Foi um clássico digno do calibre dos times



O primeiro clássico entre EMS/Taubaté x Sada/Cruzeiro na Superliga 2017/2018 foi digno da expectativa criada. Cinco sets, três deles definidos pela vantagem mínima, alternâncias, grande lances, tensão. E, desta vez, com um fim diferente dos últimos. O time paulista saiu de quadra vencedor: 21-25, 26-24, 28-26, 24-26 e 15-6.

Lucarelli, autor de 15 pontos, ganhou o VivaVôlei. Eu, particularmente, teria votado em Dante. É impressionante o equilíbrio que o experiente campeão olímpico dá ao Taubaté nesta temporada. Assumiu a condição de líder da linha de passe, tem participado ativamente da virada de bola (ontem terminou com 14 pontos) e dá a impressão que o sérvio Ivovic vai precisar remar muito para arrumar espaço no time titular. Quando ele assinou contrato, voltando de uma temporada na Grécia, passava a sensação de ser um jogador de composição para o elenco, já que Lucarelli e Ivovic são ícones de suas seleções nacionais. A lesão do sérvio deu o espaço que Dante precisava para ganhar tempo em quadra e, consequentemente, conquistar a confiança do técnico argentino Daniel Castellani.

Lucarelli no ataque (Rafinha Oliveira/Divulgação)

Os números da partida também mostram um equilíbrio importante na equipe paulista: Wallace, mesmo com uma atuação irregular, anotou 15 pontos. Os centrais Otávio e Solé colaboraram com 12 cada. Mérito de Rapha na distribuição e também da participação individual em fundamentos como saque e bloqueio.

– Ganhar é muito bom, mas ganhar de uma equipe do nível do Sada Cruzeiro é ainda melhor. Estou muito feliz. O time jogou bem e resistiu a pressão, porque é muito difícil jogar contra eles. Agora é comemorar um pouco porque o time merece. Fazia tempo que buscávamos ganhar uma partida deles e isso é bom, mas temos que saber que foi só um pequeno passo – disse Lucarelli.

Pelo lado mineiro, que enfrenta uma verdadeira maratona de jogos antecipados antes de participar do Mundial de Clubes, na Polônia, no próximo mês, Leal foi o maior pontuador, com 22 acertos. O personagem do meio da semana no vôlei brasileiro estava nitidamente incomodado com o noticiário sobre o prazo de liberação para jogar pela Seleção Brasileira, tanto que evitou falar com a imprensa após o jogo. Compreensível. Tentem imaginar o turbilhão vivido por ele ao receber de Renan Dal Zotto a notícia da liberação para março de 2018 e, 24 horas depois, receber um pedido de desculpas e o adiamento da estreia para abril de 2019.

Leal em ação em Taubaté (Rafinha Oliveira/Divulgação)

Ao analisar o jogo, o técnico Marcelo Mendez tocou em dois pontos-chave da partida: o domínio dos donos da casa no set decisivo e a quantidade de erros:

– Foi um jogo intenso, com quatro sets muitos disputados e depois o tie-break foi todo deles, da equipe de Taubaté. Ao todo, foram 98 erros de ataque e saque na partida, somando as duas equipes. Isso é atípico. Pecamos também em momentos decisivos. A gente vem de uma sequência grande de jogos, muita viagem, mas estamos preparados para isso. Teremos que seguir trabalhando muito e corrigir o que for preciso – analisou o argentino.

Para encerrar, dois detalhes do jogo que merecem uma menção honrosa:

– Serginho fez uma defesa com o pé no quarto e mostrou inteligência/conhecimento da regra ao invadir com todo o corpo por baixo da rede, mas sem tocar os pés na quadra de Taubaté. O lance terminou com ponto do Sada/Cruzeiro e vermelho por reclamação aos paulistas.

– Leal acertou uma bolada em Lucarelli após um ataque. E atravessou a quadra para pedir desculpas ao jogador de Taubaté. Lance que acontece em um jogo com frequência. Mas a reação do ponta cruzeirense mostra amadurecimento e consciência de quem vestirá a camisa de um novo país em 2019.

 

 



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