Mari Paraíba fala sobre convocação, futuro, rótulo de musa…



Mari Paraíba irá se apresentar à Seleção Brasileira na próxima segunda-feira, em São Paulo, ao lado de Monique, Bárbara e Suelle (leia aqui a notícia antecipada ontem pelo blog http://blogs.lancenet.com.br/volei/2015/04/23/mari-paraiba-tera-chance-na-selecao/). Antes, curte alguns dias de folga com a família, na terra natal.

Por e-mail, ela respondeu, na manhã desta sexta-feira, algumas perguntas sobre a convocação, fez um balanço da temporada, da parceria com Jaqueline e Naiane, além de confirmar o destino na próxima temporada. Confira:

Melhor fase da carreira rendeu chance na Seleção (Divulgação)

Melhor fase da carreira rendeu chance na Seleção (Divulgação)

1 – Como você recebeu a notícia da convocação? Já chegou a falar com o Zé Roberto ou alguém da comissão técnica?
Recebi a notícia primeiramente pela supervisora do Minas, a Patricia Axer, na quarta-feira, antes de vir para a Paraíba ver a família. Não cheguei a falar com ninguém da comissão técnica ainda.

2 – Recebeu mensagens ou telefonemas de outras jogadoras?
A Jaque me ligou dando os parabéns. As meninas do Minas, a comissão técnica e a supervisão me parabenizaram também.

3 – Em algum momento da carreira achou que isso não iria mais acontecer?
Já passou pela cabeça sim, mas sempre tive meus pes no chão. Se tivesse que acontecer, aconteceria. Tudo tem seu momento e hoje vou ter uma oportunidade.

4 – Pelas estatísticas da CBV, você é a sexta melhor atacante e a oitava melhor passadora (as outras sete são líberos) da Superliga. Dá para cravar que você vive o melhor da carreira na quadra?
Acho que venho numa evolução. Também acho que posso evoluir e aprender muito mais. Não quero parar aqui. Quero evoluir mais.

5 – Ter atuado ao lado da Jaqueline nesta temporada ajudou de que forma no seu desempenho?
sempre admirei muito a Jaque e acho que ela contribuiu bastante, me ajudou muito. Era alguém que eu podia ter do lado para me espelhar e aprender.

6 – Queria que falasse um pouco da Naiane, talvez a maior revelação da última Superliga.
Joguei com a Nai em Macaé, ela tinha 15 anos, se não me engano, e chegou para ser a terceira levantadora. Quando cheguei ao Minas lá está ela de novo, só que com 20 anos e contratada pra ser a terceira levantadora também. De repente, de uma hora pra outra, ela está de primeira levantadora. Acho que nem ela mesma acreditou (rs). A Naiane é uma das promessas do nosso vôlei, jovem e alta e com uma técnica que pode ir longe. Levou nosso time numa pressão que foi imposta a uma menina de 20 anos e jogando sua primeira Superliga. Ela está de parabéns. Acho que tem muito para crescer e ser uma grande levantadora.

7 – De alguma forma, você já se incomodou ou ainda se incomoda com o rótulo de musa do esporte?
Já me incomodou sim, hoje sei lidar melhor. As pessoas falam muito sobre o que não sabem e acreditam que seja a verdade. Isso sempre me incomodou! Mas nós amadurecemos e aprendemos a lidar com a vida e as pessoas, graças a Deus.

8 – Seu contrato com o Minas já está renovado? O que pode falar sobre o futuro?
Meu contrato já está renovado com o Minas.

9 – Para encerrar, tem algum palpite para a final entre Rexona e Molico, domingo?
Eu acredito que será um grande jogo, sem favorito!!! Eu torço pra que seja mais uma grande final de voleibol.



