Líderes vencem, Gabi volta, Tiffany MVP: a abertura do returno



O segundo turno da Superliga feminina começou boas histórias humanas, favoritismo confirmado dos líderes e aumento da briga por vaga nos playoffs.

No Ginásio do Tijuca, a vitória do vice-líder Sesc sobre o lanterna Sesi por 3 a 0 (25-20, 25-14 e 25-13) foi óbvia. A não ser pela presença da ponta Gabi em quadra. Recuperada de uma cirurgia no joelho, a ponta fez a estreia na temporada.

Ela entrou no segundo set, no lugar de Drussyla, e não saiu mais. Gabi terminou a partida com três pontos: um no saque e dois no ataque, após cinco bolas recebidas. Ela ainda cometeu um erro e foi bloqueada uma vez. Números discretos, mas que dizem pouco quando a principal notícia é a presença da selecionável em quadra após longa ausência. Peña e Vivian foram as maiores pontuadoras (11 acertos), enquanto a levantadora Roberta ganhou o VivaVôlei Cimed.

Gabi de volta contra o Sesi (Divulgação)

– Acho que eu nunca tive uma sensação de tanto nervosismo para um jogo. O Bernardo me avisou no segundo set que eu entraria, e meu coração começou a disparar. É engraçado, porque eu estou acostumada a jogar momentos difíceis, diante de outras responsabilidades. Mas hoje foi uma sensação completamente diferente. Estou muito feliz de conseguir jogar, conseguir fazer o primeiro ponto depois da cirurgia e sem dor nenhuma, isso é o mais importante. Agora é só alegria – disse Gabi.

Outra atleta com uma noite especial foi Tiffany. A primeira transexual brasileira a disputar a Superliga feminina foi eleita a melhor em quadra na vitória do Bauru sobre o Pinheiros por 3 a 1 (25-18, 25-22, 24-26 e 25-16), no Ginásio Panela de Pressão, no interior paulista. A oposto marcou 25 pontos, 24 deles no ataque.

– Após a derrota para o São Caetano nos reunimos e nos cobramos. Sabíamos que precisávamos mostrar mais união dentro de quadra e foi o que fizemos e fomos felizes – comentou Tiffany.

Tiffany se destacou pelo Bauru ontem (Divulgação)

Certamente a cada rodada com boa atuação de Tiffany a discussão  aumentará. E é normal que isso aconteça, já que existem poucos parâmetros de situações parecidas de uma atleta que mudou de sexo e disputou competições masculinas e femininas na carreira. Para o Bauru o que importa é que a boa atuação de Tiffany deixou o time mais perto do G8 (veja abaixo).

Já o líder Dentil/Praia Clube segue sua marcha invicta na Superliga. Em casa, triunfo tranquilo sobre o Renata Valinhos/Country, por 3 sets a 0, parciais de 25-13, 25-20 e 25-13. A central Fabiana ganhou o VivaVôlei Cimed após marcar 15 pontos.

Foi o 12º triunfo do time mineiro na temporada 2017/2018 da Superliga.

– Acredito que alcançamos nosso objetivo, que foi somar os três pontos nesse início do segundo turno. Porém, não saímos tão satisfeitas, pois sabemos que cometemos erros e paramos em alguns momentos em que não podíamos. Apesar disso, abrimos vantagem e saímos com a vitória. Estamos buscando, cada vez mais, explorar o meio de rede e jogar com nossas centrais. Precisamos abusar disso um pouco mais e crescer no segundo turno – comentou a bicampeã olímpica.

Quem também venceu foi o Vôlei Nestlé. Neste caso, de virada. Após perder o primeiro set para o Hinode/Barueri, o time de Osasco virou para 3 a 1: 19-25, 25-13, 26-24 e 25/10.

Foi a segunda vitória da equipe de Luizomar de Moura sobre a de José Roberto Guimarães em quatro dias. A outra havia acontecido pelas quartas de final da Copa Brasil. Os dois times ainda demonstram muita irregularidade. Mas a de Barueri, principalmente no ataque, é bem preocupante.

