Leal e Leon na Rio-2016?



– O processo de naturalização está caminhando. Eu fiz minha parte. Agora está tudo lá em Brasília e tenho de esperar para ver se eles vão aceitar ou não.

A frase foi dita ao blog por Leal, cubano do Sada/Cruzeiro, eleito o melhor jogador do Campeonato Mundial de Clubes, dias atrás.

Um assunto econômico nas declarações públicas dos envolvidos, mas muito quente nos bastidores.

O cubano quase brasileiro Leal (Divulgação)

O cubano quase brasileiro Leal (Divulgação)

Políticos graúdos de Minas Gerais prometeram e intercederam a favor de Leal para agilizar os trâmites na capital federal. Bernardinho manteve contato com o jogador, para saber das novidades do processo e reforçar o interesse de contar com o Leal o mais rapidamente possível na Seleção Brasileira. O ponta cubano já repetiu algumas vezes que aceita a Amarelinha. Ouviu como resposta que recíproca é verdadeira. Pelo que apurei o processo está praticamente pronto em Brasília, após várias pendências terem sido resolvidas.

O que faltaria, então, além do fim dos trâmites de naturalização?

Leal já cumpre algumas das determinações dos regulamentos da Federação Internacional: morar há pelo menos dois anos no país que deseja a naturalização, ter o aval da federação de destino, neste caso, a CBV, e concordar com o pagamento de uma taxa de cerca de 100 mil reais.

Mas existe no regulamento da FIVB  itens que afastam qualquer possibilidade de Leal disputar a Rio-2016. O principal deles: qualquer jogador precisa esperar um prazo de dois anos, a partir da entrega de toda a documentação e aprovação pelo Conselho de Administração da entidade, para poder defender uma outra seleção. E tal condição impede também Leon, outro cubano, de atuar pela Polônia (caso o país consiga vaga na Olimpíada).

Nenhum deles até hoje deu entrada ao pedido, segundo a própria FIVB confirmou ao blog. Ou seja: mesmo que o façam neste fim de ano só poderiam ser liberados para atuar no fim de 2017.

– A chance é zero. Não tem jeitinho. Nossos advogados costumam dizer que a FIVB possui a regra mais restritiva entre todos os esportes. Queremos evitar uma comercialização de jogadores – disse Fabio Azevedo , diretor geral da federação.

Leon encara o block da UPCN (FIVB Divulgação)

Leon defende o Zenit-RUS (FIVB Divulgação)

Existe ainda uma outra barreira que os países interessados em contar com os cubanos encontram. O regulamento de “naturalização” da FIVB diz que é necessária a anuência da federação de origem do atleta. E o país caribenho não está disposto a perder mais atletas. A decisão inclui Leal no Brasil e Leon na Polônia.

A Federação cubana abriu um precedente ao aceitar a transferência de Juantorena para a Itália, este sim liberado para disputar a Rio-2016. Mas agora diz que não libera mais nenhum jogador.  Ontem, a FIVB também encerrou o processo que permite que o veterano sérvio Ivan Miljkovic, 36 anos, atue no Campeonato Italiano como local, sem ocupar uma vaga de estrangeiro no Treia (antigo Macerata). Mas agora ele cumpre a quarentena prevista pelo regulamento caso a Azzurra tenha o improvável interesse de contar com ele na seleção.

Existe, neste caso, um viés ideológico envolvido. Cuba não quer ser uma fornecedora de mão de obra para as principais seleções do planeta. Vale lembrar ainda que a federação local recebe uma porcentagem de toda transferência internacional que envolve os jogadores do país, neste caso, os desertores. E o valor repassado na última temporada chega a 750 mil dólares.

O cubano Juantorena, que agora defende a Itália (FIVB Divulgação)

O cubano Juantorena, que agora defende a Itália (FIVB Divulgação)

Uma coisa é certa em toda essa discussão: Leal poderia fazer a diferença a favor do Brasil na Rio-2016. É unânime entre especialistas e treinadores que o torneio masculino olímpico deve ser um dos mais difíceis de todos os tempos. Além dos donos da casa, Estados Unidos e Itália, já classificados, brigarão por medalhas. Faltam ainda outras potências europeias que brigam por vagas restantes, como França (campeã da última Liga Mundial e do Campeonato Europeu), Polônia (atual campeã mundial), Rússia (campeã olímpica em Londres-2012)…

– Leal faz a diferença em qualquer time do mundo. É um jogador diferencial para time e seleção – analisa o argentino Marcelo Mendez, que comanda o cubano no Sada/Cruzeiro.

Mas é bom pensar na possibilidade apenas para Tóquio-2020.



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