Mari Paraíba: “Não dá para ser meia-boca entre as melhores do país”



Um traço da personalidade de Mari Paraíba fica mais claro na leitura da frase que ilustra este texto. Ela não é muito de rodeios, clichês e frases feitas. Talvez por isso tenha arrancado elogios de José Roberto Guimarães, que convocou pela primeira vez a ponta de 29 anos para a Seleção Brasileira em 2015, após a boa temporada feita pelo Minas, semifinalista da Superliga.

O treinador destacou a forma com que ela chegou ao grupo, dois meses atrás, para treinar em Saquarema. Não se intimidou com a concorrência, ambientou-se rapidamente, chamou a responsabilidade em jogos amistosos contra o Japão e ganhou um lugar no elenco que disputou a primeira etapa do Grand Prix, na Tailândia. Ontem, foi titular pela primeira vez no Pan de Toronto, na vitória por 3 a 2 sobre os Estados Unidos.

Mari joga primeira temporada na Seleção adulta (Divulgação)

Mari joga primeira temporada na Seleção adulta (Divulgação)

– Estou podendo sugar muito das meninas mais experientes do nosso grupo, desde os primeiros treinos. Existe aqui um ambiente tranquilo pra trabalhar e isso faz total diferença também. Tudo o que posso fazer para melhorar estou fazendo. Eu coloquei na cabeça que a cada dia, apesar da rotina cansativa de treinos, viagens e jogos, preciso dar o meu máximo. Sempre. É isso que estou tentando fazer a cada dia. Só assim vou conseguir. Tenho o objetivo de evoluir e sei que aqui a concorrência é dura. O que eu puder fazer para me destacar entre elas eu vou fazer – disse Mari, em entrevista ao blog.

Nestes dois meses de convivência com a Seleção, Mari diz ter aprendido uma importante lição:

– Nunca baixar a guarda. Aqui você precisa estar sempre 100%. Se não render em um fundamento você precisa render em outro para compensar.

E foi exatamente isso que ela fez ontem, diante das americanas. No ataque, Mari estava com dificuldade para pontuar. Colocou no chão apenas três de 29 bolas que recebeu, terminando a partida com cinco pontos. Mas teve 72% de aproveitamento no passe, além de ter sido a terceira melhor defensora brasileira.

As boas atuações na última temporada também ajudaram Mari a não ser mais “apenas aquela jogadora que posou para a Playboy”. Há exatamente três anos, ela estava na capa da revista masculina. Ganhou fama, um bom dinheiro, como ela mesmo reconhece,  foi entrevistada em programas de entretenimento nas principais TV´s do país, ganhou reconhecimento nacional e um peso extra de mostrar em quadra que não tinha apenas beleza. Admite ter sofrido bastante até entender a situação e saber contorná-la. (confira fotos da jogadora): Galeria Mari Paraíba

– Meu objetivo nunca foi ser uma musa.

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Mari também não fica em cima do muro quando o assunto é medalha no Canadá. Semifinalista ao lado da República Dominicana, a Seleção aguardo seu adversário para disputar uma lugar na decisão.

– Eu me imagino com ela. Espero voltar para o Brasil com uma medalha no pescoço.

E, para isso, também tem um “assistente” particular. O irmão Daniel abandonou há pouco mais de um ano a carreira como levantador. Era reserva de William, no Sada/Cruzeiro. E agora trata de dar dicas para a Mari. No Ibirapuera, na segunda etapa do GP, ela não jogou e acompanhou jogos, um deles ao lado do irmão.

– Ele me dá muitos conselhos. Vendo os jogos, ele me fala: “Nessa bola ruim, se vier assim pra você, é preciso tomar tal decisão”. Ele me passa dicas, desde a época  em que jogava – admitiu Mari.

Em contato com o blog, Daniel explicou sua “função” na melhor fase da carreira de Mari.

– Sempre dei conselhos pra ela, sou o irmão chato, sabe? (risos). Estava falando exatamente com ela, quando vi seu e-mail. Sempre mandei e mando mensagens no dia seguinte ao jogo, ou logo depois do jogo, falando o que ela tinha que melhorar, o que ela fez bem e pode ser melhor. E quando encontro com ela, não tem jeito, só espero uma brecha e começo a falar sobre vôlei (risos). Pelo tempo que joguei e convivi com tantos jogadores da posição dela e técnicos deu pra aprender alguma coisa. E ainda mais no vôlei feminino, em que a técnica acho que é mais importante que a força, tento passar para ela a importância de ter recursos técnicos para resolver situações mais complicadas de jogo e facilitar sua virada de bola, pois ela não sendo tão alta (1,80m), necessita ter mais habilidade – explicou Daniel.

Daniel defendia o Sada/Cruzeiro (Divulgação)

Daniel defendia o Sada/Cruzeiro (Divulgação)

Sobre a evolução da irmã, ele indica a passagem pelo vôlei de praia como primordial para a melhoria:

– Acho que ela melhorou em dois pontos cruciais que o tempo no vôlei de praia ajudou muito: Um foi a habilidade técnica, o uso de mais recursos principalmente no ataque. E o outro foi seu controle emocional, a segurança dela em quadra está maior. No tempo que jogou na praia, era ela e mais um, não tem reserva, ou você vai bem ou vai ser massacrada. Então, acredito que ela aprendeu a controlar melhor esse emocional, e depois de tantas experiências extraquadra, ela viu que é na quadra que ela mais se identifica e confiante que é isso que ela faz de melhor, junto com sua experiência que também conta.

Por fim, ele entrega o “segredo do sucesso” de Mari:

– Ela é paraibana, mas come quietinho igual uma boa mineirinha!



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