  • Aline

    A vida de atleta é curta e incerta, um dia se está no céu, outro no inferno. A carreira de MariPB é um turbilhão, já se destacou, na quadra, foi pra Praia, já desistiu do vôlei e voltou, e agora está num ótimo momento da carreira.
    Porém, cada atleta tem suas prioridades,BIA fez uma excelente SUPERLIGA e está à frente de FABIANA e THAÍSA, titulares da seleção, no ranking de bloqueio.Acontece que na última convocação BIA pediu dispensa da seleção brasileira por motivos particulares, estudante de Engenharia, por enquanto as prioridades dela são outras.Veja o depoimento que Ana Margarida Vieira Álvares deu a ISTO É, e entenda os motivos da BIA: IDA, CENTRAL/OPOSTO-PASSADORA da seleção brasileira, na época que CENTRAL e OPOSTO também sabiam PASSAR.E também JOGADORA DE VÔLEI DE PRAIA. CAMPEÃ MUNDIAL em 1991 pela SADIA e em 1994 pelo LEITES NESTLÉ. MVP DO MUNDIAL 1991. BRONZE nas OLIMPÍADAS DE ATLANTA-1996.Atualmente, está como comentarista da REDE TV, IDA lutou para repetir fora das quadras o sucesso que obteve dentro delas. Solteira,sem emprego fixo,mãe de duas filhas,ela diz que não aprendeu a dar continuidade à carreira depois da aposentadoria como atleta. “Ninguém quer saber se você está preparada para o que vem pela frente”. Hoje,o suor e a gana de vitória são mais necessários do que nunca.Ida já falou com muita gente importante do mundo do esporte e fora dele,pediu emprego sem cerimônias,mas esbarrou na mesma dificuldade de muitos brasileiros:a falta de qualificação.Por isso,solta o verbo contra o baixo investimento em educação para Esportistas.“Eu não quero me fazer de coitada, mas é uma realidade do País. O que está sendo feito desses atletas?”Nós não tivemos tempo para estudar.E ajuda para estudar? Alguém ajuda o atleta com bolsa, algo assim?O que faltou foi mais:educação,preparação,um diploma?Você precisa ter qualquer formação superior para trabalhar,e eu não tenho.Tudo é difícil.Quando paramos de jogar, saímos meio perdidas. Você passa a época mais importante da sua vida, que é uma época de formação profissional, de colegial, faculdade, ralando muito e no auge do alto rendimento esportivo.Jogando na seleção a mil por hora, não dá para estudar. Eu parei com 37 anos e uma filha recém-nascida. Tudo fica difícil. Quando você para, o tempo passou e você pergunta: o que eu vou fazer? Para onde vou? Como vou? Quem vai me ajudar? Nós somos máquinas durante um tempo. Somos máquina de trabalho, de treinar, de jogar, e depois acabou? Acabou, tchau. Ninguém quer saber se você está preparada para o que vem pela frente.Alguém da confederação lhe procurou para saber como está ou oferecer ajuda?Ninguém me pergunta, ninguém me liga. Ninguém quer saber se você está bem ou não. Outro dia falei com o Ary (Graça, presidente da CBV). Disse: “Ary, me separei, estou sem trabalho, precisando, estou ruim”. Ele falou: “Ah, vai lá pro Rio”. Eu quero ir, mas não sei qual é o critério para trabalhar com a Confederação. Se for medalha, eu tenho medalha também. Eu quero participar, mas quero produzir. Não quero viver de ser ex-atleta. Esse meio do voleibol é muito fechado. Parece que as pessoas têm medo de dar oportunidade.Tem dias que eu acordo de manhã e penso: “O que vou fazer hoje?”.E não é só pelo dinheiro em si. Eu preciso produzir. Já inventei milhões de coisas, já fui fazer até curso de depilação no Senac. Já pensei em vender meu carro e montar casa de depilação.Mas eu nunca trabalhei com comércio. Fica tudo perdido, solto, e ao mesmo tempo você tem filho para criar. Quero ter uma oportunidade de trabalho. Estou há dois anos sem emprego fixo, mas com um bico aqui, uma clínica ali. Não passo dificuldades, não sou coitada. Mas minhas contas são justas.Eu adoraria treinar uma equipe. Não precisa ser de ponta. Pode ser juvenil, um time que tenha um trabalho de base legal. Já fui técnica, tenho Cref (registro no Conselho Regional de Educação Física) para voleibol e cursos da CBV. Aí eu liguei para o Montanaro (ex-jogador e gerente do time do Sesi), mas não rolou. Ele disse que eu precisava de curso de educação física e que a única exceção era o Giovanni (Giovanni Gávio, ex jogador da seleção). Falei para ele que eu tinha curso e experiência como técnica. Mas não deu. É um mercado muito fechado, entendeu? A Unip não me deu a bolsa para fazer EDUCAÇÃO FÍSICA. Pedi a bolsa porque estudei lá e conheci muita gente. Meu ex-marido, pai da Agatha, foi professor do Objetivo por uns 300 anos. E o Di Genio (Antonio Di Genio, empresário dono da Unip) sempre investiu no esporte. Pensei: “Vai ser fácil.” E quando negaram, pensei:”Não, não é possível.” Nem sei se o Di Genio soube disso. Saí de lá muito chateada. Já é duro você pedir, é chato. Eu pedi estudo, pedi formação em uma área em que qualquer professor gostaria de ter um atleta olímpico. Pedi bolsa para o curso de educação física e fiquei muito chateada. Não é pela Unip, mas por tudo. A gente joga a vida inteira e, na época de formação, não tem ajuda de ninguém. O que vale tudo o que você fez?Estou correndo atrás. E quero mostrar que saímos com dificuldade, saímos da vida de atleta sem diploma nas mãos. Qualquer empresa pede isso hoje. E isso tem que ser revisto. Quando você vai para a seleção, não escolhe as pessoas que estão do seu lado. É comando. Não é fácil. Cada um vem de uma cidade diferente, de cultura diferente, educação e formações diferentes. Mas o objetivo em comum mantém o foco. Depois que acaba, cada um vai para o seu lado. Não é aquele negócio da sua turma da faculdade que vai ser importante na vida. Você não sai com amigos, eles vão seguir o caminho deles. Hoje estou fazendo novos amigos, e fico muito feliz com cada amigo que faço.Ser atleta de ponta não é um mundo encantado?Não quero desvalorizar tudo que fiz. A questão é: quais são os pontos bons e ruins? Tem um preço que a gente paga. Vou te contar uma coisa. Quando eu tinha 15 anos, fui convocada para a seleção brasileira juvenil que ia para o Mundial. Tínhamos que ficar concentradas uns quatro meses em Campinas. E eu estava começando a namorar. Quando fui convocada, meu pai achou o máximo. Eu achei legal, mas não queria muito ir. Mas como eu iria decepcionar meu pai? Eu não queria estar lá, e comecei a treinar mal de propósito para ver se me cortavam. Aí chegava na hora e eles não me cortavam. E eu pensava: “Como não me cortaram?”. Mas a ordem era para a Ida não ser cortada. Aí um dia eu cheguei para o técnico do meu clube, chorando, e falei que não queria estar lá. Só então fomos pedir dispensa. Com 15 anos, era para eu estar com os amigos e não concentrada por meses. Não me arrependo de nada, ganhei muito, me diverti muito. Mas também perdi muito. São escolhas. Não é esse mundo encantado, e isso precisa ser falado.

