O brasileiro campeão de tudo no Vakifbank, a relação com Ting Zhu e o futuro em Londrina



Um brasileiro fez parte do ano perfeito do Vakifbank: Maurício Thomas.

O treinador aceitou o desafio de ser assistente do italiano Giovanni Guidetti na temporada 2017/2018. E teve sua parcela de colaboração no aproveitamento perfeito do time: títulos da Liga Turca, Supercopa, Copa da Turquia e por fim a Champions League, vencida neste último domingo, em Bucareste, na Romênia.

Para quem já é o atual campeão mundial, um domínio impressionante no cenário feminino do vôlei da atualidade.

Por e-mail, Maurício Thomas analisou o momento do Vakifbank, falou com a relação com a chinesa Ting Zhu, a despedida de Gozde Kirdar e também sobre o retorno para o Brasil, mais especificamente para Londrina, uma das novidades na elite da próxima Superliga.

Maurício Thomas e a ponta chinesa Ting Zhu (Divulgação)

1 – Como resumir essa temporada do Vakifbank, com todos os títulos na Turquia (Liga, Copa e Supercopa) e a agora a Champions?

​Essa foi a melhor temporada da história do clube, com quatro títulos, nunca antes conquistada. Vejo todos os títulos com muito merecimento. A equipe é muito equilibrada em todos os fundamentos e isso a torna muito forte. Individualmente contamos com grandes atacantes do voleibol mundial, como a Zhu, Lonneke (Sloetjes, oposto holandesa), Milena (Rasic, central sérvia), Godze (Kirmar, ex-Sonsirma, ponta turca). Todas com características diferentes dificultando muito para os adversários. Nos momentos de dificuldade, por exemplo, a final da Liga Turca, foi decidida somente no quinto jogo após estarmos perdendo a série por 2 a 1. Conseguimos virar e conquistar o titulo. Na Champions League, no primeiro jogo contra o Imoco Conegliano, estávamos perdendo o tie-break por 12 a 9 e conseguimos virar. Esses momentos demonstram que o time nunca desistiu. Foi uma temporada mágica com a despedida em grande nível da ponteira Godze.

2 – Conte como surgiu a possibilidade de trabalhar no clube turco.

​Após 14 anos nas Seleções Brasileiras de base, conquistei muitos títulos pelo Brasil e isso me credenciou a trabalhar no Vakifbank. O Giovanni (Guidetti) estava procurando um treinador brasileiro para assumir a função de assistente técnico. Foi quando ele me ligou fazendo o convite. Antes do telefonema ele consultou o Zé Roberto e o Bernardinho e ambos me ajudaram na minha ida para a Turquia.​

3 – Na sua opinião, qual o motivo para a Ting Zhu ser uma jogadora tão especial?

​Zhu é a sensação do voleibol mundial. Por onde ela passa carrega centenas de fãs. Ela ataca muito forte, tem um alcance muito alto, conseguindo ângulos difíceis de serem bloqueados e defendidos. Em todos os campeonatos ela foi a MVP, o que a transforma na jogadora mais bem paga do mundo. Atrás de todo esse sucesso vem uma menina muito dedicada e séria, transformando assim o seu talento em realidade. Ela é muito profissional no dia a dia. Ela sabe da responsabilidade para o time e se prepara para exercer a função de definição nos jogos, demostrando muita confiança e acaba sendo decisiva.

4 – Relembre alguma história vivida com ela. Alguma conversa, alguma situação em quadra ou fora dela.

​Eu sempre converso com ela brincando que ela atrapalhou o sonho do Brasil com a conquista medalha de ouro na Olimpíada ​do Rio. Ela foi decisiva na vitoria da China. Ela ri e fala: “Sorry, Maurício!”. Ela faz questão de manter seus costumes chineses e trouxe uma pessoa para cozinhar para ela, já que a comida turca é muito diferente. Está sempre muito concentrada durante os treinamento e nas sessões de vídeo. Demonstra comprometimento com o time. Nas viagens ela está sempre lendo livros chineses e mantendo contato com seu idioma. Converso muito com ela sobre os métodos de treinamento na China, como que eles trabalham, como eles pensam e isso me ajuda a montar os treinos que possam também motivá-la.

Festa do Vakifbank na Champions League, na Romênia (Divulgação)

5 – A Godze encerrou a carreira como chave de ouro, título e MVP da Champions. Conte para os brasileiros, distantes da realidade turca, o tamanho da importância dela no vôlei local.

​Ela é um ídolo nacional e capitã do Vakifbank há 9 anos. É referência dentro do país e reverenciada pelos torcedores. É uma jogadora de personalidade forte, treina muito e exige das demais o seu melhor todos os dias. A seleção da Turquia e o Vakifbank perdem muito ​com a saída dela das quadras. Mas tenho certeza que ela deixou um legado para o clube de qual seria o caminho da vitória. A sua liderança dentro de quadra se estende para fora dela, onde ela consegue ajudar as mais novas e as mais velhas. O sucesso do Vakifbank está muito relacionado a ela. A torcida turca a idolatra pela luta e entrega nos jogos.

6 – Em relação ao seu aprendizado particular, como definir esse ano na Turquia ao lado do Giovanni Guidetti?

​O Guidetti é um irmão que voleibol me deu. Desde o primeiro momento que começamos a trabalhar juntos vimos que daria certo. Ele é um grande técnico, sempre muito estudioso e nos damos muito bem. Pensamos parecido e isso facilita no dia a dia. A construção da relação de confiança esse ano aconteceu muito rápido e consegui ajudar muito a equipe nas conquistas dos títulos. Volto para o Brasil com a sensação de dever cumprido e feliz por ter entrado para a história desse grande clube ao lado do Giovanni Guidetti.

7- Falando em volta para o Brasil, você vai assumir o Londrina, que acaba de subir para a elite da Superliga?

Londrina entrou em contato comigo e me apresentou um projeto interessante. Me sinto muito feliz com a possibilidade de voltar para o Brasil e dirigir uma equipe na Superliga. Eu sou movido a desafios e apesar de estar no melhor time do mundo me sinto motivado também em construir um novo time. Agora é voltar para o Brasil, curtir a família e analisar com eles o que seria melhor para a próxima temporada.



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