Havia um Kurek no meio do caminho



“Kurek estava muito iluminado”.

A frase do levantador Bruninho resume bem a conquista do título mundial pela Polônia, neste domingo, em Turim (ITA). Com 24 pontos, o oposto polonês Kurek liderou os poloneses na vitória por 3 a 0 sobre o Brasil, parciais de 28-26, 25-20 e 25-23.

Kurek teve uma atuação quase perfeita na decisão. Recebeu 29 bolas para atacar e colocou 20 delas no chão. Em vários ataques passando por cima do bloqueio brasileiro, ignorando quem estivesse pela frente. Ainda fez dois aces e dois pontos no block. Em algum momento escrevi no Twitter que ele parecia possuído. Passava tal impressão.

O camisa 6 parece ter guardado por quatro anos o seu melhor vôlei para um momento tão especial.

Kurek já era o craque da Polônia em 2014. Ficou fora do Mundial, em casa, após desentendimento com o então técnico Stephane Antiga. Não queria atuar na saída de rede. Bateu o pé para ser ponta e foi cortado pelo francês. Viu pela TV o time polonês ser campeão.

Quatro anos depois, saiu da quadra com a medalha de ouro pendurada no pescoço e o troféu de melhor jogador do campeonato nos mãos. Não é pouca coisa!

Kurek foi soberbo no ataque (FIVB Divulgação)

Foram 171 pontos marcados por Kurek no Mundial. Maior anotador do torneio, oito a mais do que o americano Anderson, medalhista de bronze na competição.

Seria injusto tratar Kurek como único responsável pelo bicampeonato consecutivo da Polônia em Mundiais. O capitão Kubiak, tão conhecido pelas provocações e comemorações muitas vezes exageradas, também jogou demais. Fez 12 pontos, mas com uma precisão enorme no passe. Ele, o outro ponta Szalpuk e o líbero Zatorski facilitaram demais o trabalho do levantador Drzyzga. E permitiram assim que a seleção polonesa jogasse sempre em vantagem no placar, um facilitador em qualquer jogo deste quilate.

Esse quinteto foi tão importante que a dupla de centrais Bieniek e Nowakowski pôde ter uma atuação apagada e mesmo assim sem comprometer o coletivo. O primeiro jogou os dois primeiros sets e anotou apenas dois pontos: um no ataque e um no bloqueio. Já o segundo, titular em toda a final, fez três: dois no ataque e um no saque. E, mesmo sem a colaboração dos centrais no bloqueio, a Polônia terminou a decisão com 10 pontos no fundamento.

Outro a deixar a Itália em alta é o belga Vital Heynen. Depois do feito de levar a Alemanha ao terceiro lugar no Mundial de 2014, ele sobe dois degraus e é campeão de um torneio deste porte pela primeira vez na carreira.

E o que dizer do Brasil?

Na final, deixou a desejar. O bloqueio, tão criticado em todo o Mundial, voltou a deixar a desejar. Erros de saque em momentos críticos do jogo pesaram. A defesa precisava ter sido mais efetiva neste domingo. Individualmente, os grandes nomes do time oscilaram. Renan Dal Zotto tentou tirar coelhos da cartola, como em outros jogos, mas desta vez em vão.

A atuação deste domingo, porém, não deve apagar pontos positivos de outros momentos da competição. O Brasil chegou ao Mundial bem desacreditado pelas atuações durante a Liga das Nações. Estava em qualquer lista de favoritos ao pódio mais pela tradição do que pelo momento. E esteve na quinta final consecutiva da competição, além de outras quatro em Olimpíadas. Viu Douglas Souza despontar pela primeira vez neste nível, ganhou Maique como opção para o futuro próximo e pode sonhar, sim, com voos mais altos nos dois próximos anos deste ciclo olímpico, ao ganhar Lucarelli, Maurício Borges e principalmente Leal como reforços.

O assunto Brasil não se esgota nesta linhas. Voltarei ao tema em outro post.

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