    • No Sada e no Rexona, mais da metade dos jogadores estuda. Filipe tem curso superior, Fabi também, Amandinha… hoje em dia muitos atletas estão recorrendo aos estudos pra garantirem seus futuros fora de quadra. Esse pode ser o motivo pelo qual a Bia, do Sesi, tem rejeitado as convocações.

      • Neide

        Com certeza, vida de atleta passa e o mercado está cada vez mais exigente. É necessário estudo, qualificação profissional. Bia faz Engenharia e provavelmente a família deve ter influenciado para que ela invista na sua formação profissional, na sua educação enquanto é nova.

        • Tem quem concilie estudo e vida de atleta, como a Fabizinha, o Douglas, a Amandinha…

          • Leo

            Amanda tinha tempo pra estudar, pois só entra pra sacar em todos os jogos…rs. Essa tem que largar a vida de “atleta” e tentar uma outra carreira, porque como jogadora…

        • Um dos planos da Mari, se ela não voltasse a jogar, era de fazer faculdade. Tem entrevista dela no SporTV (procure no YouTube por “Tá Em Casa com Mari Paraíba”); ela fala sobre essa intenção.

    • Rafael

      Depoimento corajoso dessa fantástica jogadora Grande IDA.
      o que ela relatou deve ter acontecido com a grande maioria dos atletas: largam os estudos para se sacrificarem pelo esporte, pelo amor de vestir a camisa, disputar campeonatos e ouvir o hino nacional.
      Fiquei realmente comovido e infelizmente essa é a nossa triste realidade…realidade de um país sem cultura esportiva…
      desejo boa sorte a essa guerreira, mãe de dois filhos!

