Não gostei do que vi no fim de semana



A manhã de domingo começou preocupante. A derrota da Seleção masculina para a Polônia expôs mais uma vez falhas já vistas desde o início desta campanha.

O time de Bernardinho não consegue decolar. Parece, em alguns momentos, preso por uma âncora. Uma verdadeira montanha-russa de instabilidade, seja em determinados fundamentos ou individualmente. Um exemplo para facilitar o entendimento: apenas no terceiro set o bloqueio funcionou. Nas demais parciais, Kurek e Winiarski deitaram e rolaram. Exploraram a mão de fora dos bloqueadores, souberam esperar uma segunda chance quando o levantamento não estava caprichado, foram jogueiros, como gostam de dizer na gíria os atletas.

Individualmente, Lucão pode exemplificar este momento estranho da Seleção. Parece alheio ao que está acontecendo. Não é o mesmo jogador que a torcida está acostumada a ver. Parece não estar à vontade, seja ao atuar com Bruninho ou Ricardinho. Rodrigão entrou em seu lugar, também foi pouco utilizado no ataque e não pontuou no bloqueio. No vôlei moderno, não ter um meio de rede eficiente contra determinados rivais é mortal.

No mais, Bernardinho pôde testar Leandro Vissotto, já que Wallace não conseguia virar as bolas nos sets iniciais. O oposto de 2,12m, recuperado da cirurgia cardíaca e ainda sem o ritmo ideal de jogo, terminou com maior pontuador e parece ter decretado que Theo está fora da Olimpíada. Me perguntei também o porquê de Giba não ter sido utilizado em algumas passagens no lugar de Thiago Alves, depois de ter voltado a jogar na véspera, contra a Finlândia. Mas neste caso vejo mais como precaução, já que recuperação de fratura por estresse merece uma atenção especial.

Pela classificação dos outros grupos, é bem provável que o Brasil ainda dispute a fase final da Liga Mundial. O time terminou os 12 jogos com 26 pontos. Nos demais grupos, foram disputadas até aqui metade das partidas. Os vice-líderes, por enquanto, somam 12 pontos (Sérvia no Grupo A e Argentina no D) ou 11 (França no C). Repetindo no returno a campanha feita até aqui, não irão ultrapassar a Seleção. E o nível entre os times é bem maior, o que deixa os duelos mais imprevisíveis e equilibrados.

É esperar (além de secar um pouco os rivais). E pergunto: será melhor treinar em Saquarema até Londres ou disputar a fase final na Bulgária ajudará o time a encontrar o seu melhor jogo? Não sei responder.

Minha preocupação com a Seleção masculina se estende também ao time feminino, com um grau um pouco menor.

No primeiro fim de semana com a força total à disposição, o Brasil deixou a desejar. Ainda dou um desconto por ser os primeiros jogos do time na temporada, já que em Lodz a base era outra. Comparando primeira e segunda etapa do GP, algumas coisas ficaram claras:

– Fabiana está aquém do que já apresentou e representa como capitã do time. Na derrota para as americanas, jogando três sets, fez apenas cinco pontos, um no bloqueio. Como comparação, Thaisa fez 20, sendo cinco no block. Nem vou comparar com as atuações de Adenízia, na Polônia, para não ficar ainda mais claro o abismo de performance.  Preocupa. A relação do bloqueio-defesa merece atenção especial de Zé Roberto.

– O passe ainda é uma dor de cabeça. E acho que será assim durante os Jogos de Londres. Pode-se trocar as peças, diminuir área de atuação de A ou B, mas parece que ainda falta algo. E normalmente quando o passe não sai, nossas pontas viram alvo fácil do bloqueio rival.

– Mari continua sendo importante para este time. Ela entrou em alguns jogos como  ponteira, mas também substituiu Sheilla na saída, como no quarto set contra os EUA, já que a titular deixou a desejar na virada de bola (apenas quatro pontos no ataque). A camisa 7 parece estar com a cabeça boa, tranquila, o que ajuda neste momento de testes e indefinição sobre sua função principal em Londres.

Por fim, um destaque americano. Pouco até hoje tinha reparado na central Harmotto. Ela fez oito pontos de bloqueio contra o Brasil. Uma surpresa bem desagradável para as brasileiras, eu diria.

Acho que escrevi demais. Agora é com vocês.



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