Entrevista Skowronska: “Estou apaixonada pelo Brasil”



Uma cirurgia no ligamento cruzado do joelho direito poderia ter decretado o fim da carreira da oposto polonesa Kasia Skowronska. Mas a jogadora de 35 anos encontrou no Brasil, na temporada passada, o caminho para a recuperação física e também do desejo de seguir no vôlei.

Com o contrato renovado com o Hinode/Barueri, Skowronska abriu o coração para falar sobre as dificuldades de voltar a jogar, o carinho recebido na primeira passagem pelo país, a admiração pela cultura, clima e culinária brasileira, além das expectativas para a próxima Superliga.

1 – Quais fatores levaram você a renovar o contrato com o Hinode/Barueri?
Eu ainda tenho muita paixão por jogar vôlei. Eu me encontrei ano passado no Hinode/Barueri. Foi uma excelente temporada com pessoas muito boas e amáveis por perto e ao meu redor. Foi fácil fazer minha cabeça e me convencer que gostaria de voltar a ficar na equipe.

2 – Como vê a possibilidade de jogar com a Dani Lins, uma campeã olímpica?
Estou feliz em jogar com a Dani. Eu sei que ela é uma levantadora incrível e podemos ter uma boa conexão. Mal posso esperar para começar.

3 – Qual o balanço você faz da sua performance na temporada passada?
Foi muito difícil e desgastante a temporada para mim depois da minha recuperação. Mas eu aprendi a ser mais paciente e trabalhei muito para melhorar isso na minha volta. Eu sempre digo que posso ser melhor.

Zé Roberto entre dois destaques de Barueri no ano: Thaisa e Skowronska (Divulgação)

4 – No ano passado você chegou ao Brasil ainda para se recuperar da cirurgia. Ficou um agradecimento especial ao Zé e à comissão pela ajuda na recuperação?
Eu não tenho palavras para dizer o quanto sou grata ao Zé e à sua família, além de todas as pessoas, incluindo minhas colegas de equipe. Sem todos eles eu não poderia jogar mais. Eu tentei mesmo porque o Zé Roberto me perguntou se eu gostaria de vir ao Brasil e que tentaríamos um caminho. E no final, como sempre, ele estava certo!

5 – Quais características do Brasil (culturais, climáticas, da alimentação) você mais gostou?
Eu sou apaixonada pelo Brasil, gosto de estar aqui. Sol todos os dias me faz sentir de forma positiva e ter energia para treinar. Amo a tradição da cozinha brasileira. A carne é realmente fantástica, vegetais frescos e frutas incríveis que eu consumo todos os dias. E eu também sou uma grande fã de café, por isso aqui eu estou no céu (haha). Eu realmente gosto de ir a alguns churrascos também. Aqui eu tenho tudo: sol, comida boa, música e boas pessoas com energia positiva ao meu redor. Então, eu tenho tudo.

6 – Como está o seu português?
Eu entendo quase tudo. Mas continuo um pouco com vergonha para falar. Mas eu espero começar a falar melhor e estudar no meu tempo livre.

Skowronska atuou na reta final da Superliga passada (Gaspar Nóbrega)

7 – Falando do estilo de jogo brasileiro, algum detalhe especial chamou sua atenção na última Superliga?
Eu acho que a liga brasileira está em um nível muito bom. As jogadoras têm uma técnica tão boa quanto sua força física. Com isso, têm tudo que precisam para ser grandes jogadoras/adversárias. Eu gosto da Superliga e sempre foi muito interessante jogar cada partida, pois é diferente e sempre precisamos estar focadas na quadra. Sempre joguei contra times nacionais e acho que o Brasil tem uma liga incrível.

8 – Ficou surpresa com o nível da Superliga?
Não foi nenhuma surpresa. Eu sempre soube que o time brasileiro jogava muito bem e sabia que a liga brasileira era bem forte, pois sempre assisti muitos jogos e partidas online. Sabia que era bem difícil mesmo. Não foi uma surpresa.

9 – A próxima Superliga terá várias estrangeiras de renome: você, Kosheleva, Hooker, Lloyd, Diouf, Fawcett… Você percebe, em conversas com amigas jogadoras, um interesse maior pelo vôlei brasileiro?
Eu acho que a liga brasileira sempre teve muitas jogadoras de fora no passado e nesta temporada temos talvez mais, mas eu não tenho certeza pois eu não chequei isso. Acho que é ótimo, porque todos nós, estrangeiros e brasileiros, podemos trocar experiências sobre cada uma e ao mesmo tempo performar na liga. É mais interessante para todo mundo.

10 – Por fim, me conte alguma situação especial vivida na última temporada que tenha sido marcante para você.
Eu acho que um momento importante pra mim foi a minha primeira partida inteira que joguei após minha recuperação. Eu não imaginava que poderia fazer isso novamente algum dia, e eu estava cheia de emoções naquela ocasião. Cada jogo, cada treinamento, pra mim é um marco. Pois eu aprecio muito estar aqui, que posso atuar com meu time, minhas companheiras e fico muito feliz e animada com isso sempre.

LEIA TAMBÉM

+ Brasil perde a segunda para os Estados Unidos



MaisRecentes

Coluna: Temos de falar sobre Douglas Souza



Continue Lendo

Atualização do ranking mundial mostra caminhos do Brasil para Tóquio-2020



Continue Lendo

Douglas Souza desbanca Lipe e Tandara na escolha do melhor do ano



Continue Lendo