    • Edu II

      Tem um jogador da seleção de handebol que conheço que hoje joga na Espanha e que recebia muitos convites para jogar fora desde dos 20 anos.No entanto, esperou concluir integralmente seu curso na politécnica da USP, considerado o melhor do país, para começar a aceitar as ofertas .A situação é a seguinte:quer estudar vai em frente.O Socrátes se formou em medicina na USP de Ribeirão Preto e conciliou com o inicio de sua carreira de jogador de futebol profissional.Nos EUA ficou proibida a contratação de jogadores que não tenham pelo menos iniciado seu vinculo universitário.Na prática, se ele tiver ofertas tentadoras ele tem garantido um piso minimo razoável para abdicar temporariamente de sua educação pessoal.O que percebo no Brasil e que existe uma certa negligência quando os atletas começam a se destacar de forma pública.Certas faculdades, se os atletas quiserem, até facilitam o desenvolvimento do curso e remanejamento das provas numa permuta com sua imagem.A temporada de volei é de apenas seis meses.Sendo três praticamente em períodos de férias então se existe a verdadeira vontade em fazer o curso superior se encontra uma saída.Respeito e acompanhei a carreira da Ida e até infelizmente a achei precocemente muito envelhecida.Talvez pelas dificuldades relatadas.Mas ela já tinha experiencia previa do que ocorria com essas atletas ao aposentarem de suas carreiras.Para mim é inadmissível uma Vera Mossa sobreviver de um pequeno comércio em Campinas.Uma jogadora que tem um filho adulto, com mais de 40 anos,portador de necessidades especiais e que tem a situação de viúva desse dependente.Hoje a CBV também parece ser um cabidão de empregos para ex-atletas e infelizmente não acharam um lugar para a Ida nessa boquinha.

    • Edu

      Apenas a critério de contribuição cabe ao atleta também como priorizar o seu dinheiro e gastar no que acha mais útil para sua carreira e a sí.Tem um atleta que foi pedreiro na sua adolescência para sobreviver e anda num carro, comprado com seu esforço,mérito e suor, de mais de 350 mil reais.

  • libia

    Daniel boa tarde!

    E o eder e o winters acha que devem renovar com o sada cruzeiro?

    Obrigada

    • Daniel Bortoletto

      não tenho informação. mas acho mais fácil acertar com o central

  • Renato

    Boa tarde Daniel,

    Tem notícias do Marcelinho, se ele continua no sesi?

    • Daniel Bortoletto

      não tenho, Renato. com a diminuição do orçamento, os que restaram estão negociando

  • Edu

    Bacana a convocação da Mari paraiba, ela mostrou muita evolução e mereceu ser chamada. E me pareceu estar ciente dessa evolução e querer melhorar. torço muito pelo seu sucesso, me impressionei com sua crescente no ataque essa temporada. Isso é pras pessoas aprenderem a enxergar que as coisas nao são tão estanques, torcedor de vôlei principalmente tem muito disso, se tal jogador nao estourou com x idade ou foi mal em alguma temporadas, nao serve mais. E nao e assim, existe o trabalho, a evolução. Nem todo mundo é um talento nato que vai estourar rápido.

    • No caso da Mari, que tem 28 anos, a tendência é de evolução. Diferente do Lorena, por exemplo, que esteve no auge entre 2009 e 2012, depois caiu de produção.

  • SAULO

    Não entendo porque incomodar-se com o rótulo de musa. Seria preferível um rótulo depreciante?

    • No caso dela, por despertar desconfiança do técnico e do grupo onde ela atua. Acaba sendo rotulada de um tanto de coisa negativa.

    • Procure no YouTube que vai ver uma entrevista dela à repórter Monique Danelli, da TV Esporte Interativo (que, aliás, foi sabotada pela Claro neste mês). Ela fala sobre essa rotulação.

    • Rômulo

      Seria preferível rótulo nenhum, mas se for pra ter, que pelo menos seja algo referente ao trabalho e à performance no vôlei (que é o que mais tá chamando atenção hoje em dia, felizmente).

  • jose herbert arujo

    Imaginem quantas Ida’s não existem no Brasil. De todas as gerações. Algumas se derão bem, mas muito raro. E fico pensando, meu Deus como deve ser triste vc treinar, se concentrar, jogar, ganhar, perder, ser campeão pelo seu país, se entregar intensamente e mais tarde cair no mais profundo ostracismo. Sem apoio até da confederação que ganhou tanto($) às custas do atleta.

  • Antônio junior

    Gosto de ver o jogo da Mari. Gostaria de ve-la agora atuando no molico ou rexona pra ver o que ela renderia em um nível mais elevado.

    • Ela começou a carreira no BCN (atual Molico). Talvez se não tivesse sido tão sabotada na carreira estaria lá até hoje. Mas PARA NOOOOOOOOOOOOSSA ALEGRIAAAAAAAA!!!, ela seguirá no Minas.

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