Ninkovic recebe bola de Fabíola contra Barueri (Divulgação)

A sérvia Ninkovic foi eleita a melhor em quadra após marcar 14 pontos, cinco de bloqueio. Edinara e Tandara foram as maiores pontuadora do duelo, com 16 cada.

– É meu primeiro troféu individual com o Vôlei Nestlé e estou muito feliz, especialmente porque é o último jogo em nosso ginásio neste ano – comentou a sérvia.

Já a surpresa da rodada aconteceu no ABC Paulista. O São Cristovão/São Caetano passou pelo Camponesa/Minas no tie-break, parciais de 25-18, 16-25, 25-22, 16-25 e 15-10. A americana Hooker foi o desfalque das visitantes, que tiveram Rosamaria como maior pontuadora: 20 acertos. Pelo time da casa, Sabrina (18), Fernanda Tomé e Sonaly (15) foram decisivas.

Por fim, mas não por isso menos importante, o Fluminense abriu o returno com vitória fora de casa sobre o BRB/Brasília, de virada, parciais de 22-25, 25-22, 25-15 e 25-11. Thaisinha ganhou o troféu de melhor em quadra.

E é bom ressaltar a excelente campanha do Tricolor até aqui. São 22 pontos, oito vitórias e quatro derrotas, à frente de Minas e Barueri, atrás apenas de Praia (36 pontos), Sesc (31) e Vôlei Nestlé (25).

CLASSIFICAÇÃO

1) Dentil/Praia Clube – 36 pontos (12 vitórias)
2) Sesc – 31 (11)
3) Vôlei Nestlé – 25 (8)
4) Fluminense – 22 (8)
5) Camponesa/Minas – 22 (7)
6) Hinode/Barueri – 18 (6)
7) Pinheiros – 18 (6)
8) São Cristovão/São Caetano – 16 (6)
9) Bauru – 16 (4)
10) BRB/Brasília – 7 (3)
11) Renata Valinhos – 4 (1)
12) Sesi – 1 (0)



  • L. Mesquita

    Uma coisa era certa, o FLUMINENSE iria ganhar de qualquer jeito devido a enorme superioridade técnica perante ao BRASILIA, até por isso, acho que essa certeza da vitória fez com que o FLU entrasse “PREGUIÇOSO” para o confronto, mas também quando acordou para o jogo foi uma massacre total com 25×15 e 25×11.
    Agora vexame mesmo deu o BARUERI mais uma vez perante ao NESTLÉ fechando o jogo com um humilhante 25×10. Não dá pra comparar as centrais do NESTLÉ,BIA e NINKOVIC, com as CENTRAIS do BARUERI, FRAN e FÉSIS.
    FABÍOLA jogou muito bem com as centrais que não desperdiçaram ataque, enquanto isso a FÉSIS só errava. O VIVA-VÔLEI foi muito bem dado à NINKOVIC que sacou, atacou e bloqueou muito bem. Pra mim, FABÍOLA, BIA e NINKOVIC foram os maiores destaques do NESTLÉ. Aos críticos da NINKOVIC, eles deveriam ter assistido a partida de ontem para ver a importância dela para o time… As atacantes de BARUERI estavam errando acima da conta devido à grande atuação do bloqueio do NESTLÉ comandado pelas centrais NINKOVIC e BIA.
    Agora o BARUERI é um time sem atacantes, com exceção da EDINARA mais NINGUÉM vira bolas naquele time, nem SUELLE, nem JAQUE, nem FÉSIS, nem FRAN, ninguém vira bola, EDINARA SOBRECARREGADA!!!
    Pela primeira vez começando a partida como titular no BAURU, TIFANY já marcou 25 pontos, um set inteiro. Dessa vez o técnico FERNANDO BONATTO entrou com o trio de ponteiras PAULA, PALACIOS e TIFANY e deixou a DAYSE no banco, com isso o poder de ataque do BAURU pelas pontas aumentou consideravelmente. Em relação à pergunta sobre a recuperação do BAURU, creio que não só a TIFANY, mas a nova formação com PAULA PEQUENO, YONA PALACIOS e TIFANY pelas pontas vai dar um gás novo para o BAURU nesse returno. TIFANY é muito mais atacante e decisiva que DAYSE e juntando-se com PAULA e PALACIOS o potencial ofensivo de BAURU pelas pontas aumenta consideravelmente. Se jogasse com essa formação a última partida do turno, o BAURU teria se classificado para a COPA BRASIL. Creio que o time suba de produção nesse returno.

