Mexicali, dia 5: Hermanos no caminho do Brasil



Estão definidos os próximos passos da Seleção Brasileira na segunda fase do Campeonato Mundial sub-21, que está sendo disputado no México.

Neste domingo, o time comandado por Leonardo Carvalho passou pela China por 3 sets a 1 (26-24, 25-22, 23-25 e 25-22) e ratificou o primeiro lugar do Grupo C, em Mexicali.

O jogo foi parelho no início, com os dois times trocando viradas de bola, já que o bloqueio era um fundamento que pouco pontuava de lado a lado. Os chineses chegaram a ter 23 a 21 e depois atacaram para fechar a parcial em 25 a 23, mas desperdiçaram a chance. Com o jogo igual em 24, Rodriguinho então foi para o saque e fez um ace. Na sequência, quebrou o passe chinês com outro bom serviço e viu Douglas Souza fechar a parcial em um contra-ataque. Os asiáticos reclamaram muito, dizendo que a bola do ponta brasileiro não desviou no bloqueio, contestando demais a decisão da arbitragem.

Bola de meio com Robert (FIVB Divulgação)

Bola de meio com Robert (FIVB Divulgação)

Errando muito, o Brasil permitiu que a China abrisse logo de cara quatro pontos de vantagem no segundo set. Madaloz substituiu Caio na saída de rede, mas o principal problema seguia sendo a baixa efetividade do bloqueio. O estilo de jogo dos asiáticos, que até lembra um pouco o vôlei de 20 anos atrás, com muita variedade, velocidade pelo meio e bolas mais curtas para os ponteiros, dificultava a leitura do block brasileiro. O empate aconteceu graças a um fator citado nesta outra matéria: A afirmação de Rodriguinho. Uma passagem do camisa 11 pelo saque foi avassaladora, fazendo o time verde-amarelo chegar ao empate. E a virada aconteceu com dois blocks seguidos, um de Rômulo e outro de Douglas Souza. A partir daí o jogo mudou e o 2 a 0 foi confirmado após uma condução do central Zhang, que nesta altura já atuava como oposto.

O set final parecia uma repetição do anterior. Brasil começando lento, errando demais e permitindo que a China abrisse de cara 5 a 0. Com desvantagem de 17 a 12, Léo Carvalho inverteu o 5-1 com Pedro e Madaloz. Rodriguinho na sequência foi para o saque. E a diferença chegou a cair para dois pontos (17 a 15), graças também a bons contra-ataques de Douglas Souza. Mas os chineses não se abateram e fecharam em 25 a 23.

E sabe como começou o quarto set? Com a Seleção errando e dando a chance para a China jogar na frente do placar. Com 1 a 5, Léo Carvalho pediu o primeiro tempo. E na sequência trocou Douglas Souza por Leozinho. E o ponta entrou muito bem no saque e o Brasil empatou em 6 a 6. Daí em diante o jogo seguiu equilibrado, ponto a ponto.  Até o Brasil aproveitar nova passagem de Rodriguinho pelo saque, caprichar no contra-ataque e abrir 20 a 17. Daí foi administrar até fechar a partida em 3 a 1. Rodriguinho, com 15 pontos, foi o maior pontuador brasileiro.

Resultado até esperado. A surpresa ficou para a definição de dois dos três adversários da Seleção Brasileira na etapa seguinte.

– Foi um belíssimo jogo, com nível até de uma final de campeonato. Estou muito satisfeito com o desempenho do Brasil – analisou Léo Carvalho.

Na sede de Tijuana, a Argentina venceu a Polônia por 3 a 1, avançando como segundo colocada da chave que teve a Rússia como líder. E os hermanos serão os primeiros adversários do Brasil, na terça-feira,  às 18h (de Brasília).

Não deixa de ser uma daquelas curiosidades que o esporte proporciona. Na viagem da Cidade do México para Tijuana, na última segunda-feira, brasileiros e argentinos viajaram no mesmo voo. Nenhuma animosidade entre os dois lados, que fique claro. Mas também não vi nada de amistoso entre os dois elencos.

– Os argentinos têm uma equipe fortíssima, que se preparou bastante para esta competição. A Turquia tem se desenvolvido bastante nos últimos anos e venceu os três jogos que disputou neste campeonato. A Eslovênia é a seleção que temos menos informação, mas passou pela França e tem méritos na classificação. Eles contam com um oposto que é um dos melhores entre os juvenis na Europa – finalizou o técnico.

A outra zebra que vai cruzar o caminho brasileiro, na quarta-feira, às 21h (de Brasília), é a Eslovênia. Numa das preliminares aqui em Mexicali, vitória eslovena no tie-break sobre a França. Na estreia, eles já haviam roubado um set da Itália e deixado, pelo menos para mim, uma boa impressão. Outra coisa que chama a atenção é a promessa paga pelos jogadores pela presença no Mundial: todos tingiram o cabelo de vermelho e já até ganharam o apelido de “Pica Pau”. Toncek Stern, oposto de 2,00m, é um dos principais pontuadores da competição.

Os tingidos e satisfeitos jogadores eslovenos (FIVB Divulgação)

Os tingidos e satisfeitos jogadores eslovenos (FIVB Divulgação)

Por fim, o Brasil vai enfrentar no encerramento da segunda fase, na quinta, mesmo horário do jogo anterior, a Turquia. Os turcos saíram em primeiro lugar no Grupo A. Cá entre nós, o mais fraco da competição. Coincidência ou não, era o grupo do México, time da casa. Os demais integrantes eram Canadá e Egito. Osman Cagatay (não errei o sobrenome dele, não!) se destacou na primeira fase com 16 pontos de bloqueio.

– Uma lição que precisamos tirar para a próxima fase é entrar ligados nos sets, para evitar o que se repetiu em três sets contra a China. A falta de concentração pode nos custar caro. Não é sempre que você vai conseguir tirar cinco, seis pontos de desvantagem – analisou o levantador e capitão Cachopa.

Em tese, a Seleção se deu bem, já que no outro grupo da segunda fase estão Rússia, atual campeã e uma das das principais favoritas, Itália, China e Canadá. E agora o campeonato começa a dividir os meninos dos adultos.

 



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