assim.
            Já um transsexual conseguiu essa vantagem de FORMA INJUSTA, pois a natureza lhe deu um CORPO DE HOMEM e ela conseguiu sua condição pseudofeminina de forma ARTIFICIAL..
            RESUMINDO: Trnssexuais levam uma VANTAGEM INJUSTA sobre as demais atletas. É como fosse uma espécie de doping.

            Também insiste no famigerado nível de testosterona. Como médico formado a mais de 40 anos e com pós graduação em medicina desportiva, posso assegurar que o nível de testosterona NÃO E PARÂMETRO SUFICIENTE. Podem vir 300 pseudo especialistas politicamente corretos do COI, BOI oi FOI, que não vão me convencer NUNCA. Qualquer um que conheça um mínimo de biomecânica sabe que a ossatura masculina tem diferenças enormes em termos de alavancas, que lhe conferem enorme vantagem física. Por exemplo (simplificando umpouco): a pelve feminina é mais larga, o que afeta o ânglo da articulação do quadril, que por sua vez modifica o ângulo da articulação dos joelhos. É bem sabido, há muito tempo, que devido a essa diferença do ângulo do joelho, as mulheres são mais suscetíveis de lesões nessa área. Da mesma forma, uma cintura escapular mais larga no sexo masculino, assim como um diâmetro torácico maior, confere aos homens uma maior capacidade aeróbica maior comprimento para a inserção da musculatura peitoral e dorsal, que são usadas de forma mais efetiva.

            Enfim… paro de argumentar por aqui, pois já cheguei à conclusão que de nada adianta. Vou parar de perder meu tempo. Mas vou continuar a condenar com todas as minhas forças a participação de transsexuais em esportes femininos. Podem vir os patrulhadores do politicamente correto, podem me chamar de preconceituoso, homofóbico, ou seja lá o que for. Podem até me chamar do que é atualmente o ápice do xingamento: NEOLIBERAL. Mas não mudo de opinião e vou defendê-la até o fim, bem como apoiar irrestritamente a todos com que a compartilhem: Transsexuais no esporte feminino NÃO.

          • Gilberto Gonçalves Freire

            Então pra que existe a diferença de gênero meu caro.. masculino e feminino? se vc acha que estamos falando só de ganho de vantagem.. então acabe com a diferença. Ele é um homem jogando com as mulheres. o Tiffany deveria estar jogando entre homens.. como sempre fez até seus 30 anos.. kkk

          • Gilberto Gonçalves Freire

            Vc só pode ser idiota. Então me explique pra que existe competição masculina e competição feminina… por que não existe uma única competição? kkkkkkk

          • Gilberto Gonçalves Freire

            Então por que existe competição masculina e feminina?

        • Gilberto Gonçalves Freire

          Já imaginou se o Muserskiy virasse transexual e fosse disputar volei feminino… no alto de seus 2m18? kkkkkkk não teria vantagem nenhuma ne? kkk só diminuir a testosterona… kkkkk piada

  • AfonsoRJ

    Desculpem se é um pouco longa, mas vale a pena ler.

    Carta aberta de Ana Paula (ex jogadora de vôlei participante de seleções olímpicas tanto na quadra quanto na praia)

    “Esta é uma carta aberta aos dirigentes do Comitê Olímpico
    Internacional (COI) e estendida aos dirigentes do Comitê Olímpico
    Brasileiro (COB), da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) e da
    Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), em defesa das modalidades
    femininas dos esportes profissionais.

    Prezados,

    Antes de tudo, quero agradecer ao COB e à CBV pela oportunidade de
    representar meu país em quatro Olimpíadas e inúmeros mundiais no vôlei
    de quadra e de praia. Foram anos de enorme sacrifício e prazer
    testemunhando diariamente os valorosos ideais do Barão de Coubertin,
    ideais que morarão para sempre em minha alma.

