Os vários lados e as consequências da confusão com Leal em Taubaté



As cenas lamentáveis vistas ao fim da vitória do Sada/Cruzeiro sobre o EMS/Taubaté, na noite de terça-feira, no Ginásio do Abaeté, em Taubaté, precisam ser analisadas de vários ângulos para uma compreensão do ocorrido e as prováveis consequências.

A primeira análise deve ser feita levando as imagens do SporTV em consideração. O jogo foi marcado por alguns bate-bocas entre os jogadores, algo até normal em uma partida com possibilidade de levar o time da casa à final da Superliga. Alguns “embates” já vinham dos jogos anteriores, inclusive. Em nenhum momento, porém, a situação fugiu ao controle da arbitragem.

Assim que o Sada/Cruzeiro fechou o jogo, integrantes da comissão técnica de Taubaté já levantaram do banco de reservas e foram em direção à rede. Apontavam para alguém e faziam gestos. Ficou claro que o alvo era Leal. Nas entrevistas do líbero Thales e do técnico Daniel Castellani, ambos citaram gestos obscenos feito pelo ponta em direção aos torcedores e também aos atletas de Taubaté. O comandante argentino até foi muito didático ao SporTV, ao reproduzir os gestos e perguntar à repórter Fabíola Andrade se eles eram aceitáveis no Brasil. Um deles foi flagrado pela emissora, como mostra o print abaixo. A resposta dela foi a óbvia: nos Estados Unidos quer dizer OK. Aqui não. A versão do Cruzeiro é que Leal mostrava o placar da partida: 3 a 0.

Gesto de Leal (Reprodução do Twitter)

Após esse gesto de Leal, os jogadores foram para o tradicional cumprimento na rede. Como não poderia deixar de ser, muito tenso. Alguns jogadores de Taubaté reclamaram bastante, principalmente Thales. Leal participou, ouviu algo ao pé de ouvido do central Otávio, além de ter recebido alguns sorrisos irônicos de outros jogadores de Taubaté.

– O que eu vi foi a torcida pegando no pé do Leal, falando algumas coisas que não consegui escutar. Ele fez um gesto para a torcida. Não sei o que significa. Não sei se estava insultando. Falei para ele: “cara, não precisa disso”. Aí ele começou a falar “está falando demais”, a provocar. Não vou brigar. Isso não faz parte do voleibol. Mas falei que faltou respeito com a nossa equipe, com a nossa torcida. Fez um gesto obsceno para a torcida. Depois, para alguém do nosso time. Ganharam na bola, mereceram ganhar. Mas não precisava. Faltou com respeito – comentou em entrevista ao SporTV após a confusão.

Na volta ao meio da quadra, o capitão Filipe pediu para os companheiros pararem de olhar para os rivais, que seguiam os encarando na rede. Leal fez aquele gesto de “fala muito” com as mãos. Thales cita isso na frase acima.

Na sequência, os jogadores cruzeirenses começaram a se encaminhar para o vestiário. As câmeras do SporTV estavam mostrando as reações dos jogadores de Taubaté, quando vários deles, inclusive Lucarelli, que se recupera de uma cirurgia e não está atuando, correram. Naquele momento, torcedores de Taubaté já haviam tentado agredir Leal. Segundo o Sada, a agressão aconteceu.

A posição oficial do clube sobre o ocorrido, como publicado pelo Globo Esporte, foi: “Quando Leal ia em direção ao vestiário, um torcedor próximo ao gradil bateu com um objeto na cabeça do atleta e a confusão começou. Outras pessoas da comissão técnica do Sada Cruzeiro também foram atingidas. Nossos profissionais sofreram uma tentativa de agressão em quadra e isso é inadmissível. Felizmente os seguranças do EMS Taubaté Funvic contiveram os torcedores e nada de mais sério ocorreu”.

Confusão já entrada dos vestiários (Reprodução SporTV)

As imagens do SporTV mostram Leal no chão, sendo contido por integrantes da comissão técnica. Um deles faz um gesto para o técnico Marcelo Mendes apontando para a cabeça. Um torcedor mais exaltado é afastado, enquanto a turma do “deixa disso” tentava contornar a situação. Segundo me disse uma pessoa da comissão técnica do Cruzeiro, Leal levou duas “baquetadas” na cabeça. Teriam sido aqueles artefatos de plástico, entregue aos torcedores, que fazem muito barulho. O clube mineiro ainda fala de socos levados na tentativa de integrantes do time evitarem algo pior.

Com esse resumo escrito, minhas considerações:

– Qualquer agressão física é injustificável. O torcedor de Taubaté que fez isso com Leal deveria ser identificado e punido. Não deveria existir espaço para violência no esporte.

– Leal, por mais que tenha sido provocado e xingado pela torcida durante toda a partida, deveria ter evitado fazer os gestos. Ele até pode tentar se justificar dizendo que apontava o resultado do jogo. Mas o significado quase universal do gesto é outro. Certamente os atletas do Taubaté entenderam aquilo como um xingamento e ficaram revoltados.

– Não acredito que a CBV, tendo dois dias até o próximo jogo, vá punir o jogador do Sada/Cruzeiro, o afastando da decisão.

– Projetando o futuro. No próximo ano, Leal estará liberado para defender a Seleção Brasileira após a quarentena obrigatória da Federação Internacional para casos de naturalização. E o clima não deve ser dos mais amistosos na recepção, visto que alguns dos futuros companheiros já se sentiram ofendidos por comemorações ou provocações do cubano naturalizado brasileiro. Leal joga muito, faz a diferença e está entre os melhores do mundo. São fatos admitidos por todos. Mas ele não é aquele cara tão querido, vamos dizer, unânime. Já escrevi em outras oportunidades e repito: Renan Dal Zotto e os líderes do time precisarão de jogo de cintura no início para fazer Leal ser bem recebido pelo grupo.

– Espero e torço que o quinto jogo em Contagem seja lembrado apenas pelo espetáculo técnico, por belas jogadas, rallies, surpresas táticas dos treinadores… Nada de mais confusão.

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