Já passou da hora de mudar



Acabo de ler matéria de hoje da Folha de S. Paulo sobre o desejo da CBV de levar jogos para regiões que não possuem times na Superliga. Segue o link para vocês: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/1189111-confederacao-de-volei-quer-implantar-superliga-itinerante.shtml

Sim, é necessário fazer o esporte expandir as fronteiras da Regiões Sul e Sudeste, que concentram atualmente todos os participantes da competição. É bom para massificar o vôlei, para aproximar os craques (hoje temos quase todos eles atuando no Brasil) dos fãs e também para levar a marca dos patrocinadores para todo o país. Mas não creio que o melhor seja simplesmente tirar, por exemplo, um jogo do Sollys/Nestlé de Osasco para levá-lo para Manaus, Goiânia ou Fortaleza. E como ficam os torcedores fiéis e fanáticos das sedes que religiosamente, faça frio ou faça sol, vão apoiar seu time do coração?

O que a CBV deveria fazer é botar o dedo na ferida e mexer de uma vez no seu calendário. Sentar com Globo/SporTV, que transmitem o principal produto da entidade, e mudar de uma vez por todas, logicamente pensando em encaixar o novo modelo na grade das emissoras, sem qualquer ruptura drástica.

Já passou da hora de se criar a Copa do Brasil, o Jogo das Estrelas e ter uma Superliga mais extensa, com uma tabela mais inteligente, sem tanto atropelo entre as partidas. Não entra na minha cabeça ter jogos às segundas, terças, quartas, quintas, sextas, sábados e domingos, com 20 horários diferentes. Assim não se cria uma cultura, não cativa o público.

Jogadores tocam nesses temas todo início de temporada, mas pouca coisa muda ano após ano.  Eles devem ser ouvidos para que firmem uma posição única e coerente.

A Copa do Brasil, por exemplo, poderia ocorrer no Norte/Nordeste do país. Não resolveríamos parte do problema sem transformar a Superliga em itinerante? O Jogo das Estrelas também poderia acontecer fora do eixo dos grandes centros do esporte atualmente (SP, RJ e MG). Cada temporada em um estado diferente, por exemplo. Creio que iria chover interessado, com dinheiro no bolso, para ser a sede de um evento deste, com transmissão de TV, presença de ídolos, etc…

Na minha visão, não é difícil. Basta boa vontade de TODOS os envolvidos: CBV, clubes, jogadores e emissoras de TV.



  • Fernanda Andrade

    Concordo plenamente .

  • Jailson

    Ao meu ver quem derruba o próprio voleibol é a CBV que não tem coragem de quebrar esse vínculo com a Rede Globo.
    Vi uma entrevista de Jaque e Murilo pra Marília Gabriela e nem eles enxergam maior visibilidade pro vôlei na mídia.
    Correm boatos que o Ary Graça correu pra dar entrevista a Rede Globo dizendo: “são eles que pagam meu salário”.Agora pergunto: quem foi que transmitiu todos os jogos de vôlei de Londres independente do horário?Ary Graça pode até ter feito muitas coisas boas, mas onde não entra dinheiro os patrocinadores correm…

    • Dalmo

      Jailson, concordo contigo e vou além. Acredito que quem detém os direitos de transmissão não quer que o voleibol e outros esportes cresçam e ganhem um pouco mais de espaço do produto que ocupa 70% ou mais de sua grade esportiva: o futebol. Este, dá mais grana e tem mais pessoas que lucram com ele. Além disso, a copa fifa vem aí, antes mesmo da olimpíada, o que inibe ainda mais as possibilidades de mudança. Acredito que a cbv sabe disso, mas sua política atual parece não ser a de investir para o crescimento, mas sim a de colher frutos.

      Sobre a audiência, não sei dos números, mas me questiono se jogos da série c do brasileirão, campeonatos argentino, português e etc dão mais retorno do que a superliga de vôlei. Resultados e estrutura o voleibol tem para ter mais espaço, assim como outros esportes. Mas é cômodo mantê-lo fragmentado na programação do canal pago: terão a audiência dos apaixonados e bobos pelo esporte.

      Bom texto, Daniel! Aproveitando a temática de fim de mundo em 2012/2013, sugiro outro: o voleibol brasileiro termina em 2016? Os resultados que a modalidade no Brasil vem conquistando de dez anos pra cá foram fruto de muito investimento na base, cuja cereja do bolo são as olimpíadas no Brasil. Mas como tem sido o atual investimento na base? Como vão os resultados?

      Até!

  • Eyder

    concordo plenamente. O problema nisso tudo é o medo q a CBV tem da Globo e falta de vontade de valorizar o esporte no Brasil enquanto clube, a preocupação maior sempre é a seleção e não deveria ser, pois os clubes é q fornecem jogadores as seleções.
    Falta coragem e vontade pra meter a cara e fazer mais pela superliga e pelos clubes.
    O calendário dos clubes é muito curto, outras competições como a “Copa do Brasil” e “jogo das estrelas” seriam boas opções para incluir no calendário.