    Poder representar meu país entre os melhores do mundo é a maior honra
    que qualquer atleta pode sonhar na carreira. Entre os títulos
    alcançados, certamente a confiança depositada em mim, de que eu
    representaria com respeito e dignidade o esporte brasileiro durante 24
    anos da minha vida, está entre as mais importantes conquistas da minha
    carreira.

    É com respeito mas com grande preocupação que escrevo às entidades
    responsáveis pelo esporte sobre a ameaça de total desvirtuação das
    competições femininas que ocorre atualmente com a aceitação de atletas
    que nasceram homens, que desenvolveram musculatura, ossos, capacidade
    pulmonar e cardíaca como homens, em modalidades criadas e formatadas
    especificamente para mulheres. Se alguém tem que ir a público e pagar um
    preço em nome da verdade, do bom senso e dos fatos, estou disposta a
    arcar com as consequências. O espaço conquistado de maneira íntegra por
    mulheres no esporte está em jogo.

    Tenho orgulho de ser herdeira dos valores que construíram a
    civilização ocidental, a mais livre, próspera, tolerante e plural da
    história da humanidade. Este legado sociocultural único permitiu que
    nós, mulheres, pudéssemos conquistar nosso espaço na sociedade, no
    mercado e nos esportes. Na celebração das diferenças é que nos tornamos
    ainda mais unidos, homens e mulheres, dentro e fora das quadras. E é
    apenas com esse legado que podemos olhar para cada indivíduo como um ser
    único e especial.

    Num tempo em que a militância política condensa e resume o pensamento
    às pautas ideológicas para negar a realidade, não é difícil identificar
    a armadilha em que as entidades esportivas caíram e que podem levar
    junto todo o esporte feminino. Sabemos da força do esporte para elevar o
    espírito humano acima das guerras e conflitos, especialmente a cada
    quatro anos, quando durante três semanas mágicas testemunhamos o que há
    de melhor e mais nobre em todos nós. É esse legado que precisamos
    defender.

    A verdade mais óbvia e respeitada por todos os envolvidos no esporte é
    a diferença biológica entre homens e mulheres. Se não houvesse, por que
    estabelecer categorias separadas entre os sexos? Por que colocar a rede
    de vôlei masculina a 2,43m de altura e a feminina com 2,24m? Basta uma
    análise superficial com um mínimo de bom senso no porte físico de
    jogadores de basquete masculino e feminino para entender que não são
    intercambiáveis.

    A nadadora americana Allison Schmitt estabeleceu o recorde mundial
    dos 200 metros (livre) em 1:53.61, um feito admirável, mas quando
    comparado aos 1:42.96 de Michael Phelps na mesma prova só evidencia a
    óbvia diferença física entre homens e mulheres. Seleções de futebol
    feminino costumam treinar (e perder) de times masculinos sub-17. Os
    exemplos são infinitos de como não faz sentido misturar homens e
    mulheres em modalidades onde a força física faz diferença no resultado
    final.

    É justo simplesmente fingir que estas inegáveis diferenças biológicas
    não existem em nome de uma agenda político-ideológica que servirá para
    cercear um espaço tão duramente conquistado pelas mulheres ao longo de
    séculos? Como aceitar homens “biológicos” em competições como lutas,
    batendo impiedosamente em mulheres e ainda ganhando dinheiro, fama e
    medalhas por isso? Será que todos enlouquecemos ao permitir tamanho
    descalabro?

    Médicos já começam a se pronunciar sobre a evidente vantagem de
    atletas transexuais no esporte feminino e contestam a recomendação feita
    pelo COI de permitir atletas trans de competirem entre mulheres com
    apenas um ano com o nível de testosterona baixo. Inúmeros fisiologistas
    já atestaram que esse parâmetro estabelecido pelo COI não reverte os
    efeitos do hormônio masculino na já finalizada construção de ossos,
    tecidos, órgãos e músculos ao longo de décadas. Treinadores de voleibol
    no Brasil e na Itália já relatam que agentes esportivos estão oferecendo
    atletas trans que já podem competir no vôlei feminino, homens
    biológicos que ocuparão o lugar de mulheres nos times. Até quando vamos
    assistir calados a tudo isso? Eu me recuso.