  • #Volei #SPFC #Speed

    Daniel, já podemos considerar Minas e Barueri como decepções desta Superliga, dado o investimento feito nos dois elencos e o voleibol aquém do esperado apresentado por ambos?

    • Daniel Bortoletto

      estão devendo sim

  • Marcos Rsilva

    bizarro, por isso o esporte feminino não é valorizado, agora um traveco joga entre as mulheres, querem de todo jeito nos fazer aceitar a a berração que é a homossexualidade normal mas basta ir ao banheiro evacuar pra saber a função do ânus.

    • Jostein Pop

      Se fosse anormal não existiria. Simples assim. Se existem pessoas assim é porque tem existem motivos biológicos, genéticos, etc. Você pode questionar a participação dela em um torneio feminino, mas achar anormal uma trans é falta de visão de mundo. E quando a função dos órgãos, você beija alguém? Porque a boca foi feita para comer e falar, e não para beijar.

  • AfonsoRJ

    Ana Paula Henkel:
    “Muitas jogadoras não vão se pronunciar, com medo da injusta patrulha,
    mas a maioria não acha justo uma trans jogar com as mulheres. E não é.
    Corpo foi construído com testosterona durante toda a vida. Não é
    preconceito, é fisiologia. Por que não então uma seleção feminina só com
    trans? Imbatível”, escreveu a ex-atleta do Brasil nas Olimpíadas de Barcelona-1992 e Atlanta-1996 no vôlei, além de Atenas-2004 e Pequim-2008 no vôlei de praia.

