Está no LANCE! de hoje especial sobre o Al-Rayyan



Matéria principal: Tradição comprada

Sem nenhuma tradição no cenário mundial, o Qatar tem um representante na semifinal do Campeonato Mundial masculino de Clubes. O feito histórico se deve a alguns milhares de petrodólares que o príncipe dono do Al-Rayyan resolveu “investir” no time para a competição.

O LANCE! apurou que o contrato para disputar cinco jogos, no máximo, em Belo Horizonte, renderá para reforços do quilate do cubano Simon e do búlgaro Kaziyski, dois dos grandes nomes do esporte na atualidade, cerca de US$ 50 mil, aproximadamente R$ 110 mil. Além da dupla de craques, o Al-Rayyan conta ainda com os selecionáveis brasileiros Rapha (levantador) e Alan (líbero), além do oposto cubano Sanchez. Sobraram assim duas vagas no time, preenchida por dois cataris: o ponta Ali Bairami, o capitão da equipe, e o central Hamed. Ontem, na partida que garantiu a classificação da equipe, que é dirigida, logicamente, por um estrangeiro (o croata Igor Arbutina), os jogadores gringos fizeram 61 dos 72 pontos vencidos.

Tudo dentro do regulamento da Federação Internacional de Vôlei, que fique claro. A entidade não coloca no regulamento do Mundial qualquer impedimento para que um supertime seja criado apenas para a sua principal competição de clubes.

– Muita gente criticou, chamou de catadão, outras coisas. Mas esse catadão está aqui está fazendo sua parte, usando da força individual para compensar o restante – comenta Alan.

A Torre de Babel se formou na véspera do Mundial e treinou apenas uma vez antes da estreia. Na camisa de jogo dos reforços, o nome foi colocado por cima de outro já existente, provando que os acertos aconteceram em si da hora, dias antes do embarque para o Brasil.

A situação nas paradas técnicas chega a ser constrangedora. Arbutina não fala quase nada, os jogadores apenas descansam, tomam água e voltam para o jogo.

– Ele não tem muito o que dizer mesmo. Nós falamos mais antes do jogo. Durante, ele passa apenas algumas dicas, coisas mais especiais para o momento – admite ao L! o búlgaro Kaziyski.

Em quadra, algumas risadas, pouca cobrança. Nada que pareça jogo de Campeonato Mundial.

– O príncipe já ligou aí e está feliz com o resultado. Vai até pagar um churrasquinho para nós – brinca Alan.

Craques apenas se divertindo. Para azar dos rivais até agora…

 

Segunda matéria: “Eles jogam quando querem”, diz Marcelo Mendez

Para o levantador William, capitão do Sada/Cruzeiro, o desempenho do Al-Rayyan, rival de hoje na semifinal do Mundial, às 20h30, desmistifica uma tese.

– Acabou um pouco com a mística de que treino e entrosamento fazem toda a diferença sempre. Juntar jogadores excelentes, em posições-chave, e assim ter uma base muito forte, sem a necessidade de muito treino. Não que treinar não seja importante, mas não é só isso – comentou ele, que poderá enfrentar na decisão Belgorod ou UPCN, que duelam às 17h30.

Para o argentino Marcelo Mendez, treinador do time mineiro, a derrota do Al-Rayyan ontem define bem a situação.

– Joga quando quer. No 1º set, os argentinos tiveram mais volume. O Al-Rayyan melhorou, venceu dois sets (e garantiu assim a liderança do grupo) e aí deixou a UPCN ganhar o tie-break. São grandes individualidades. Mas ainda acredito num time, no treinamento, no entrosamento. O conjunto pode fazer a diferença.

 

Opinião: Daniel Bortoletto / Editor executivo do L! RJ e colunista de vôlei

Poderia haver um limite de estrangeiros

A multinacional do Al-Rayyan é sem dúvida uma atração à parte do Mundial de Clubes. Kaziyski e Simon estão entre os dez melhores jogadores do mundo e simples presença deles já transformaria o coadjuvante time do Qatar em protagonista. Ter dois brasileiros faz a equipe ganhar apoio da torcida mineira. Mas os prós não podem esconder uma importante questão? Deveria haver um limite de estrangeiros para cada time. Uma regrinha simples, apenas para moralizar e impedir que o dinheiro “compre” até um título mundial.

 

Bate-bola com Rapha, levantador brasileiro do Al-Rayyan

Qual o idioma que vocês falam no vestiário?
Falamos italiano. Todo mundo praticamente jogou na Itália e se entende.

Para o treinador deve ser complicado também, não?
É muito difícil para ele. Não conhece ninguém, é complicado. Vai mais na base da motivação mesmo, fala algumas coisas nas paradas, na base da motivação.

Estar na semifinal já é um sentimento de dever cumprido para um time formado na véspera do Mundial?
Estamos juntos há 3, 4 dias. Não é uma coisa simples. Saímos um pouco atrás, mas não quer dizer que não vamos lutar pelo título agora.

 

 



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