A Itália chegou mesmo para ficar



Durante as transmissões do Torneio de Montreux, na ESPN, fui questionado pelos narradores Rogério Vaughan e Cledi Oliveira, em jogos distintos, sobre a seleção feminina de vôlei da Itália.

– É um time novo, com muito talento, mas para explodir no próximo ciclo olímpico – respondi.

Pouco mais de um mês se passou e eu posso dizer que estava equivocado. Não pelas afirmações sobre precocidade e capacidade técnica. Mas a explosão da Azzurra, campeã do torneio suíço na ocasião, já está acontecendo no atual ciclo olímpico. Para desespero das principais potências do planeta.

Nas duas primeiras fases do Campeonato Mundial, a Itália jogou nove partidas e venceu as nove. Foram apenas três sets perdidos. E olha que a equipe comandada por Davide Mazzanti já encarou China, Estados Unidos, Rússia, Turquia, todos candidatos ao título.

Reparem no placar de algumas parciais: 25 a 12 em cima das turcas, 25 a 16 sobre as chinesas, 25 a 18 diante das russas e um duplo 25 a 16 no duelo com as americanas.

Comemoração da Itália após triunfo sobre os Estados Unidos (FIVB Divulgação)

Não importa o resultado final da Itália neste Mundial, que entra na semana decisiva a partir deste domingo. A performance até aqui já permite a constatação de que a atual geração italiana chegou para ficar.

É assustador olhar para a idade do elenco. Primeiro vamos ao time titular: Egonu (19 anos), Danesi e Malinov (22), Sylla (23), Chirichella (24). A dupla experiente é formada por Lucia Bosetti (29) e De Gennaro (31). No banco, ainda mais juventude: Fahr (17), Pietrini e Lubian (18), Nwakalor (19), Parrocchiale e Cambi (22), com Ortolani destoando aos 31 anos.

A média é de 22,6 anos. Ou seja: material humano disponível para mais TRÊS ciclos olímpicos ao menos.

Egonu e Sylla após a vitória sobre a Turquia no Mundial (FIVB Divulgação)

Nas estatísticas do Mundial, Egonu é a maior pontuadora, Danesi lidera no bloqueio, Sylla é a segunda melhor atacante, atrás apenas da sérvia Boskovic, Malinov é a terceira melhor no levantamento, com De Gennaro em quarto lugar entre as defensoras e sétimo entre as passadoras.

A geração italiana alia altura, força física e muito talento. Caso demonstre maturidade e espírito vencedor, pode se transformar no time a ser batido durante os próximos dez anos.

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