No frio, deu Brasil



Estive nesta terça-feira em Curitiba para o lançamento de “Degrau por degrau”, a biografia de Serginho Escadinha.  E pude acompanhar de perto o primeiro dia das finais da Liga Mundial, marcado pelo frio, por reclamações de jogadores e técnicos sobre o desafio eletrônico, elogios sobre a estrutura na Arena da Baixada e vitórias difíceis de Brasil e França, dois dois favoritos ao títulos.

Vamos por partes:

FRIO

Foi o vilão do dia. A sensação térmica (entre 9 e 12 graus) dentro do estádio era bem menor do que o regulamento prevê como temperatura mínima aceitável para uma partida: 16 graus. Oficialmente o termômetro marcava 15,8 graus no jogo do Brasil. O clima fez com que jogadores aquecessem de luvas, vestissem roupas térmicas por baixo das camisas e shorts, usassem bicicleta ergométrica na área destinada aos reservas e buscassem aquecimento com bolsas de água quente nos intervalos entre os pontos e em alguns aquecedores instalados atrás de placas de publicidade. Certamente algo precisará ser feito para os próximos dias. Durante toda a preparação da Arena para as finais, o Atlético Paranaense não recebeu pedidos da FIVB para a utilização de aquecedores. Pelo jeito uma avaliação errada. Imaginando que a final será às 23h (?!?) do sábado a tendência é uma temperatura ainda mais baixa.

DESAFIO

Impossível não relacionar as dificuldades com o clima com a performance dos atletas em quadra. Muitos demonstravam incômodo e irritação. E as duas sensações aumentavam durante o desafio eletrônico da arbitragem. A demora acima do normal para a exibição do replay fez com que vários jogadores reclamassem com a arbitragem. Técnicos gesticulavam nos bancos, olhando para a equipe que cuida da checagem do vídeo. Para piorar, em alguns desafios, a imagem não foi mostrada nos telões, deixando os envolvidos no jogo e os torcedores sem a comprovação. Muito ruim. A tecnologia veio para ajudar o vôlei, cada vez mais veloz e ingrato com os árbitros. E sem a utilização ideal o benefício vem acumulando críticas. É preciso uma evolução emergencial.

A ARENA

Incomparavelmente melhor a estrutura montada para a Liga Mundial em comparação com a experiência do amistoso Brasil x Portugal, no ano passado, na mesma Arena da Baixada. A experiência dos torcedores no espaço montado ao lado da quadra é muito boa. O espaço mais caro estava praticamente lotado durante o primeiro dia, uma terça-feira à tarde, lembrando. Os serviços de alimentação também deram conta da demanda, com boa quantidade de opções. Banheiros limpos também ganharam elogios do público. Fora do estádio, boa sinalização para orientação dos torcedores.

JOGOS

Brasil e França, meus candidatos à final, estrearam com vitória. Mas sem encher os olhos. Contra o jovem, esforçado e bem montado Canadá, a Seleção Brasileira sentiu falta do conhecido volume de jogo para ditar o ritmo da partida. E teve também dificuldades na virada de bola em diversos momentos. Wallace, com 18 pontos, liderou o time na pontuação e no ataque.  Se o jogo fosse contra um rival mais experiente e com rodagem em partidas decisivas o caldo brasileiro poderia ter azedado. Contra Rússia e provavelmente Sérvia e França o nível de jogo do Brasil precisa subir. Lucarelli e Maurício Borges precisam de mais constância no passe e ataque, o jogo de Bruninho com os centrais obrigatoriamente deverá crescer com sintonia e o estreante Thalles terá de aumentar o volume de jogo. Já os franceses precisaram do tie-break na vitória sobre os Estados Unidos. E ver Lynell e Boyer à frente de Ngapeth na pontuação é o primeiro estranhamento. A quantidade de erros da equipe europeia também extrapolou os limites (43), fazendo com que os americanos equilibrassem as ações. No “grupo da morte” da fase final, a França comemora apenas o importante triunfo.

LIVRO

Encerro o post com o motivo da minha presença em Curitiba nesta terça. Para Serginho era especial a passagem pela capital do Paraná. Foi aqui, em setembro do ano passado, que ele iniciou o tour de despedida da Seleção. E o paranaense de nascimento guarda um sentimento especial. Foi muito bacana ter recebido torcedores brasileiros e de outros países, parte da comissão técnica e do elenco da Seleção, amigos da mídia e um outro mito olímpico: Emanuel, o maior craque do vôlei de praia em todos os tempos. Certamente a presença e o carinho de todos fizeram a diferença. Degrau por degrau está à venda nas principais livrarias do país (também pelos respectivos sites). Em breve novidade sobre os próximos destinos.

 



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