    Esportistas em geral e jogadoras de vôlei em particular estão sendo
    patrulhadas e cerceadas na sua liberdade de expressão. Muitas não
    expressam sua indignação pela total falta de proteção das entidades
    esportivas, coniventes com esse disparate. “É uma diferença muito grande
    e nos sentimos impotentes”, relata Juliana Fillipeli, atleta do time de
    vôlei do Pinheiros, depois de assistir Tiffany Abreu, ex-Rodrigo,
    vencer seu time e ser, mais uma vez, recordista em pontos na partida.
    Tiffany, que jogou na Superliga Masculina no Brasil como Rodrigo, é hoje
    a maior pontuadora da Superliga Feminina em apenas poucos jogos,
    deixando para trás a campeã olímpica Tandara, uma das melhores atacantes
    do Brasil e do mundo.

    Durante 24 anos dedicados ao voleibol, fui submetida ao mais rigoroso
    controle antidoping por todas as entidades esportivas, incluindo a
    Agência Mundial Antidoping (WADA). Fui testada dentro e fora das
    competições para provar que meu corpo não estava sendo construído em
    nenhum momento da minha vida com testosterona. De todos os testes, um
    dos mais importantes para mulheres é o que mede exatamente o nível do
    hormônio masculino, proibido de ser usado ou mesmo de ser naturalmente
    produzido em qualquer fase da vida de uma atleta mulher, além do
    permitido.

    Em resumo, desde a adolescência preciso provar, cientificamente, que
    sou mulher para competir e depois manter minhas conquistas, títulos e
    medalhas. Quantas mulheres não perderam títulos ou foram banidas do
    esporte especificamente por conta deste hormônio que sobra num corpo
    masculino normal? Havia uma relação de confiança mútua entre atletas,
    entidades e confederações para garantir o esporte limpo, justo e
    honesto, sem atalhos ou trapaças. Esta relação está a um passo de ser
    quebrada.

    O material colhido de anos atrás para testes antidoping de todos os
    atletas, como eu, continua guardado até hoje e pode ser novamente
    acessado e testado. Uma nova medição que constate níveis incompatíveis
    de testosterona num corpo feminino pode retirar títulos retroativamente,
    conquistas de anos ou décadas anteriores. Este nível de rigor foi
    totalmente abandonado para acomodar transexuais que até pouco tempo eram
    homens, alguns deles tendo competido profissionalmente como homens. O
    que uma amostra de anos atrás de atletas transexuais femininas acusaria?
    É simplesmente inaceitável.

    O combate ao preconceito contra transexuais e homossexuais é uma
    discussão justa e pertinente. A inclusão de pessoas transexuais na
    sociedade deve ser respeitada, mas essa apressada e irrefletida decisão
    de incluir biologicamente homens, nascidos e construídos com
    testosterona, com altura, força e capacidade aeróbica de homens, sai da
    esfera da tolerância e constrange, humilha e exclui mulheres.

    Assistimos atualmente entidades esportivas fechando os olhos para a
    biologia humana na tentativa de ludibriar a ciência em nome de agendas
    político-ideológicas. Assistimos atualmente um grande deboche às
    mulheres e a cumplicidade dos responsáveis pelo esporte no mundo com a
    forma suprema de misoginia. Uma declaração de boas intenções das
    entidades encarregadas de proteger o esporte escrupuloso e correto não é
    suficiente para justificar tamanho absurdo.

    O esporte sempre foi um grande e respeitado veículo de conquistas
    femininas, uma arma que sempre evidenciou o mérito das mulheres àqueles
    que tentaram impor limites aos sonhos de todas que lutaram e lutam para
    mostrar nosso verdadeiro valor, talento, capacidade de superação e
    mérito. Numa semana em que celebramos Martin Luther King Jr., deixo aos
    dirigentes do esporte mundial uma de suas célebres frases: “Nossas vidas
    começam a terminar no dia que nos silenciamos para as coisas que são
    realmente importantes.”

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