  • L. Mesquita

    Falar mal da Tifany é fácil, queria ver alguém se por no lugar dela. Quantas vezes na vida Tifany já deve ter sido humilhada e rejeitada por não poder ser reconhecida como mulher que é?
    Ela não é nenhuma aberracao como alguns cruelmente a apedrejam, Jesus Cristo nunca a apedrejaria, ao contrário, desafiaria a quem se considera perfeito fazê-lo. Ninguém precisa ser fã da Tifany, basta respeita-la como ser humano! Tá na cara que ela não é homem. E pra falar a verdade acho a Tifany muito feminina, humilde e simpática. Ninguém precisa ser fã ou torcer por ela, mas o respeito deve prevalecer, acima de tudo! , às vezes fico surpreso com a indiferença e a crueldade que ronda alguns torcedores de Vôlei, querendo crucificar a Tifany. independente de qualquer coisa, se soubessem o que ela já sofreu na vida para chegar onde está hoje.
    Nascida de uma família pobre de Goiás, Tiffany sequer conheceu o pai e teve que ajudar a família desde criança. Consciente de que não poderia contar com apoio financeiro em casa, foi pelo vôlei que viu a chance de realizar o sonho da vida: o de se tornar uma mulher por completo. Foi então que Rodrigo Pereira de Abreu saiu de casa em busca de dinheiro para fazer a transição de genêro.
    Antes de jogar pela Superliga feminina, Tiffany entrou em quadra ainda como Rodrigo pela nas ligas da Indonésia, Portugal, Espanha, França, Holanda e Bélgica. Quando defendia um clube belga, resolveu concluir a transição de gênero, deixando o Rodrigo no passado.
    – Eu já sabia o que queria e só estava esperando a hora certa, porque eu precisava também ter uma renda. Então eu precisei primeiro juntar uma boa grana para poder começar uma transição. Ao conseguir o dinheiro para trocar de sexo – o custo total gira em torno de R$ 30 mil, Tifanny abandonou a carreira no vôlei por não saber que poderia atuar por uma equipe feminina. A intenção era retornar ao Brasil após a transição e buscar uma nova carreira profissional.
    – A transição foi fora do país porque eu achei que era mais fácil, até porque você tem acompanhamento médico grátis. Aqui é mais complicado de encontrar, mas eu não tinha pretensão de voltar a jogar vôlei novamente. Estava pensando em arrumar um emprego qualquer, depois que já não tivesse mais a minha renda. Mas aí recebi a proposta de jogar no feminino depois da minha transição completa, totalmente hormonizada e com os documentos para poder jogar no feminino. Não acreditava muito, mas como meu empresário entendia das regras do COI, tanto da confederação internacional, eu falei ‘ok’. Se eu poderia continuar com o meu trabalho, porque ficar parada? Continuei fazendo minha transição normal e, quando já estava no ponto, decidi voltar ao vôlei.
    Para poder ser liberada para atuar no vôlei feminino, Tiffany teve que comprovar que o nível de testosterona – hormônio masculino no corpo humano -, estava abaixo dos 10 nanogramas (ng), concentração média entre as mulheres. A de Tiffany é de 0,2 ng.
    – Tiffany não conheceu o pai biológico, é a mais nova de sete irmãos e tem em sua mãe, Dona Amália, a grande inspiração para seguir a carreira. Mesmo sem ter estado com os familiares no momento mais importante da sua vida, demonstra gratidão pelo apoio na decisão que mudaria por completo a sua vida.
    – Eu não tive um momento de contar pra minha família. Quando comecei a transição eu cheguei e falei. Minha família simplesmente me apoiou e me amou como sempre. Nunca tive nenhum problema, tenho uma família muito linda, maravilhosa e com muito amor, que é o mais necessário dentro de casa.
    – Se gostasse do nome antigo eu não mudava, continuava com o mesmo e só mudava para o sexo feminino. Não gosto muito de Rodrigo, mas minha mãe às vezes erra, me chama pelo nome antigo. Não se acostumou ainda, porque querendo ou não fiquei toda a minha transição fora do país. Indentifiquei-me muito mais com esse nome, o antigo não gosto porque me traz uma lembrança da pessoa que eu tentei esconder.

    • AfonsoRJ

      O que se questiona aqui não é o fato de ser trans. Também não se trata de nenhum tipo de discriminação ou preconceito. O que se discute é sua participação num torneio feminino. Essa postura do COI esté sendo extremamente contestada por especialistas. O que se argumenta é que o níivel de testosterona pode ser baixo AGORA, mas durante toda a vida pregressa, esse nível sempre foi alto, o que pautou todo o seu desenvolvimento físico. Taxas baixas de testosterona não diminuem a altura e a estrutura óssea, por exemplo. Também não está comprovado que só o fato de ter níveis baixos de testosterona seria o suficiente para que a musculatura, desenvolvida toda a vida como masculina, passe a ter a potència de uma mulher. Outro poblema é que o cromossomo Y continua presente, e não há nenhuma certeza se outros genes aí presentes, e não só os controladores de níveis de testosterona, não influenciariam o desempenho. Finalmente, há quem argumente, em um nível mais conceitual, que uma trans não é uma mulher, e nunca será. Portanto seria injusto participar de competições femininas.
      Pode até ser complicado operacionalmente, mas o mais correto seria o COI criar uma nova categoria, assim como criou para portadores de deficiència física (não estou dizendo que trans são deficientes, apenas cito como exemplo).

  • Senhor Omar – Trágico

    Uma vergonha esse cara esta jogando com as mulheres…e o blogueiro ainda tem a cara de pau de defendê-lo..

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