Gustavo encerra a carreira. Mas ainda tem muito a fazer!



Foto Divulgação

Gustavo durante os três anos de projeto em Canoas

Um saque errado, com o placar apontando 23 a 23, no terceiro set, foi a última ação do central Gustavo Endres como jogador de vôlei. O Canoas, na sequência, foi derrotado pela Funvic/Taubaté por 3 a 0 e acabou eliminado nas quartas de final da Superliga masculina. Rivais demonstraram respeito e se despediram com abraços e palavras de agradecimento ainda em quadra, no Ginásio do Abaeté, em Taubaté. Merecido. Mas não será esta falha no serviço que marcará o fim de uma carreira gloriosa, aos 39 anos de idade.

Gustavo foi um ícone dentro de uma geração vitoriosa na Seleção Brasileira. E não é fácil falar em ícone jogando ao lado de Ricardinho, Maurício, Giba, Nalbert, Escadinha e tantos outros craques. O gaúcho, de 2,03m, se transformou em referência na posição. É, para muitos, um dos maiores bloqueadores de todos os tempos. Temido por adversários e exemplo para gerações e gerações de centrais que chegaram depois dele.

Em mais de 20 anos de carreira, Gustavo acumulou títulos: uma Olimpíada, dois Mundiais, seis Ligas, Pan, Copa América, Copa dos Campeões, Copa do Mundo, Sul-Americanos… Por clubes, marcou época em Treviso e também venceu tudo o que era possível em nível local e europeu. Um jogador realizado, você vai dizer. Eu diria quase.

Quase pois Gustavo nunca aceitou as condições que o Brasil oferece para atletas e clubes, mesmo sendo campeão de tudo e tendo patrocinadores milionários, contratos de TV, etc… Sempre exigiu mais e foi comprando uma briga atrás da outra. Vestiu nariz de palhaço para reclamar da CBV, jogou com tarja preta no uniforme, organizou uma Comissão de Atletas para lutar por melhores condições, pensou em cruzar os braços e fazer greve, comandou reuniões tensas com cartolas e técnicos, comprando briga com gente grande, muito grande. Colocou em risco, com tudo isso, o projeto que ele ajudou a pôr de pé em Canoas, já que o temor de represálias sempre aconteceu. E seguiu jogando em alto nível, até ontem, 17 de março de 2015.

A partir de agora ele já adianta que vai atrás de um cargo “diretivo” no esporte. Eu diria que ele já ocupa. Só terá agora mais tempo para se dedicar e seguir lutando por um vôlei melhor no Brasil. Poderia refletir sobre erros e acertos e montar um plano de ação. Qualquer dirigente sério terá a obrigação de ouvi-lo.

Os fãs agradecem por tudo que o camisa 13 fez em quadra. E os fãs agradecerão ainda mais pelas vitórias que estão por vir na atuação fora dela.

 



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