  • leandro

    Daniel, quem manda na CBV é a Globo/Sportv. Eles que definem datas e horários de jogos e quando a Superliga vai começar e terminar. Por que a partida final da Superliga é em jogo único (somente no Brasil que a final é em jogo único)? Para que a Rede Globo possa transmitir.
    Enquanto essa emissora for dona do Brasil, enquanto o Ary Graça estiver na presidência vai continuar do jeito que está.
    Agora imagina o que o Ary Graça vai aprontar na FIVB? Se na CBV ele não consegue organizar o calendário nacional, imagina como será na FIVB?
    E ainda tem gente que acredita que temos a melhor liga do mundo. Estamos muito longe da liga da Rússia, Turca, Italiana e Polonesa.
    Entra ano e sai ano fecham-se times no Brasil e a CBV não faz nada para melhorar.
    Daniel, é inacreditável como a Stock Car tem mais corridas transmitidas na Globo do que a Superliga. Depois que os filhinhos do Galvão Bueno começaram a correr na Stock que essa loucura começou
    Até o atletismo tem mais espaço na grade de horários da globo do que o vôlei.
    O automobilismo brasileiro morreu em 1994 com a morte do Senna e o atletismo brasileiro não ganha nada em comparação com o vôlei.
    O esporte mais vitorioso do país não tem o reconhecimento que merece.
    Fico imaginando como seria o vôlei na Turquia, na Itália, na Polônia, na Rússia com os títulos que o Brasil conquistou nos últimos tempos?
    A Turquia não ganhou nada até agora no vôlei e hoje eles tem uma das melhores ligas do mundo.
    Eu tomei nojo de futebol no Brasil e tem muito tempo que nem assisto futebol.
    Gostaria que isso não acontecesse tb. com o vôlei.

  • matheus

    Só no numero de talentos que deve ter nas regioes norte e nordeste , que estão escondidos por ai!
    Acredito que deveria haver um campeonato de regiões para dar acesso a superliga, na qual dois são rebaixados !

  • leandro

    Se a CBV implantar esse negócio de Superliga intinerante seria mais uma cagada da CBV.
    Isso existe em algum país? Não.
    Ele tinha que implantar um projeto de que pelo menos cada estado que não tem time de vôlei tivesse pelo menos 1 representante no masculino e feminino. Sendo assim poderíamos ter a primeira e segunda divisão da Superliga.
    A CBV se importa mais em formar seleções fortes do que times que disputam a Superliga. É a realidade.

    • Hayashi

      Sim,existe no Japão todos os jogos são disputados em cidades e estados diferentes e somente nos sábados e domingos ,vou dar como exemplo esse final de semana ,jogos em( Toyohashi e Tóquio)cidades.4 time joga em toyohashi e 4 time joga em Tóquio,semana passada os jogos foram na cidade de ( Tendo e Fukui ), e semana que vem vai ser em outras cidades e assim por diante . Funciona assim time (A) joga contra time (B) e time (C )joga contra o( D )no sábado e no domingo inverte ,time (A) joga contra (C )e o time( B )joga contra o (D).São dois jogos no dia ,o bom é que vc paga um ingresso e assisti a dois jogos em vez de um.

  • leandro

    Daniel você tem razão.

  • Giovani Foppa

    Ótimo comentário Daniel, todos nós do voleibol concordamos. Infelizmente nossa entidade maior que administra o voleibol nacional sempre vendeu o grande modelo de gestão na qual esta embasada. E no final todos conhecemos estes problemas. Que gestão é realmente feita na entidade? Quem se beneficia desta gestão moderna e revolucionária que iremos levar para o mundo? Acho que este modelo de gestão deve ser revisto.

  • Juju

    Olha Daniel, gostei muito de todas as idéias do seu texto, a SL maior, a Copa do Brasil…Há muito tempo deixei de assisitir a Seleção Brasileira Masculina de Futebol, peguei nojo, em razão de tudo que ocorreu com CBF, Teixeira, propinas, amistosos caça níqueis… Eu amo volei, mas não gosto do rumo que está caminhando a CBV, tenho medo de pegar nojo de assistir volei também…Eu me lembro daqueles jogos de Sábado, intermináveis, na época da vantagem, aqueles timaços com Ana Moser, Hilma, Virna, Ana Paula, Denise, Fernanda Venturini…na voz do Luciano do Valle na tv Band, sinto uma saudade enorme daquele tempo, corro no youtube e assisto! Ontem de noite enquanto ocorria o Superclássico assisti um Brasil e Cuba de 1996 em Atlanta, que jogaço, uma pena aquele time do Brasil não ter ganho o ouro, jogavam muito! Espero que a CBV caia na real enquanto é tempo, realmente jogos todos os dias da semana em vários horários, só pra quem tem tv por assinatura, prejudica muito a divulgação do esporte.
    PS.: Foi, e está sendo, mais fácil assistir a Liga Turca do que o Paulista de vôlei, isso no Brasil, é um absurdo.

