Mara, uma vencedora, mais perto do sonho de criança



Mara atualmente defende o São Caetano (Divulgação)

Mara atualmente defende o São Caetano (Divulgação)

O São Cristóvão/São Caetano foi o oitavo e último classificado para os playoffs. Nesta sexta-feira, abre as quartas de final contra o Rexona-Ades, melhor equipe da Superliga até aqui. Franco atirador, o time do ABC tem algum motivo especial para ser observado neste confronto desigual de forças? A resposta é sim.

Prestem atenção na meio de rede Mara, ainda jovem (24 anos), com potencial para evoluir e que já até passou, sem destaque, pelo time carioca. Nas estatísticas de bloqueio da atual competição, ela ocupa o sétimo lugar, com aproveitamento de 25,89%. À frente dela, “apenas” as torres gêmeas Thaisa, em sexto, com 26,10%, Fabiana, em quarto, com 26,60%, além de Bia (Sesi), Adenízia (Molico/Osasco), Carol (Rexona) e Letícia Hage (Dentil/Praia Clube).

O blog apurou que o desempenho nesta Superliga está sendo observado pela comissão técnica da Seleção e pode até render uma chance para Mara, longe de ser uma gigante para a posição (1,89m), com a Amarelinha em 2015, já que José Roberto Guimarães terá de convocar dois times diferentes para conciliar Grand Prix e Pan-Americano de Toronto.

Mara tem uma daquelas histórias inspiradoras de vida. Lembro de uma reportagem feita pela minha esposa, no jornal Estado de Minas, anos atrás, quando ela acompanhou a central durante todo um dia, em Belo Horizonte.

A matéria revelou que Mara, aos 14 anos, saía de casa, na zona rural de Sabinópolis, na Grande BH, às 4h30 da manhã para estudar e treinar pelo juvenil do Mackenzie, que fica no bairro Santo Antônio, na capital. Ela precisava caminhar meia hora no escuro em uma trilha cercada pelo mato até chegar ao ponto de ônibus, numa rodovia federal, em Sabará. Ao fim do dia, ela somava 22 quilômetros de caminhada entre casa, clube e escola, já que não tinha dinheiro para cumprir todo o trajeto de ônibus. Para comer, tinha ajuda de um dono de restaurante e integrantes da comissão técnica do Mackenzie. O retorno para casa acontecia por volta das 23h30. E no dia seguinte tudo se repetia. Quando chegou ao time adulto, passou a morar na casa de uma diretora do clube, Leonésia, uma ex-jogadora da Seleção na década de 60, para acabar com a maratona diária.

Mara é uma garota que venceu muitos desafios pelo sonho de ser jogadora profissional de vôlei. E sempre teve como meta a Seleção Brasileira, como destacou naquela mesma matéria. E parece que, depois de dez anos das longas caminhadas e dificuldades para sobreviver, o desejo que sempre pareceu distante para Mara está bem próximo de ser concretizado.



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