Momento de apreensão e reflexão no vôlei nacional



No dia 19 de janeiro, o título da coluna foi: “A crise existe e não pode ser minimizada”. Já em 15 de fevereiro, escrevi sobre a “falta de glamour de quem trabalha sem receber”. Fui chamado de alarmista por alguns, extremamente pessimista por outros. Em plena folia de Carnaval, o assunto não tem nada de alegre mais uma vez.

O Sesc oficializou, minutos depois de perder para o Sada Cruzeiro, na noite de quinta-feira, pela Superliga masculina, o fim do patrocínio ao time. O atual terceiro colocado da principal competição nacional deixará de existir em dois meses. Um direto bem forte no queixo dos otimistas de plantão, aqueles que preferem cobrir o sol com a peneira.

Existe, sim, motivos para preocupação. E não é apenas uma percepção de um colunista “mal humorado”, como já fui chamado. Cinco dos 12 participantes, ou seja, mais de 40%, estão com sérios problemas na Superliga masculina. O Sesc, apesar de salários em dia, fechará as portas, enquanto Denk Maringá, América e Ponta Grossa lutam para encerrar dignamente a campanha no torneio nacional. Pagamentos atrasados, debandada de jogadores e uma luta diária para colocar ao menos sete abnegados em quadra para um jogo. E, pasmem, até o EMS/Taubaté, atual campeão da Superliga, com metade da base titular da Seleção, além da comissão técnica, deve meses de salários.

Eu sou mesmo muito pessimista ou tem algo errado acontecendo?

Em entrevista ao Web Vôlei, Giovane Gávio, técnico do Sesc, vê um cenário difícil no esporte brasileiro em geral.

“É um momento complicado, não apenas para o vôlei, mas o esporte brasileiro em geral passa por uma situação delicada. Esse cenário é muito preocupante para a Superliga, falo isso independentemente de tamanho ou investimento, equipes correm o risco de fechar as portas, de sair do campeonato, parar de trabalhar com o vôlei”.

vôlei

Giovane perdeu patrocínio do Sesc (Bruno Terena/Divulgação)

E aqui abro parênteses para as palavras não ditas abertamente por ele na resposta acima. Patrocínios estão minguando, há a nítida falta de uma política esportiva, esporte relegado a uma subpasta na esfera federal sob o comando de políticos com pouca ou qualquer relação esportiva, COB em dificuldades e fazendo cortes, sem falar do legado quase nulo da Rio-2016. E temos um cenário pra lá de preocupante.

Como já escrevi em outras “crises”, o vôlei ainda é um dos primos ricos do esporte nacional. Tem um histórico recente de conquistas internacionais relevantes, possui ídolos, espaço na mídia e um grau de profissionalismo acima da média. E, mesmo com esses predicados, sofre bastante.

É um momento para reflexão para um futuro não tão distante. E o vôlei, até para manter os adjetivos citados acima, deve sentar em torno de uma mesa com os integrantes da cadeia produtiva, admitir falhas e buscar caminhos para corrigi-las. E transformar isso em um processo constante. Assim, terá mais chances de voltar a viver dias melhores.



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