  • Apoio cada palavra!!! ja passou da hora de a confederação deixar de ser submissa a Rede Globo, o trabalho que ele diz que a TV faz pelo esporte ninguém vê… sem uma quantidade significativa de jogo na TV aberta os patrocinadores vão sempre abandonar o vôlei quando a coisa apertar…o vôlei precisa ser respeitado como o esporte vencedor que é!

  • Léo

    É verdade Daniel, se não me engano, o campeonato SALOMPAS CUP era disputado no nordeste e tinha ótimo público.

    • Daniel Bortoletto

      verdade. inclusive conheci minha esposa na primeira edição, em Salvador (rs)

  • Jairo(RJ)

    Daniel, aproveitando sua citação:
    “Jogadores tocam nesses temas todo início de temporada, mas pouca coisa muda ano após ano. Eles devem ser ouvidos para que firmem uma posição única e coerente.”

    Algum jogador teria força para representar efetivamente os demais exigindo as mudanças que se fazem necessárias ?

    E também:
    Com a “saída” do Ary da CBV, seu substituto poderá promover alterações ou tenderá a manter o cenário atual ?

  • Afonso RJ

    Diferentemente do futebol, onde a TV paga o direito de arena diretamente aos clubes, no volei o dinheiro vai todo para a CBV. É uma das razões para que todo o ano alguns times deixem de existir, pois além de terem de pagar taxas altas para a CBV para poerem participar da superliga, só podem mesmo contar com o dinheiro dos patrocinadores. Se eles saem, acabou o time. Enquanto isso, a CBV se mantém rica, pois além da grana da TV e as taxas dos times, ainda tem patrocínios como o Banco do Brasil. Por essas e outras acho extremamente difícil algum tipo de rutura entre a CBV e a Globo. Tem muita grana envolvida, e quem mais lucra é a CBV.

    • leandro

      Alonso, você está corretíssimo.
      O presidente do Mackenzie disse que os clubes formadores de atletas não recebem nada da CBV. Se os clubes formadores não recebem nada, imagina os times criados por patrocinadores?
      E os clubes ainda tem que pagar taxas para disputar a Superliga? Brincadeira
      A CBV fica rica e os clubes pobres.
      A preocupação da CBV é com a seleção masculina e feminina desde a base até o adulto, e a Superliga eles deixam em segundo plano. E isso é um tremendo erro, porque se não temos times suficientes para disputar a Superliga feminina e masculina na primeira e segunda divisão, onde as jogadoras formadas na base da CBV vão jogar?
      No meu entender a Confederação da Turquia está fazendo isso, investindo na base, investindo em infraestrutura e investindo na liga turca.
      Será que a Globo/Sportv pagam para trasmitir a Superliga?

  • Bia Ferreira

    Vocês conhecem a Liga Nacional? O formato dela é bem mais democrático geograficamente:
    http://www.cbv.com.br/v1/liganacional/oquee.asp

    E a boa notícia para essa temporada é que muitos jogos vão ser transmitidos pela CBV, mesmo que a passos lentos, estamos evoluindo.

  • Caco

    Sempre fui a favor da criação de uma Copa do Brasil, como acontece em todos os países com grandes ligas, e de um calendário mais extenso. No entanto, não acho que os clubes devem salvar os outros Estados. Os clubes que montam seus times com tanto esforço merecem mandar o jogo onde quiserem. Que os outros Estados criem seus clubes e mandem jogos onde quiserem! Para descentralizar e levar o voleibol para outras regiões, temos a seleção brasileira. Esta sim é BRASILEIRA e, portanto, pode se deslocar. Os clubes são ligados aos seus ginásios e municípios. Não tem sentido tirar um clube de suas raízes para levá-lo para outras regiões. A TV e a internet podem fazer isso.

  • Alessandra Barreto

    Já passou da hora de a cbv rever seus conceitos e dexiar de ser “pau-mandada” da Rede Globo
    outras emissoras ofereceram milhões para transmitirem todos os jogos da superliga e a cbv simplesmente recusou e com isso o vôlei perde a visibilidade deixam de ter grandes patrocinadores e o que acontece muitos times são obrigados a encerrarem suas atividades,acho bem legal criar a copa do Brasil e também o jogos das estrelas para que assim um esporte tão vitorioso quanto o vôlei possa ter mais visibilidade

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