Mexicali, dia 1: DNA campeão



Três anos após fazer parte do time titular da Seleção Brasileira masculina na conquista do ouro na Olimpíada de Barcelona-92, o ex-central Paulão viveu um outro momento único na vida: o nascimento de Pedro. Nesta sexta-feira, em Mexicali, quase na divisa do México com os Estados Unidos, o primeiro filho do campeão olímpico estreia com o Brasil no Campeonato Mundial juvenil, diante de Cuba, buscando trilhar o mesmo caminho vitorioso do pai e ídolo.

Pedro antes do treino da Seleção, nesta quinta-feira (Daniel Bortoletto)

Pedro antes do treino da Seleção, nesta quinta-feira (Daniel Bortoletto)

Pedro tem 19 anos e 1,93m. É um pouco mais baixo do que Paulão – um central que tinha o bloqueio como principal característica – mas resolveu seguir a carreira no vôlei em uma posição bem diferente. Começou como ponta, mas foi convencido, por sugestão de Percy Oncken, um dos técnicos mais vitoriosos da base brasileira, a mudar e se transformar em levantador. Sempre contou com o apoio paterno para tomar precocemente decisões importantes na carreira, como escolher, aos 15 anos, se seguia carreira como meio-campista no futebol ou se partia definitivamente para o vôlei. E se lembra das dicas que recebeu em casa.

jukoski– Foi um processo complicado e lento. Estava ainda na Seleção infantil, demorou uns dois anos para ter a convicção de que era isso que eu queria. Meu pai e pessoas próximas dele me ajudaram. Ele sempre disse para eu ter paixão pelo que faço. Então fui fazer o que gosto mais. Temos uma relação saudável, nunca teve cobrança da parte dele por ser campeão olímpico. Sempre me apoiou em tudo – disse Pedro, ao LANCE!, antes do último treino do Brasil para a estreia.

Para conhecer a carreira do pai-atleta, que disputou as Olímpiadas de 1988, 1992 e 1996, Pedro passou horas na “videoteca” da família. Entre outras lições, tirou uma que marca a personalidade de Paulão:

– Acho que temos umas 500 fitas de vídeo. Vi bastante. Quando eu era mais novo, ele me mostrava. Meu pai sempre foi muito vibrante e conseguiu me passar isso. Sou apaixonado por vôlei muito por conta dele (abaixo um vídeo que achei no YouTube sobre a final. Quem a viu, como eu, pode relembrar os bons momentos. Já os mais novos serão apresentados a alguns craques do vôlei mundial)

Espelhado no pai e espelho para a irmã. O vôlei não corre apenas nas veias de Paulão e Pedro na família Jukoski. Pietra inspirou-se no irmão Pedro e começou a jogar aos 11 anos, no Rio Grande do Sul. No começo, jogava como central, a posição do pai. Há dois anos passou a atuar na ponta. E já foi até capitã da Seleção Brasileira infanto-juvenil e defende o Vôlei Nestlé, em Osasco.

– Acompanhei todo o começo dela, fui dando dicas, até mais do que meu pai, por ter mais liberdade. Nossa relação é de troca. É muito bacana ver hoje ela também na Seleção.

Bate-Bola com Paulão

  1. Como foi a escolha do Pedro pela vôlei na infância? E como vê a carreira dele agora, prestes a disputar um Mundial?
    Muito feliz por ele ter optado por jogar vôlei e por ver ele muito dedicado e crescendo. É emocionante ver ele indo para um Mundial, cara! É muito lindo!
  2. Quais características que você tinha como atleta e agora vê no Pedro?
    Ele tem bem mais fundamentos do que eu tinha. Passa, levanta, defende, saca bem. Mas acho que eu bloqueava um pouquinho mais (risos). O Pedro é um apaixonado também e sabe a importância de estar na quadra com a equipe, treinando e jogando.
  3. Quais lembranças você tem de mundiais de base? Qual a importância deste tipo de competição na sua carreira?
    Como comecei tarde no vôlei, não joguei campeonatos de base pela Seleção. Mas são muito importantes pelas experiências internacionais! Desafios e competições cada dia mais cedo são uma exigência dos clubes. E o vôlei brasileiro é hoje uma referência mundial.
  4. Como pai, quais dicas costuma dar ao filho?
    Dedicação e muito respeito pela equipe! A equipe é tudo. É um ambiente espetacular, competitivo mas, ao mesmo tempo de grandes amizades! Aprendizado para a vida de grande importância.
  5. Como ex-atleta, quais dicas costuma dar ao Pedro?
    Primeiro: muita dedicação aos treinos! E principalmente a leitura do jogo, tanto da equipe quanto dos jogadores que estão no dia a dia. Saber o que o adversário está fazendo e não dar bola  para o erro.

 



  • João Salles

    O Pedro joga na equipe juvenil do Funvic Taubaté/ SPFC.

  • Marciano

    Ótima entrevista. Que ele seja vitorioso como o Pai.

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