Mexicali, dia 3: A confirmação de Rodriguinho



– Tenho certeza de que, em algum tempo, ele vai ser um dos grandes jogadores do voleibol brasileiro. Tem talento de sobra para isso.

A frase é do técnico Leonardo Carvalho, comandante da Seleção Brasileira sub-21. O jogador citado é Rodriguinho, ponta de 19 anos e 1,98m.

Há dois anos, o garoto carioca treinava pelo Fluminense, apesar de ser botafoguense de coração. Sonhava em ser jogador de vôlei, mas sabia que ainda estava bem longe de concretizá-lo. Naquele momento, o vôlei do estado era o atual campeão da Superliga masculina, com o poderoso RJX, time montado com grana de sobra pelo então empresário da moda Eike Batista. Um time de astros nacionais, que iria desaparecer, do nada, logo no segundo ano de existência do projeto. Na ocasião, os selecionáveis debandaram. De uma vez, Bruninho, Leandro Vissotto, Thiago Alves, entre outros, partiram. E o então time a ser batido lutou para sobreviver e disputar a competição nacional. E um moleque magro e esguio, com 17 anos, ganhava uma chance de fazer parte da equipe. Léo Carvalho era um dos assistentes de Marcelo Fronckowiak e viu de perto os primeiros saques e ataques de Rodriguinho numa equipe profissional.

– Ele era um meninão em 2013, muito infantil e fisicamente muito fraco. Rodrigo tinha uma condição física que nos preocupava nas Seleções de base. Não conseguia muitas vezes dar continuidade nos treinamentos, pois sofria muitas lesões – lembra Léo.

Mesmo muitas vezes tendo apenas oito atletas para relacionar para os jogos, o RJ Vôlei, nome do time sem o X e os milhões de reais de Eike, fez uma campanha digna naquela Superliga. E muito graças ao desempenho de Rodriguinho.

Rodriguinho na estreia contra Cuba (FIVB Divulgação)

Rodriguinho na estreia contra Cuba (FIVB Divulgação)

– Foi uma coisa que surgiu do nada. Estava quietinho lá no Fluminense e tive a oportunidade de jogar com o time adulto. Mas na vida muitas situações acontecem assim e você tem que saber aproveitar – analisa Rodriguinho, após ser um dos destaques do Brasil na estreia do Mundial, em Mexicali.

Mas a estrada até a chegada ao principal torneio da categoria foi tortuosa. No ano passado, Rodriguinho ficou fora do Sul-Americano da categoria após ter uma contusão no joelho, aquela preocupação física citada acima por Leonardo Carvalho. E o baque da ausência foi a melhor decisão forçada que ele precisou tomar.

– A lesão me ajudou a amadurecer e encarar o vôlei de uma outra forma – admite Rodriguinho.

– Nestes dois anos ele se transformou. Agora é um jogador atlético, com boa capacidade física. Na preparação deste ano, diria que ele teve uma das melhores performances físicas. Percebeu que, mesmo com todo talento que tem, se não crescesse fisicamente não iria conseguir jogar neste nível – reforça Léo.

Mais forte fisicamente e com a cabeça no lugar, Rodriguinho é um dos pilares da Seleção sub-21, que neste sábado enfrentará o Irã, às 23h (de Brasília). Fernando Cachopa, levantador e capitão do Brasil, é companheiro do ponta no Sada/Cruzeiro. E rasga elogios:

– Olha, jogo com ele desde 2013, e posso dizer que o Rodrigo é um jogador excepcional. Diria que ele é um dos mais completos da categoria de base.

Rodriguinho na ação de passe (FIVB Divulgação)

Rodriguinho na ação de passe (FIVB Divulgação)

Léo Carvalho é outro a encher a bola do ponta:

– Diria que o bom momento vivido pelo Rodrigo não é surpresa alguma. Ele tem um talento nato para atacar e sacar, certamente um dos melhores sacadores juvenis do mundo e já mostrou que pode desequilibrar jogos adultos.

Na próxima Superliga, o técnico argentino Marcelo Mendez pretende dar mais espaço para alguns jovens que já faziam parte do elenco cruzeirense. Um deles é o próprio Rodriguinho. Atualmente, ele tem como “rivais” pela posição o cubano Leal, o experiente Filipe e o canadense Winters, entre outros.

– Marcelo gosta de dar chance para os jovens. Sempre conversa com a gente, dá dicas, acompanha. Acredito que tem tudo para ser um ótimo ano para mim no Sada. Espero aproveitar as oportunidades que ele me der.

Por fim, Rodriguinho admite que Leal é um ídolo. E um exemplo no dia a dia. Pergunto o que ele, após enfrentar Cuba no Mundial, o que ele aprende com o companheiro cubano.

– Aprendo que tenho que treinar muito para chegar ao nível dele.

E sai rindo, como um menino de 19 anos, feliz da vida pelo momento que vive.

 

 



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